18 março 2007
Senhor, ensina-nos a orar...
Senhor, ensina-nos a orar...
“Certo dia Jesus estava orando em determinado lugar. Tendo terminado, um dos seus discípulos lhe disse: ‘Senhor, ensina-nos a orar....” (Lucas 11.1)
Quanto mais oramos mais percebemos que não podemos dominar técnicas, pois não se aprende a orar com métodos ou modelos. Quanto mais oramos percebemos que o princípio que envolve a oração não é o dominar, mas o ser dominado. Não é estar no controle, mas ser controlado.
Por isso é preciso desconfiar de toda pessoa que se apresente como portadora de conceitos e métodos de oração. A Bíblia não apresenta métodos ou passos de como orar bem para conseguir os melhores resultados! A oração cristã, aliás, não tem relação alguma com as modernas técnicas da PNL (Programação Neurolinguistica) ou da confissão positiva. O livro dos Salmos, um livro de orações, apresenta-nos a oração como expressão viva de um relacionamento entre aquele que crê (inclusive com as suas crises de fé) e Deus, a fonte de todo bem, a causa e o alvo da oração.
A pobreza da oração em nosso tempo é que a reduzimos aos pedidos e às reivindicações, bem como a um mero ritual de palavras sem sentido e desconexas, resultado de um relacionamento raso ou inexistente com Deus. No primeiro caso, Deus é tão somente um provedor de benesses; no segundo caso, Deus é um mero conceito, ou no máximo um poder que se crê existir, mas com o qual não se mantêm nenhuma relação pessoal.
Haja vista que a oração é relacionamento, oramos bem quando nossa relação com Deus permeia toda nossa vida, e não apenas alguns compartimentos isolados de nossa existência. Tal e qual a amizade, a oração não se constrói com alguns segundos e nem se torna forte com encontros esporádicos e sem interesse pelo outro. Tal e qual a amizade, a oração, com todos os seus efeitos e privilégios, não se prova assim de relance, de passagem. Assim como a amizade, a oração é antes uma condição de vida – de vida constante e persistente– e os seus resultados se vão manifestando com o tempo. A grande dádiva que esperamos na oração é que Deus se dê a Si mesmo, em comunhão conosco. E o mais que Ele der será incidental e secundário.
Por isso, um Congresso de Oração pode ajudar-nos a compreender mais sobre a oração, mas não nos fará melhores oradores. Para aprendermos a orar precisamos sempre e sempre ser como os discípulos aos pés de Jesus, que na proximidade com o Mestre suplicam-Lhe: “Senhor, ensina-nos a orar...”.
No amor dAquele que nos amou primeiro,
Ézio Martins de Lima, pr
16 março 2007
Jesus, Emanuel, o Deus conosco!
Mateus 1 – 23.
Nossos dias têm sido dias difíceis. Não posso afirmar se são dias piores que outros de épocas passadas. Não. Mas, penso que têm sido semelhantes aos do tempo de Noé. Dias onde a maldade se múltipla no coração do ser humano (Gênesis 6 a 9). Como Deus prometera não destruir mais a terra com água, quando chove não penso construir uma nova arca, e nem temo um dilúvio como descrito na Bíblia. Entendo, porém, que os dias se findam, e o tempo da volta do Senhor está perto.
Mas, refletindo sobre o tempo presente, contemplamos duas coisas: 1. o ser humano cada vez mais se mostra indiferente para com Deus. Faz as coisas como exposto por Jesus no seu Evangelho: casa-se, dá-se em casamento, mata, rouba, perpetua a injustiça; ou seja, faz coisas comuns ao homem decaído. 2. a sua indiferença para com Deus o está levando cada vez mais à reflexão de que o Senhor não se importa com o que acontece na terra. Dias atrás o Rev. Ezio falou-me de suas conclusões a respeito do Salmo 73, e a mim expôs que o salmista descreve algo parecido: “os ímpios prosperam e aparentemente não ligam para Deus”. Acham que este não conhece o que fazem, e nem tem interesse em julgá-los. Nossa justiça brinca de desejar fazer justiça, contudo, entendo que como no salmo 73 só não seremos frustrados, se esperarmos a Justiça das mãos do Senhor, ainda que use homens e/ou mulheres para isto; tomara sejam estes Sua igreja.
Diante de tudo acima apresentando, e voltando ao texto de Mateus 1, passamos a falar do termo “Emanuel”, o qual quer dizer “Deus conosco”, e denota alguns significados importantes: 1. Deus conosco compreende a idéia de “Deus perto”. Ou seja, por mais que o coração do ser humano esteja sem Deus, e por isto a maldade nele se multiplica, não significa que o mundo, a criação, esteja sem a presença de Deus. Os agentes mais influentes e transformadores desta realidade podem até ignorar, ou tentar não sentir, mas Ele não está longe do que criou, pelo contrario, está perto (Filipenses 4.5). 2. Deus está entre nós. Deus conosco significa isto. A encarnação significou isto. Deus não está somente perto, Ele está entre. Em Jesus Deus esteve entre as pessoas, se misturou na multidão, foi por ela tocada. Não havia seguranças ou mesmo um lugar diferenciado para Ele estar. Sua casa, quando nela esteve, ficou cheia de pessoas, e, no meio destas, as ensinava e as curava (Marcos 2). 3. Deus está com a gente. Deus conosco significa claramente isto. Não há outro significado que não seja “estar ao lado”, “estar junto”. Há muitos que ficam entre, mas não “com”. Há muitos, como a grande maioria dos políticos de nosso país, que estão entre. Há até mesmo alguns pastores os quais estão entre o rebanho, no meio, mas não “com” ele. Disto surge indiferença, pois, apesar de estar entre, não se sente igual. Somente o igual “está com”. Surge o comercio, o apascentar em favor próprio, pois não se “sente com” o rebanho em nenhuma das denotações possíveis desta expressão.
É incrível como Jesus não se fez diferente da humanidade decaída com a qual esteve, ainda que sua humanidade o fosse, pois era semelhante e não igual, principalmente quanto ao aspecto da natureza pecaminosa, pois, como nos diz o texto de Mateus “... pois o que nela se gerou é do Espírito Santo (Mateus 1.20; Filipenses 2.7; Hebreus 2.14-17; ). Ele, a expressão máxima do Pai (João 12.45; 14.9), se identificou como igual, aliás, foi mais longe e, na cruz, demonstrou identificação ao se fazer pior do que todos de seu tempo, e nela morreu. Deus conosco significa, desta forma, “estar com”, “sentir com”, “ser igual com”, “tomar o lugar com”, e até mesmo “tomar o lugar de”, não sendo indiferente, mas fazendo-se próximo.
É interessante notarmos isto, pois Ele poderia ter-nos ignorado. Poderia ter acabado com tudo se simplesmente tivesse dito: “basta”. Poderia não ter-se envolvido. Contudo, seu amor o aproximou de nós, e nos aproximou dEle (Romanos 5; II Coríntios 5.18; Efésios 2.13; Colossenses 1.22). Fez-nos provar de uma vida com os benefícios de sua proximidade, denominada por Ele mesmo como sendo “a vida abundante” (João 10.10). Fez-nos entender que Seu desejo é o de reconciliação, de comunhão, de partilha, de vivência. Trouxe-nos a compreensão da Sua Boa, Perfeita e Agradável vontade pela qual deseja mudar nossa condição de maldição e morte pelo pecado, dando-nos por Sua morte a vida fundamentada na liberdade do Seu amor!
Louvado seja o Senhor Jesus, o Deus conosco! Louvado sejas o Deus Trino nEle revelado! Louvado seja este maravilhoso Deus que por, e em Seu infinito amor, nos leva a uma vida onde a ausência de Deus jamais será sentida, mas Sua presença gozada com alegria e delícias perpétuas (Salmo 16.11)
Cleber B. Gouveia.
Pastor Auxiliar da 1ª IPI do DF.
09 março 2007
"cristianismo água-com-açúcar"
Não convém exigir uma religião simples. Afinal de contas, as coisas no mundo real são complexas. Parecem simples, mas não são. A mesa à qual estou sentado parece simples, mas peça a um cientista que diga do que ela é realmente feita: você ouvirá uma longa história a respeito dos átomos e de como as ondas luminosas refletem-se neles e chegam ao nervo óptico, provocando um efeito no cérebro. Assim, o que chamamos de "enxergar a mesa" nos leva a mistérios e complicações aparentemente inesgotáveis. Uma criança que faz uma oração infantil é algo singelo. Se você estiver disposto a parar por aí, ótimo. Mas, se você não se contentar com isso (coisa que acontece bastante no mundo moderno) e quiser levar avante o questionamento sobre o que realmente acontece, tem de estar preparado para enfrentar dificuldades. Se exigimos algo que vá além da simplicidade, é tolice nos queixarmos de que esse algo a mais não é simples. Com muita freqüência, entretanto, esse procedimento tolo é adotado por pessoas que não têm nada de tolas, mas que, consciente ou inconscientemente, querem destruir o cristianismo. Essas pessoas apresentam uma versão da religião cristã própria para crianças de seis anos e fazem dela o objeto de seu ataque. Quando tentamos explicar a doutrina cristã tal como é entendida por um adulto instruído, elas se queixam de que estamos dando um nó na cabeça delas, de que tudo o que dizemos é complicado demais e de que, se Deus realmente existisse, teria feiro a "religião" simples, pois a simplicidade é bela etc. Esteja sempre em guarda contra este tipo de gente, sujeitos que trocam de argumento a cada minuto e só nos fazem perder tempo. Note o absurdo da idéia de um Deus que "faz uma religião simples": como se a "religião" fosse algo inventado por Deus, e não a sua afirmação de certos fatos inalteráveis a respeito de sua própria natureza.
A experiência me diz que a realidade, além de complicada, é quase sempre estranha. Não é precisa, nem óbvia, nem previsível. Por exemplo, quando você descobre que a Terra e os outros planetas giram em torno do Sol, pensa naturalmente que todos os planetas devem se comportar da mesma maneira, que são separados por distâncias iguais ou distâncias que aumentam proporcionalmente, ou que devem aumentar ou diminuir de tamanho à medida que se afastam do Sol. No entanto, não encontramos nem métrica nem método (que possamos compreender) nos tamanhos ou nas distâncias. Além disso, alguns planetas possuem uma lua; outros, quatro; alguns, nenhuma; e um planeta tem um anel.
A realidade, com efeito, é algo que ninguém poderia adivinhar. Este é um dos motivos pelo qual acredito no cristianismo. E uma religião que ninguém poderia adivinhar. Se ela nos oferecesse o tipo de universo que esperaríamos encontrar, eu acharia que ela havia sido inventada pelo homem. Porém, a religião cristã não é nada daquilo que esperávamos; apresenta todas as mudanças inesperadas que as coisas reais possuem. Deixemos de lado, portanto, todas as filosofias pueris e suas respostas simplistas. O problema não é nada simples, e a resposta tampouco.
C. S. Lewis
(Cristianismo Puro e Simples, p. 19-20)
06 março 2007
Sentir com os que sentem... tornar-se igual...
Após acordar, veio à minha mente o quanto uma situação ruim em grande parte nos incomoda somente quando acontece conosco, ou com alguém a quem amamos.
Em meu sonho o frio sentido foi real, não apenas visualizado no outro. A sensação de incapacidade para transformar minha realidade, de incapacidade para acabar com o meu sofrimento não fora apenas uma crise de consciência, como a sentida quando se olha para um mendigo mas, ao virar a esquina, logo se esquece. A dor da rejeição estava alojada em meu coração, e o sentimento de incompreendido preso ao grito que não ecoava.
Confesso: por mais que fosse só um sonho, não fora uma situação fácil.
Não estou aqui querendo espiritualizar a situação. Sei que meu sonho decorreu do frio que senti pela falta da coberta. Contudo, não pude fugir da imagem dos mendigos que dormem ao relento na porta da Igreja onde pastoreio, ou na porta do colégio onde trabalho. Não pude fugir da cobrança em meu coração da ajuda prometida a um deles, o qual não vejo a dias. Não pude deixar de sentir com eles, de me colocar naquele momento no lugar de cada um deles; dos que conheço pelo menos.
Naquele instante de sobriedade social veio à minha mente: amar ao próximo com a nós mesmo deve me levar a sentir como eles se sentem, da mesma forma como acontecera no sonho. O amor com o qual a mim mesmo amo, e pelo qual entendi ser digno de uma chance melhor, deve ser o mesmo com o qual preciso amar o meu próximo, e vê-lo como digno de situação melhor, e esta decisão levar-me a sentir como ele, colocar-me em seu lugar, e de alguma forma, ajudá-lo a sair de onde está: lugar de sofrimento e desprezo.
É isto o que ocorre na parábola do Samaritano (Lucas 10. 25-37). Ele reconheceu a situação e sentiu a dor da vítima dos bandidos. Se colocou no lugar da pessoa e, porque amou, foi solidário, sem medir esforços ou perdas próprias. Não raciocinou o retorno, a não ser da dignidade e bem estar bem quem ajudava. Esta parábola fala de Deus, da pessoa de Jesus, e deseja levar-nos à compreensão do amor de Deus, revelado em atitudes (benignidade), ensinando claramente ser assim que Deus age em favor de nós: com o amor que aproxima, e se coloca (literalmente) no lugar do que sofre (Romanos 8; 1 Pd 2.24 entre outros textos).
Hoje vi mais uma reportagem sobre a adolescente que morrera ao ser alvejada por uma bala perdida, mais uma. Penso precisarmos sentir a dor da mãe, chorar um choro verdadeiro, e agir com ela e outros em favor da vida. Pois, quem ama sente; quem ama se torna próximo; quem ama toma o lugar do outro; quem ama não é indiferente, mas se faz igual.
Que o Senhor nos ajude. Que o Seu Espírito continue a derramar do Seu amor em nossos corações (Romanos 5.5). Que o Senhor Jesus continue a nos fazer a sentir a realidade do sofrimento, e a sonhar como Deus sonha, agindo com e em favor do próximo, para que a presença do Senhor seja revelada de forma transformadora e consoladora.
22 fevereiro 2007
A RELIGIÃO DA BANHEIRA QUENTE
Outro dia, eu fui um de toda uma turma que passou a maior parte de uma chuvosa tarde de sábado numa banheira quente. Meus estudantes tutelados, que formavam a turma, tinham me aconselhado a experimentá-la (....)
Enquanto me sentava lá, fazendo piadinhas e ajustando-me à emoção de ser envolvido por bolhas de todos os ângulos, ocorreu-me que a banheira quente é o símbolo perfeito do caminho moderno da religião. A experiência da banheira quente é deliciosa, relaxante, preguiçosa, despreocupante. De nenhum modo é exigente, seja intelectualmente ou não, e é muito, muito agradável, até o ponto de ser divertida (especialmente com um grupo de tutelados como o meu). Muitos hoje querem que o Cristianismo seja assim, e trabalham para isso. O último passo, é claro, seria tirar os assentos dos auditórios das igrejas e instalar banheiras quentes em seu lugar; então nunca haveria problemas de freqüência. Enquanto isso, muitas igrejas, muitos evangelistas e muitos religiosos eletrônicos já estão oferecendo ocasiões que são planejadas para nos levar a sentir que só perdem para uma banheira quente – isto é, são reuniões felizes e descuidadas, momentos verdadeiramente divertidos para todos (...)
Enquanto eu continuava na banheira quente, espreguiçando-me desinibidamente, vi por que a religião popular desse grupo cromado do qual eu estou falando ganhou tanto controle. A vida moderna nos pressiona. Somos estimulados até ficarmos aturdidos. Os relacionamentos são frágeis; os casamentos se rompem, famílias se separam; os negócios são uma corrida exaustiva sem fim, e aqueles que não estão no topo sentem-se como peças da máquina de outra pessoa. A automação e a tecnologia da computação tornaram a vida mais rápida e mais tensa, já que não temos mais que fazer os trabalhos rotineiros que consumiam muito tempo, e nos quais nossos avós costumavam relaxar suas mentes. Temos que correr muito mais rapidamente do que qualquer geração anterior, simplesmente para ficar onde estamos. Não é surpresa, então, que quando o homem ocidental moderno se volta para a religião (se ele se volta – muitos não o fazem), o que ele quer é um total relaxamento estimulante, ser a uma só vez confortado, sustentado e revigorado sem esforço: em poucas palavras, uma religião de banheira quente. Ele pede isso, e as pessoas se apressam em supri-la. O que a religião da banheira quente ilustra mais claramente é a lei da procura e oferta.
O que, então, devemos dizer sobre a religião da banheira quente? Certamente um ritmo de vida que inclua descanso é correto; o quarto mandamento mostra isso. Alternar trabalho árduo com tempos de divertimento também é certo (...). Desfrutar de nossos corpos enquanto podemos, em oposição a desprezá-los, já é parte da disciplina da gratidão para com nosso Criador. E exuberâncias desinibidas como bater palmas, dançar, gritar louvores e clamar na oração podem ser aprovadas também, desde que, através disso, não façamos os outros tropeçar. Sem estes fatores da banheira quente, como podemos chamá-los, nosso cristianismo seria menos piedoso e menos vivo, pois seria menos humano. Mas, se não houvesse mais em nosso cristianismo do que os fatores da banheira quente – isto é, se abraçássemos um hedonismo de relaxamento e sentimentos felizes, evitando tarefas difíceis, posições impopulares e relacionamentos exaustivos – perderíamos a centralização bíblica em Deus e a vida de carregar a cruz para a qual Jesus nos chama, e anunciaríamos ao mundo nada mais do que nossa própria decadência. Com a ajuda de Deus, contudo, não vamos concordar com esse pouco.
Rev. Dr. James Innell Packer
(Extraído do livro Religião Vida Mansa, Cultura Cristã, 1999, p.50-53)
J. I. Packer, nascido Gloucester, Inglaterra, em 22 de julho de 1926, é considerado um dos maiores teólogos Reformados (Calvinista) da atualidade.
16 fevereiro 2007
Minha Pública Profissão de fé (Parte 2)
Sabe, nestes dias tenho pensado muito a respeito destas e outras perguntas como: "Por quê me privo de tantas coisas na vida (não vejo o pecado em muitas delas) por amor ao irmão que se escandalizaria se me visse gozá-las?
15 fevereiro 2007
Oração e comunhão
Fazemos apressadas e impacientes tentativas de orar, e, não vendo bons frutos, dizemos que a prática é inútil, e abandonamo-la.
A oração é como a amizade. A amizade não se prova assim de relance, de passagem. Não se constrói com alguns segundos e nem se torna forte com encontros esporádicos e sem interesse pelo outro. A amizade é antes uma condição de vida –de vida constante e persistente– e os seus resultados se vão manifestando com o tempo. Assim é a oração: o seu resultado vai-se manifestando com a continuação da nossa íntima comunhão com Deus.
Eis a palavra chave na vida de oração: Comunhão! A grande dádiva que esperamos na oração é que Deus se dê a Si mesmo, em comunhão conosco. E o mais que Ele der será incidental e secundário.
Separei pequenas pérolas sobre a oração, recolhidas nos últimos 9 anos, a fim de que possamos meditar e, quiçá, sermos motivados a procurar a Deus em oração.
A.C. Benson
“Oração não é uma repetição mecânica das formas verbais, porém uma forte e íntima afinidade do nosso coração com o Pai”
Sir Thomas Browne, famoso médico inglês:
“Já me resolvi a orar mais e orar sempre, a orar em todos os lugares onde o silêncio convida, em casa, no caminho, na rua e a não saber de nenhuma rua ou avenida nesta cidade que não possa testificar que não me esqueci de Deus?”
Irmão Lourenço:
“Oração é uma firme consciência da presença de Deus, e constante comunhão com Ele”
“Oração é a aspiração da nossa pobre alma sobrecarregada por seu eterno Pai, com ou sem palavras, sentimento este espontâneo”. .
Agostinho de Hipona:
“Dá-me a tua própria pessoa, sem a qual, mesmo que me desses tudo o que fizestes, ainda não podia ser satisfeito o meu desejo”/
Thomas à Kempis:
“É pouco e não satisfaz tudo o que pudesses doar, afora Tu mesmo”.
“Esta idéia da oração enquanto comunhão não é nem moderna nem antiga; é propriedade comum de todos os santos cristãos que penetraram o âmago da oração. As perplexidades se encontram nas franjas da oração; a oração na sua essência é tão simples e tão profunda como a amizade”.
Perceber a oração como comunhão com Deus nos faz perceber que às vezes temos orado muito mais que pensamos, mas também que devemos orar bem mais do que já oramos! O Apóstolo Paulo ao escrever aos tessalonicenses (I Ts. 5.17): “Orai sem cessar”, não falava de petição, mas de comunhão contínua.
Perceber oração como comunhão é perceber que o coração do Pai está aberto e você é bem vindo ali. Deus convida você a entrar no Seu coração. O coração do Senhor é a casa onde nos encontramos seguros, protegidos... Você é bem vindo ali. Então, ore!
“A oração genuína e total nada mais é do que amor” (Agostinho de Hipona)
Rev. Ézio Martins de Lima
Agende a sua presença no II Congresso de Oração da IPI Central de Brasília:
II CONGRESSO DE ORAÇÃO
“Muito pode, por sua eficácia, a oração do justo”.(Tiago 5:16)
Dia 16 de março, sexta-feira, às 20h
Tema: “Por que devemos orar?”
Preletor: Rev. Adail Carvalho Sandoval, pastor titular da Igreja Presbiteriana de Brasília
Dia 17 de março, sábado, às 20h
Tema: “Orar faz bem para a saúde”
Preletor: Rev. Jean Douglas, pastor titular da 1ª Igreja Presbiteriana Independente do Distrito Federal
Dia 18 de março, domingo, às 10h00 min
Tema: “Por que orar, se Deus sabe todas as coisas?
Preletor: Rev. Valter Moura, Diretor do Seminário Presbiteriano de Brasília
Dia 18 de março, domingo, às 19h
Tema: “A oração, a evangelização e a conversão”
Preletor: Rev. Valter Moura, Diretor do Seminário Presbiteriano de Brasília
14 fevereiro 2007
IRA - Por Ricardo Gondim
10 fevereiro 2007
A conspiração do bem

Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. João 2:4
Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens. Mateus 16:23
Haveria algo mais difícil do que ter de resistir ao mal evidente que nos cerca todos os dias? Desligar a TV durante aquelas programações que nós sabemos o que estão propondo, ou até mesmo desviar dos links e janelas que surgem nas telas dos nossos computadores levando-nos a sites obscuros? Ou até mesmo conduzir nossos olhos ao sentido oposto ao das bancas de jornal e os nossos ouvidos atentarem para longe de bate-papos malignos e afiados? Não é difícil resistir e dissimular frente às ofertas de piadas degradantes, diante das quais a grande maioria solta espaçosas gargalhadas, ou não se deixar seduzir por propostas de ganho fácil e imediato que custem o sacrifício dos valores que com tanto esforço pleiteamos cultivar ao longo de nossos anos?
Essa pós-modernidade bombardeia incessantemente a todos os nossos sentidos com o convite ao que é fácil, barato, prazeroso – uma verdadeira sinfonia cuja melodia agrada em cheio aos ouvidos da nossa sociedade hedonista – que em meio a todo esse “prazer”, revolve-se e chafurda-se ainda mais na lama que a envolve.
Sinceramente, creio que o esforço que o cristão emprega, se verdadeiramente fiel, em busca de uma vida santificada e íntima com Deus nos dias de hoje só é comparável ao enfrentamento dos leões na arena de César...
O pior é que não fica por aí.
Como se não bastasse, a nossa batalha vai além do pecado descarado e publicado, amado e cultivado nos dias de hoje.
Se logramos êxito ao resistir aos convites dos out-doors e dos comerciais de TV, muitas vezes somos vítimas da conspiração do bem, ou da “confraria da boa-vontade”. Confuso? Explico-me.
Confesso que logo aos primeiros passos da fé, os dois versículos os quais cito, no início deste texto, me chamaram a atenção. Eles pareciam uma dissonância, uma contradição ao conceito que eu até então eu cultivava:
- Puxa, mas como é que Jesus pôde ser tão grosso com a própria mãe?...
- Caramba, mas que palavra dura Jesus disse a Pedro...
Aos mais doutos, perdoem-me a sinceridade, mas era exatamente isso que eu pensava, e assim como eu, creio que muitos outros. “Como é que Jesus poderia falar assim com quem estava sendo tão bonzinho por preocupar-se com ele mesmo e com os outros?” Maria, preocupada com a situação constrangedora a que o noivo se sujeitaria, tendo o vinho acabado bem no meio da festa, e Pedro, zelando pelo bem-estar do Mestre, ao ouvi-lo dizer que o Filho do Homem padeceria e seria morto.
Com o tempo, tristes verdades e duras realidades acabam mostrando que esse mal encoberto consegue ser pior até mesmo de que todo esse pecado escancarado. E o que é pior: muitas vezes nos tornamos agentes dele.
Conseguimos resistir, ainda que com tropeções, ao combate nas trincheiras abertas, mas ao fogo amigo, aquele que vem dos combatentes que se dizem estar ao nosso lado, somos vulneráveis. Nossa guarda está sempre aberta, pois jamais pensamos que são capazes de, armados das “melhores intenções,” atuarem em nossa vida em sentido contrário ao que Deus espera de nós. É aquele irmão que gosta tanto de nós que não abre mão de que no fim de semana não estejamos em sua casa no almoço, no mesmo dia em que poderíamos promover um evangelismo, é o outro que ama tanto a igreja, e suas tradições, que faz parte da “família real” há tanto tempo que não pode admitir que a santidade de seus hinos seja maculada pela cantoria barulhenta desses jovens de hoje com seus cânticos – talvez aquele velhinho gentil e freqüentador tão assíduo, que não admita que a alegria que pudesse haver em nossos templos corresse o risco de agredir a tão idolatrada “ordem e decência”, que se coloca muitas vezes acima da nossa liberdade de amar o outro. É a turma do “deixa disso” , do comodismo, a turma do “deixa como está”, ta bom assim – enquanto nossos cultos se esvaziam, nossas festas se multiplicam.
Acho que nas igrejas todos erramos quanto a isso, aos membros – e aí me incluo eu – por fazermos o papel de Marias e Pedros, na melhor de nossas intenções muitas vezes na hora errada ou inocentemente atentando contra o propósito soberano de Deus, com a consciência falsamente tranqüila, como quem não sabe nada nem o que está se passando, até que as coisas não corram como deveriam e não venhamos a nos sentir culpados quanto a isso, jogando a culpa nos pastores.
Mas os pastores também erram, quando não buscam a lucidez e o discernimento para perceberem, no momento do agrado mais singelo, da preocupação mais sincera, o mal dissolvido, o risco iminente de se tornar vítima da “confraria do bem”, esquecendo-se de que sempre haverá um interesse humano por trás de cada ato, ao qual caberá sempre a resposta imediata e precisa, nos moldes de Cristo, sob pena de que nossos interesses se sobreponham aos d´Ele.
É preciso estar atentos, pois, se pararmos um pouco e olharmos para nossa história, como igreja, e porque não dizer como pessoas, veremos o quanto se perdeu agindo sinceramente errados, pedindo a vontade de Deus, mas fazendo a nossa própria, desejando que Ele decida, mas agindo por nós mesmos.
Muito mal e muito dano já foi causado, é tempo de observar e aprender, é tempo de reparar os muros, reconstruir. Mesmo que isso ao final nos custe a amizade daqueles que, sinceramente errados, nos ofereceram paz em tempos que eram de guerra, festa em tempos de pranto.
Se é tempo de guerra, vamos a guerrear, se é tempo de se humilhar, orar, e buscar a face de Deus, o façamos. Sobretudo, façamos aquilo que a Deus agrade, a Seu tempo, e conforme a Sua vontade.
09 fevereiro 2007
Palavras em favor da vida... Diante da realidade da morte...
“Também disse Deus: façamos o homem à nossa imagem, conforme nossa semelhança...” Gênesis 1.26
“Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.”
Genesis 2.7
“Não matarás.”
Êxodo 20.13
A vida realmente não tem mais seu valor. Deus criou, e diz a Palavra, que a vida do homem fora gerada durante todo um dia de trabalho. O Homem fora planejado, e a vida, colocada com muito amor em algo inanimado, feito do barro. Por ter sido feito do barro, é frágil, como um pote de barro o é. E é triste ver como a falsa sensação de poder sobre a vida e a morte tem cegado a muitos, levando-os a decidir quando e onde por fim à vida de seu semelhante, como se fosse o mesmo que tirar a vida de um inseto, ou o mesmo que decidir qual sapato ou roupa usar.
É o que vejo no episódio da criança morta no Rio, em troca de nada. Sim, pois, o que é um bem inanimado, e com tempo útil de vida, cujas peças seriam no máximo revendidas por “preço de banana”? O que é este objeto de desejo que no máximo seria usado até que a maresia da brisa do mar o destruisse, ou um acidente de trãnsito o fizesse não ter valor, diante da preciosa vida de uma criança?
Penso eu, de forma desalentadora, que tal fato nos mostra a realidade de nossos dias, onde a preciosidade da vida só está diante dos olhos daquEle que a criou, pois, nós, os semelhantes, não nos vemos mais assim, tão preciosos.
Entretanto, o que não podemos é nos render diante da desvalorização da vida. Ela é preciosa, única, e poderá ser vivida eternamente somente se este ser animado pelo sopro da vida voltar para o Seu Criador, como nos ensina o Salmo 100 versículo 3.
Diante de tal realidade tão desgraçada, sim, porque não se vê a Graça de Deus nos corações dos homens que fazem o mal e dos que se calam diante deste mesmo mal, quero registrar meu sofrimento e dor; minha revolta e ira; minhas lagrimas e desconsolo diante da morte trágica desta criança, e desta jovem mãe.
Deus nos ajude, e nos sustente graciosamente a cada dia, em Cristo Jesus, amém!
Cleber B. Gouveia
08 fevereiro 2007
O Espelho que tudo vê...
Você já tentou olhar para o seu próprio nariz? Confesso quando criança ter tentado fazer isto por varias vezes, e ainda hoje, às vezes pegar-me nesta tentativa. Sabemos bem como é difícil não vê-lo, ou se vemos, isto ocorre de forma desfocada. Fica claro, portanto, ser algo muito difícil a tarefa de olhar para o próprio nariz, a não ser que se esteja em frente a um espelho; imagine então olhar para o que há em nosso coração.
Da mesma forma que, para se poder ver claramente nosso nariz, é necessário estar em frente a um espelho, creio que, quando tentamos sondar nossos próprios corações, em seus mistérios mais profundos, também precisarmos de auxilio para vermos o mal que neles há.
Penso assim por entender que nossos corações (ou mentes) são, primeiramente, como nossos pais, quando estes olham para nós e não conseguem ver nossa feiúra, ou mesmo nossos defeitos. Trabalho em uma escola com muitos adolescentes e seus problemas naturais da adolescência. Quando há algo envolvendo um ou mais adolescentes, e os pais são chamados para conversar, sempre se vê em sua expressões ou palavras a frase: “meu filho não; o outro sim, o meu não!”. Na maioria das vezes mascaram, escondem ou fazem vista grossa, e afirmam: “meu filho não seria capaz de fazer isto!”. Ou seja, ainda que vejam ou saibam quem há algo de errado, a grande maioria prefere fazer de conta que não viu”; com os nossos corações acontece o mesmo.
Outras vezes, nossos corações se mostram como um Hipermétrope (pessoa que enxerga bem o que está longe e não consegue focar o que esta perto), não conseguindo, assim, enxergar direito seus próprios defeitos. Jesus falou sobre isto ao afirmar que conseguimos enxergar o cisco nos olhos do próximo, mas não a trave que há em nossos (Mateus 7.13). Precisamos, desta forma, ir ao espelho que tudo vê, como aquele da estória da Branca de Neve, e pedirmos: “Espelho, espelho meu, revela-me o pecado que de mim se escondeu”.
Creio ter sido a consciência desta realidade o que levou o salmista Davi pedir auxilio ao Senhor, o “espelho da nossa alma que tudo vê, e tudo pode nos revelar a respeito de nós”. Davi sabia que sua natureza pecaminosa era como um cleptomaníaco, o qual rouba, mas nega seu erro. Que seu coração era às vezes como alguém embriagado que nega todas as suas atitudes ofensivas aos que ama, ou até mesmo como aquela pessoa a qual afirma nunca ter pecado, “pois não mata, não rouba e não faz mal a ninguém, nem mesmo ao mosquito da dengue”. Davi, contudo, também tinha plena convicção de que o Senhor podia conhecer o mais íntimo do seu coração, e desvendá-lo.
Nós também devemos reconhecer nossa incapacidade diante do nosso pecar, e da nossa necessidade dos olhos do Senhor. Precisamos reconhecer que somente o Espírito Santo poderá nos convencer do nosso pecado (João 16.8), e clamar para que este, que sonda também o mais íntimo do coração de Deus (1a. Corintios 2.9) possa penetrar no mais profundo do nosso ser, revelando nossa miséria, e nos direcionando pelo caminho eterno.
Como Davi, precisamos crer e compreender que o Senhor Jesus tem prazer em nos mostrar onde estamos entristecendo Seu coração, e nos chamar ao arrependimento (Lucas 5.32), e, uma vez quebrantado nossos corações, nos guiar em Si mesmo, o caminho direto ao Pai, o caminho eterno do Pai (João 4.6). Precisamos, portanto, olhar para o espelho espiritual que tudo vê, e tudo revela a respeito de nossos corações, e assim, sermos levados ao caminho eterno cheio de Paz, Vida e Amor de nosso Deus.
Cleber Batista Gouveia.
21 janeiro 2007
Encurvada
Lucas 13. 11
A discussão que tem lugar nesse quadro no relato de Lucas diz respeito ao sábado. Mas eu não quero dar atenção nesse texto nem aos fariseus, nem ao sábado. Eu quero pensar nessa mulher.
Ainda me recupero de uma terrível crise de dor ciática, provocada pelas minhas duas protrusões discais. Essa deve ter sido a segunda pior crise que eu tive desde que apareceram as minhas primeiras dores, seis anos atrás. A crise foi tão intensa que eu tive de me afastar do trabalho. Não conseguia me levantar, sentar ou deitar sem auxílio. Além disso, andava me arrastando, segurando nas pessoas e nas paredes. Não agüentava ficar muito tempo sentado, deitado ou em pé.
Mas essa não foi a pior crise. A minha pior crise foi a primeira de todas. Era dezembro do ano 2000 quando eu senti as primeiras dores. Duraram uma semana. Depois, sumiram por uma semana. Quando as dores retornaram eu não podia imaginar que elas não sumiriam até agosto de 2001. Passei quase oito meses sentindo dor constantemente. Não houve um segundo em todo esse período em que meu ciático não doesse – não estou exagerando. Claro que não era sempre a mesma intensidade de dor, mas era uma dor constante e ininterrupta.
É por isso que eu quero pensar nessa mulher que fazia dezoito anos que estava doente, encurvada, sem conseguir se levantar. Eu posso fazer idéia, imaginar, o tamanho sofrimento que essa mulher teve ao longo de todos esses anos de doença. Os tantos médicos e curandeiros que ela deve ter buscado. Os parcos recursos que ela deve ter gastado em busca de cura. A discriminação que deve ter enfrentado em virtude de todas as suas dificuldades. A dor, o incômodo e a falta de mobilidade.
Foi uma vida difícil até aquele dia, até que ela entrou naquela sinagoga. Posso imaginar que ela não fazia idéia que naquela tarde sua busca intensa se encerraria. Sua dor se esgotaria. Imagino que ela não tinha idéia de quem iria encontrar naquele lugar.
Jesus é simples e direto com ela. Mulher, você está curada (Lc. 13. 12). Não pergunta nada, não ouve pedido, não questiona. Simplesmente a cura, tocando-a para não deixar dúvidas sobre o que estava fazendo. Assim, num toque, o sofrimento e a busca de dezoito anos se foi. Num toque do Senhor, com uma Palavra de Deus.
Às vezes, nossa dor e nossa busca são físicas mesmo. Nosso sofrimento é físico, como acontece comigo em minhas crises. Lembro que, em 2001, quando morava no Seminário, chorei em alguns momentos; não de dor, mas de desespero por não me ver livre daquele incômodo constante. Naquelas horas, eu desejava um alívio e uma cura física. Nem sempre ela virá, eu sei. Você deve descobrir isso também.
Outras vezes, nossa dor e nossa busca são de outra natureza. Às vezes, não estamos fisicamente encurvados há dezoito anos como aquela mulher, mas as emoções não curadas, os ferimentos e as doenças espirituais encurvam a nossa alma e nos deixam debilitados. Você pode não ter um problema físico de que deseje a cura, mas pode ter um ferimento de outra ordem, que oprime você e encurva sua alma.
Em todos os casos, precisamos encontrar Jesus. A cura e a mudança de vida daquela mulher se deram no seu encontro com Jesus naquela tarde, naquela sinagoga. Não importa quanto tempo faça que você sofra com isso. Não importa se são cinco dias ou dezoito meses: um encontro com Jesus é o que você realmente precisa para mudar a situação. Mesmo que esse encontro não represente a cura – nem sempre representa – ele vai mostrar a você que não é preciso carregar o peso do sofrimento – físico, emocional ou espiritual – sozinho. Ele estará, a partir desse encontro, com você, o apoiando e enxugando qualquer lágrima de dor ou de sofrimento. E a paz que encherá a sua alma será suficiente para ajudá-lo a enfrentar o que de mal ainda puder surgir.
Mas o encontro com Jesus será a sua cura. Cura da opressão da dor e do sofrimento, do corpo ou da alma. Mesmo que o fim dessa opressão não signifique, necessariamente, o fim da dor, mas apenas o alívio de saber que Jesus está com você em cada momento.
13 janeiro 2007
Novo tempo, nova realidade...
Vivemos novos tempos! Novos tempos significam novas estruturas, e novas estruturas, a necessidade de novo pensar. E é a partir de uma reflexão contemporânea que nós, pastores e presbíteros, entendemos ser necessário trabalhar uma nova estrutura para a vida comunitária de nossa igreja. E a chamamos de: Igreja em Ministérios.
Pensando neste processo de transição, não posso iniciar nosso bate papo sem dizer que você é importante dentro dele. Neemias (Capítulo 2), por exemplo, quando desejou reconstruir Jerusalém, que estava assolada, conseguira bom termo diante de Deus e do rei, e poderia ordenar o que quisesse e fosse necessário para que seu ideal fosse concretizado. Contudo, sentou-se com os principais do seu povo em Jerusalém, e compartilhou com estes o que Deus havia feito por ele, convidando-os a participarem do processo de reconstrução. Por fim, todas as famílias que ali estavam se envolveram no processo. O que isto significa? Cada um deles era importante para a reconstrução de Jerusalém. O que quero dizer com isto? Cada um de nós, membro da 1ª.IPI, do Distrito Federal é importante para que o processo de transição para uma Igreja em Ministério seja bem sucedido, bem como permaneça e dê frutos.
Na história de Neemias, o entendimento por parte do povo se fez de forma concreta. Eles literalmente puseram as mãos na massa (v. 18), e trabalharam para reconstruir os muros.
Nós também precisamos deste desprendimento. Todo o processo de transição dependerá do nosso envolvimento não somente em oração nos lares ou no templo, como forma de intercessão pelos lideres. Sozinhos não farão o que deve ser realizado. Ministérios não se mantêm somente pelo trabalho dos seus lideres. Assim como Neemias sozinho, ou mesmo com os sacerdotes e nobres, não conseguiria reconstruir nada somente com o apoio moral do restante dos habitantes de Jerusalém, não se poderá concretizar o sonho de ministérios fortes e eficazes sem o envolvimento verdadeiro, prático, no dia-a-dia, de cada membro de nossa comunidade, incluindo você.
Creio que Deus, em Seu coração, tem um Dom espiritual para a sua vida. Se você ainda não o tem, é preciso buscá-lo, e mais, torná-lo evidente, frutífero dentro da comunidade, para que ela, como Corpo de Cristo, cresça em amor para o bom desenvolvimento de seu serviço como Serva do Altíssimo.
Assim sendo, o que pretendo nesta pastoral é dizer: não se esconda, pois a luz não pode ser acessa e escondida debaixo da cama (Mt 5.14). Não perca o sabor, pois os dons e o amor de Deus em nos dá um sabor único, e não se pode perder o sabor que lhe dá o sentido de existir (Mt 5.13). Seja como aquele que vive e serve ao Senhor com sua vida, talentos e Dons recebidos do alto, e andemos pelos vales áridos fazendo brotar ali um manancial de vida em Cristo Jesus. Amém.
30 dezembro 2006
Elias
1 Reis 17. 24
Queria ser reconhecido e viver em uma comunidade que fosse reconhecida por ser instrumento por meio de quem grandes libertações e milagres se operassem. Elias era um homem assim. Era um profeta cujo poder se funda em sua relação com o Senhor. Em sua intimidade e comunhão com o Pai ele é conduzido à casa de uma viúva em Sarepta. Ali, ela mora sozinha com seu filho e se prepara para cozinhar o último pãozinho e, então, morrer de fome ao seu lado naquela terrível seca.
Quando o profeta chega, Deus muda tudo por meio dele. Não se preocupe! Vá preparar a sua comida. Mas primeiro faça um pãozinho com a farinha que você tem e traga-o para mim. Depois prepare o resto para você e para o seu filho. Pois o Senhor, o Deus de Israel, diz isto: “Não acabará a farinha da sua tigela, nem faltará azeite no seu jarro até o dia em que eu, o Senhor, fizer cair chuva” (1 Rs. 13 – 14). Ninguém morrerá de fome. Deus suprirá as necessidades do Seu profeta e daquela viúva e seu filho. Enquanto a seca existir, a farinha e o azeite não se acabarão. Um grande milagre operado pela mão do Senhor naquele lugar.
Um outro grande milagre acontece quando o menino adoece e, finalmente, morre. Deus, atendendo a oração do profeta, o ressuscita. A presença de Deus na pessoa de Elias altera o quadro de maneira tremenda na casa daquela viúva. Reverte uma situação de fome e miséria de maneira miraculosa. Cura e ressuscita mortos por meio da vida do profeta. Queria ver essa realidade em minha vida e na da minha comunidade: a presença de Deus ser tão absolutamente perceptível que transforme situação de forma fantástica, ressuscitando mortos, curando enfermos, realizando milagres inauditos.
Além de sinais e maravilhas, a presença de Deus na vida do profeta expõe os segredos. A percepção da santidade de Deus envolvendo aquele homem provoca uma reação interessante na viúva. Ciente da santidade de Deus, ela teme e percebe o seu próprio pecado e sua sujeira pessoal. Homem de Deus, o que o senhor tem contra mim? Será que o senhor veio aqui para fazer com que Deus lembrasse dos meus pecados e assim provocar a morte do meu filho? (1 Rs. 17. 18). Ela vê o Deus santo no profeta e percebe-se como pecadora. Por isso, quando seu filho adoece ela acusa Elias de estar ali apenas para expor seu pecado diante de Deus.
Queria ser reconhecido e viver em uma comunidade que fosse reconhecida pela presença viva de Deus em seu meio. Presença que impactasse profundamente as vidas, que expusesse sua necessidade de perdão e de transformação, porque eu e minha comunidade estaríamos refletindo a presença santa e gloriosa do Senhor. Eu queria viver a experiência relatada em cada avivamento de que apenas pela presença de Deus na vida das pessoas, vidas eram salvas, corações se arrependiam, milagres aconteciam. A presença de Deus era tão perceptível na vida de Elias que a viúva foi impactada e transformada pelo sopro da santidade do Senhor.
Por fim, queria ser reconhecido e viver em uma comunidade que fosse reconhecida como sendo do Senhor e por meio de quem Deus fala aos homens. Agora eu sei que o senhor é um homem de Deus e que Deus realmente fala por meio do Senhor! Toda essa história serviu para que a consciência e o entendimento daquela mulher se estabelecesse. Ela, extasiada, conclui que aquele homem é especial: ele é de Deus e por meio dele o Senhor Santo do universo fala aos homens.
Não é apenas um desejo. Creio, muito mais, que seria a obrigação de todo aquele que foi resgatado pelo Senhor ser reconhecido dessa maneira que aponta o texto sobre Elias. Fomos resgatados pelo Senhor com o propósito de fazermos o Seu nome glorificado em toda a terra. Nesse propósito, existimos para torná-Lo conhecido e fazermos a Sua palavra anunciada entre todos os povos. Por isso, devemos viver, buscando com todas energias a presença de Deus, para que possamos ser instrumentos de Seus milagres – que O glorificam –, para que Sua presença em nós leve o Seu temor àqueles que precisam ainda conhecê-Lo e para que possamos ser reconhecidos como servos e servas de Deus, por meio de quem Ele dirige a Sua Palavra à humanidade.
24 dezembro 2006
Aprendamos com os pastores...
O relato do Evangelho de Lucas sobre os pastores que guardavam os seus rebanhos no primeiro Natal, e que presenciaram o cumprimento da promessa de Deus com respeito ao nascimento do Salvador, sempre me desafiam com perguntas inquietantes e exigem de mim ações concretas à altura do real sentido do Natal. (Lucas 2.8-20)
Homens comuns, fazendo coisas comuns e em um dia que aparentemente seria comum. Contudo, um anjo aparece durante a vigília da noite e anuncia a mais importante notícia de todos os tempos: “...hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lucas 2.11).
As ações dos pastores após esta “boa-nova de grande alegria” são um desafio para a nossa vida cristã! Veja:
Verso 15: “Vamos até Belém e vejamos os acontecimentos que o Senhor nos deu a conhecer”. Eles demonstraram um real interesse em aprofundarem-se no conhecimento da vontade de Deus!
Verso 16: “Foram apressadamente...”. Conhecer mais, e de forma concreta, a vontade de Deus é urgente; é importante; é imperdível!
Verso 17 e 18: “... vendo-O, divulgaram o que lhes tinha sido dito a respeito deste menino. Todos os que ouviam se admiraram...”. Eles proclamaram a mensagem com fervor e fé, o que produzia admiração e interesse!
Verso 20: “voltaram, então, os pastores glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham ouvido e visto...”. O interesse transformou-se em experiência concreta que redundou em louvor vivo, alegre e jubiloso!
Princípios que aprendemos com os pastores:
1) O conhecimento da vontade de Deus deve levar-me à experiência concreta com Deus. Sem tal experiência, este conhecimento de nada vale para mim!
2) A experiência concreta faz o meu testemunho ser fervoroso. Aquilo que eu creio não passa despercebido das pessoas à minha volta!
3) O louvor, a adoração e a glorificação a Deus são uma realidade visível e permanente na minha vida de fé.
Eu quero celebrar este Natal assim como estes pastores, e você?
21 dezembro 2006
NATAL É LUZ
“O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sobra da morte resplandeceu-lhes a luz...”
“Andar em trevas” expressa a vida solitária, sem esperança, sem aspirações e sonhos. É o estado de estar perdido existencialmente, socialmente e espacialmente. Não fora apenas o andar em trevas, estes ainda são sombreados pela morte. Quem vive em tais condições precisa mesmo – e urgentemente— de luz! Luz que dissipe as trevas. Luz que tire de sobre eles a sombra da morte.
Quem são estes que andava em trevas e estão sob sombra da morte? Somos nós! Você e eu!
Na nossa ilusão, concluímos que temos esta luz! Negamos que somos solitários! Negamos até a realidade da morte! Fingimos que a sombra da morte não está sobre nós! Julgam-nos imortais. Andamos com nossos pés sobre uma corda bamba em cima de um precipício sem fundo. E levamos a vida sobre a corda bamba... Está tudo escuro! A sombra da morte cobre o nosso caminho... mas fingimos que está tudo bem! Mas até quando iremos fingir?
Quando Isaías fala do nascimento de Jesus, usa a imagem da luz que é vista por aqueles andavam em trevas e que andavam na região da sombra da morte. Antes do nascimento do Salvador Jesus Cristo, verdadeiramente os homens e mulheres viviam na escuridão da falta de esperança, no frio da falta de sentido e na angustiante certeza da morte.
Mas, a grande luz surgiu. A Sua presença aniquila o poder do pecado e da morte...
Tudo quanto conhecemos de valioso, de belo, de esplendoroso, de magnífico, de sábio... Todos os nossos tesouros que nos trazem segurança, nossos conhecimentos que julgamos ter, se comparados com a Luz de Jesus são como uma fraca chama de vela. E é inacreditável que alguns decididamente tentem passar pela vida, enfrentar a escuridão e a sombra da morte, usando uma fraca luz de vela! A frágil labareda dos sofismas e das nossas pseudo-seguranças, não resiste ao menor dos ventos... Por isso há tanta gente solitária, sozinha, sem esperança, vivendo sob a sombra da morte! É que estão tentando iluminar a vida, iluminar o caminho, e se livrarem da sombra da morte, utilizando a mentira de uma pequena labareda de uma luz de vela!
Você e eu precisamos de Jesus! Precisamos da sua luz! Ele disse “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (João 9.12).
Nestes dias há luzes por todos os lugares. Lâmpadas que enfeitam pinheiros, fachadas de lojas, ruas, árvores... Mas estas luzes não iluminam a vida, não trazem sentido à vida e muito menos nos livra da sombra da morte. Estas luzes, passadas as festas do final de ano, serão encaixotadas... permanecem, contudo, os homens e as mulheres, com o coração na escuridão.
Que natal você celebrará nestes dias e nos próximos que virão?
Que tal deixar que a luz de Jesus inunde sua vida, dissipando a escuridão e te trazendo a garantia de que a morte não terá poder sobre você? Celebrar o Natal é celebrar que a Luz de Deus visitou-nos para dissipar a escuridão e para livrar-nos da morte.
Rev. Ézio Lima
Pastor da IPI Central de Brasília