12 abril 2007

Três movimentos

Olá! Dependendo da hora em que está entrando neste blog, quero desejar a você "Bom dia!", "Boa tarde!" ou "Boa noite!", se já não for madrugada, ai retorno o meu "Bom dia!".

Abaixo, posto um texto, ainda sem autorização prévia, uma vez que não consegui falar com o autor, o qual fez-me refletir e desejar ser um cristão diferente, verdadeiramente diferente, que sirva, ame e se doe como o Meu Senhor, do qual sou servo, diga-se de passagem, infiel.

O texto é de ricardo Gondim, e pode ser encotrado em seu site pessoa, cujo endereço coloco no final do texto, após seu nome. Espero que o Espírito do Senhor fale ao seu coração de forma profunda e convincente da necessidade de sermos mais cristãos, discípulos mesmo.

No amor de Deus em Cristo Jesus, Cleber B. Gouveia.


Três movimentos


Hoje visitei o Hospital São Paulo da Universidade Federal. Convidado pelo grupo de capelania liderado por um pastor batista chamado Nino, caminhei pelos corredores da emergência, espiei a unidade semi-intensiva da pediatria e ainda tive tempo para falar para os doentes que conseguiram alcançar o auditório do décimo quinto andar.

Quando saí pelos quarteirões que me separavam do carro, fui invadido por um turbilhão de emoções, idéias, compaixão, revolta e fadiga. Já que também faço da escrita uma catarse, cá estou diante do teclado tentando exorcizar ou purificar-me – sei lá o que desejo fazer – do tumulto causado por uma casa de saúde brasileira; ninguém visita um hospital público no Brasil e consegue se manter o mesmo.

Antes, senhoras e senhores, lembremos que estive no hospital da Universidade Federal de Medicina da maior e mais rica cidade da América do Sul.

Minhas impressões da visita:

1. O movimento "evangélico" brasileiro, com seus pressupostos teológicos, com sua antropologia, com sua cosmovisão, com sua cristologia, com seu pragmatismo, é promotor de neuroses absurdamente disfuncionais, não tem como consolar pessoas carentes e, pior, causa vexames por onde passa. Um cristão que desejar manter sua sanidade existencial ou estabelecer qualquer contato com o mundo, precisa pensar fora dos moldes da atual igreja "evangélica". O pastor Nino me contou da dificuldade de aceitar voluntários "evangélicos" em condições de visitar os enfermos. Repetidamente ele é chamado a atenção pela diretoria do hospital, porque crentes, aos gritos, querem expulsar demônios "escondidos" debaixo dos leitos, ou oprimir com remorsos quem já sofre - fazem afirmações absurdas de que toda doença é fruto de pecados escondidos. Ele me relatou o caso de uma senhora que pediu oração pelo filho doente a uma voluntária. A crente começou falando em línguas estranhas; no meio de sua prece, parou e disse para a mãe aflita: “Não posso continuar!, o pastor Nino não permite que eu fale esse tipo de coisa". A mãe insistiu, desesperada: “Não faça isso comigo, não me deixe assim sem saber o que está acontecendo”. A irmãzinha sem nenhum senso, sem nenhuma graça, sem Deus e sem o seu Espírito, profetizou: “É que eu acabo de ter uma visão do seu filho, morto dentro de um caixão”. O resto da história, nem adianta comentar. Tétrico.

2. Por outro lado, saudei a grandeza de heroínas e de grandes homens da fé. Um punhado de gente reluz todos os sábados naquele hospital. Algumas mulheres, com idade de serem minha mãe, corriam para cima e para baixo para não deixar ninguém sem uma visita antes do almoço. Assisti a uma pequena apresentação de fantoche; enchi meus olhos de lágrimas quando uma paciente entrou no auditório amparada por dois senhores, puxando seu soro. Quero celebrar esses anônimos que trabalham para o Reino e se dão para o próximo sem jamais esperarem qualquer galardão. Eles são o remanescente de Deus, fazem parte da grande nuvem de testemunhas que honram a fé; o mundo não é digno deles.

3. Finalmente, hoje me desiludi de uma vez por todas com o futuro do Brasil. Sou filho de um país fajuto; tenho vergonha de minha pátria. Este hospital público estava lotado de macas que entupiam os corredores. Nelas vi meus patrícios doentes, estropiados em acidentes, vítimas de crimes; minha gente, que padecia com doenças agudas. As macas eram enferrujadas, a maioria não tinha um mísero colchão fino. Meus compatriotas esperavam atendimento deitados no ferro sujo. Nino, então, me pediu ajuda para fazer uma campanha e comprar 60 colchões para a enfermaria. Perguntei-lhe quanto custava cada colchão. Displicentemente, respondeu-me: "Sessenta reais". – menos de trinta dólares, senhores deputados. Comentei que no ano passado nossa igreja contribuiu com cerca de 300 cobertores para aquecer os pacientes das enfermarias daquele mesmo hospital. O capelão reagiu prontamente: - “Sim, agradeça a igreja Betesda pelos cobertores, eles são de grande valia até no verão”. Sem entender o que ele queria dizer, perguntei: - Como? Cobertor no verão? De grande valia? O capelão me levou até um leito, puxou a ponta do lençol e constatei que muitos cobertores são dobrados para servirem de colchão. Fiquei indignado. Contive o ímpeto de falar uma palavra de baixo calão. Sem querer, Nino fez transbordar minha revolta: “No ano passado as verbas do hospital foram cortadas pelo governo do PT para subsidiar o programa do Bolsa Família, considerado o único programa que podia garantir a reeleição do Lula". Aí, não teve jeito, o nome feio saiu forte e sem culpa.

Não acredito mais que o modelo dessa igreja "evangélica" que se espalhou em minha terra e se tornou hegemônico consiga cumprir, minimamente, a agenda do Reino de Deus.
Estou totalmente desencantado com o Brasil; com sua democracia; com seus partidos políticos; com seu judiciário; com seu poder legislativo; com suas polícias militar, civil e federal. O Brasil não tem mais jeito e, daqui para frente, despencará velozmente no abismo da violência, da miséria e do sofrimento.

O que vou fazer da minha vida? Continuarei visitando hospitais; incentivarei os “pastores Ninos” da vida; ensinarei os meus discípulos a viverem com integridade em seus círculos de influência e amizade; pregarei o que minha consciência me ensina sobre o Evangelho; tentarei viver com alegria ao redor de quem amo; e procurarei amenizar o sofrimento dos poucos que eu conseguir.

Isso foi o que restou de mim hoje.
Soli Deo Gloria.
Ricardo Gondim
Pastor da Igreja Assembleia de Deus Betesda
Texto retirado do site: www.ricardogondim.com.br

10 abril 2007

Onde está a sua Esperança?

A Ressurreição de Cristo é um anúncio estrondoso de que há esperança para o nosso futuro. Somos todos os dias aterrorizados pelo medo. Medo de que o aquecimento global da terra consuma com a vida. Medo de que falte água potável daqui a alguns anos. Medo dos países que continuam investindo cifras inimagináveis em armamento nuclear. Medo da guerra do tráfico. Medo de que sejamos assaltados na próxima esquina. Medo de doenças que ainda não existem, mas não se iluda, serão descobertas. Medo do futuro...

Diante de todos os medos e angústias existenciais, devemos nos questionar: Onde está nossa Esperança?

Os dois discípulos a caminho de Emaús tinham certas esperanças: "Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam" (Lc. 24:21). Tinham certas esperanças, mas não tinham a Esperança certa. Tinham esperanças meramente terrenas. Ansiavam por uma redenção política. Nada muito diferente da pergunta daqueles que estavam reunidos quando da ascensão de Cristo: "Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?" (Atos 1:6).

A Ressurreição de Cristo redireciona nossa Esperança. E embora não devamos nos alienar do tempo presente, não podemos colocar nele nossa esperança. Embora não devamos nos acomodar frente às catástrofes e tragédias pré-anunciadas, antes sermos agentes de mudança, não podemos também nos iludir com melhoras sistemáticas no futuro de uma humanidade depravada, decaída e em franco processo de apodrecimento.

Portanto, nossa esperança não é posta naquilo que é perecível, efêmero e transitório. Nossa esperança é eterna e incorruptível. A morte e ressurreição de Cristo é a representação de nossa nova vida. Fomos sepultados no batismo e ressurgimos pela fé no poder de Deus que ressuscitou a Cristo (Cl. 2:12). "Portanto, se fostes ressucitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra..." (Cl. 3:1-2) Onde está a sua Esperança?"Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens." (1 Co. 15:19)

Jean Douglas Gonçalves, pastor da 1a. IPI do Distrito Federal
ipidf.org.br

20 março 2007

Andamos por fé e não por vista

Autor Desconhecido
Uma vez, um pastor estava percorrendo sua igreja ao meio-dia... ao passar pelo altar decidiu ficar perto para ver quem tinha vindo orar. Nesse momento se abriu a porta. O pastor franziu o rosto ao ver um homem chegando perto pelo corredor: o homem estava sem fazer a barba há vários dias, vestia uma camisa rasgada e tinha seu agasalho tão gasto que as beiradas já tinham começado a desfiar.
O homem se ajoelhou, inclinou a cabeça, e logo se levantou e saiu.Durante os dias seguintes, o mesmo homem, sempre ao meio-dia, estava na igreja carregando uma maleta... Se ajoelhava brevemente e logo saia de novo.
O pastor, um pouco receoso, começou a suspeitar que se tratasse de um ladrão, razão pela qual um dia se postou na porta da igreja e, quando o homem estava prestes a sair, perguntou-lhe:
- O quê você faz aqui?
O homem disse que trabalhava em uma fábrica a caminho da Igreja e tinha meia hora livre para almoçar e aproveitava esse momento para orar.
- Eu só fico por uns momentos, você sabe, porque a fábrica fica um pouco longe. Por isso eu apenas me ajoelho e digo: "Senhor, só vim novamente para te contar quão feliz me faz quando vem ao meu encontro. Não sei orar muito bem, mas penso em ti todos os dias... Por isso, Senhor, aqui é o João se reportando"
O pastor, sentindo-se um tonto, disse a João que estava tudo bem e que ele seria bem-vindo na igreja quando quisesse.
O pastor se ajoelhou diante do altar, sentiu seu coração ser derretido pelo grande calor do amor e, enquanto suas lágrimas corriam pelas bochechas, em seu coração repetia a oração de João:
- "Senhor, só vim para te contar, quão feliz me faz quando vem ao meu encontro através de meus semelhantes. Não sei orar muito bem, mas penso em ti todos os dias... Por isso, Senhor, aqui sou eu se reportando"
Um certo dia, o pastor reparou que o velho João não tinha vindo. Os dias continuaram a passar sem que João voltasse para orar.Continuava ausente, por isso o pastor começou a ficar preocupado, até que um dia foi à fábrica perguntar por ele; ali lhe informaram que João estava doente, e que mesmo os médicos estando muito preocupados com sua saúde, ainda acreditavam que tinha a possibilidade de sobreviver.
O tempo que João esteve no hospital trouxe muitas mudanças. Ele sorria todo o tempo e sua alegria era contagiosa. A enfermeira chefe não conseguia entender por quê João estava tão feliz, já que nunca havia recebido nem flores, nem cartões, nem visitas.
O pastor se aproximou do leito de João com a enfermeira, e esta lhe disse, enquanto João escutava:
- Nenhum amigo havia vindo visitá-lo, ele não tem a quem recorrer.
Surpreso, o velho João disse com um sorriso:
- A enfermeira está errada... mas ela não pode saber que todos os dias, desde que cheguei aqui, ao meio-dia, um querido amigo meu vem, se senta aqui na cama, me segura as mãos, se inclina sobre mim e diz:
- "João, só vim para te contar, quão feliz me fez desde que encontrei sua amizade e por você ter vindo todos os dias ao meu encontro. Sempre gostei de ouvir tuas orações, Penso em ti a cada dia... Por isso, João, aqui é o Senhor se reportando."

Texto retirado do site http://www.vivavidacomjesus.com/

18 março 2007

Senhor, ensina-nos a orar...

II Congresso de Oração

Senhor, ensina-nos a orar...

“Certo dia Jesus estava orando em determinado lugar. Tendo terminado, um dos seus discípulos lhe disse: ‘Senhor, ensina-nos a orar....” (Lucas 11.1)
Quanto mais oramos mais percebemos que não podemos dominar técnicas, pois não se aprende a orar com métodos ou modelos. Quanto mais oramos percebemos que o princípio que envolve a oração não é o dominar, mas o ser dominado. Não é estar no controle, mas ser controlado.
Por isso é preciso desconfiar de toda pessoa que se apresente como portadora de conceitos e métodos de oração. A Bíblia não apresenta métodos ou passos de como orar bem para conseguir os melhores resultados! A oração cristã, aliás, não tem relação alguma com as modernas técnicas da PNL (Programação Neurolinguistica) ou da confissão positiva. O livro dos Salmos, um livro de orações, apresenta-nos a oração como expressão viva de um relacionamento entre aquele que crê (inclusive com as suas crises de fé) e Deus, a fonte de todo bem, a causa e o alvo da oração.
A pobreza da oração em nosso tempo é que a reduzimos aos pedidos e às reivindicações, bem como a um mero ritual de palavras sem sentido e desconexas, resultado de um relacionamento raso ou inexistente com Deus. No primeiro caso, Deus é tão somente um provedor de benesses; no segundo caso, Deus é um mero conceito, ou no máximo um poder que se crê existir, mas com o qual não se mantêm nenhuma relação pessoal.
Haja vista que a oração é relacionamento, oramos bem quando nossa relação com Deus permeia toda nossa vida, e não apenas alguns compartimentos isolados de nossa existência. Tal e qual a amizade, a oração não se constrói com alguns segundos e nem se torna forte com encontros esporádicos e sem interesse pelo outro. Tal e qual a amizade, a oração, com todos os seus efeitos e privilégios, não se prova assim de relance, de passagem. Assim como a amizade, a oração é antes uma condição de vida – de vida constante e persistente– e os seus resultados se vão manifestando com o tempo. A grande dádiva que esperamos na oração é que Deus se dê a Si mesmo, em comunhão conosco. E o mais que Ele der será incidental e secundário.
Por isso, um Congresso de Oração pode ajudar-nos a compreender mais sobre a oração, mas não nos fará melhores oradores. Para aprendermos a orar precisamos sempre e sempre ser como os discípulos aos pés de Jesus, que na proximidade com o Mestre suplicam-Lhe: “Senhor, ensina-nos a orar...”.
No amor dAquele que nos amou primeiro,

Ézio Martins de Lima, pr

16 março 2007

Jesus, Emanuel, o Deus conosco!

Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será chamado EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco.”
Mateus 1 – 23.



Nossos dias têm sido dias difíceis. Não posso afirmar se são dias piores que outros de épocas passadas. Não. Mas, penso que têm sido semelhantes aos do tempo de Noé. Dias onde a maldade se múltipla no coração do ser humano (Gênesis 6 a 9). Como Deus prometera não destruir mais a terra com água, quando chove não penso construir uma nova arca, e nem temo um dilúvio como descrito na Bíblia. Entendo, porém, que os dias se findam, e o tempo da volta do Senhor está perto.

Mas, refletindo sobre o tempo presente, contemplamos duas coisas: 1. o ser humano cada vez mais se mostra indiferente para com Deus. Faz as coisas como exposto por Jesus no seu Evangelho: casa-se, dá-se em casamento, mata, rouba, perpetua a injustiça; ou seja, faz coisas comuns ao homem decaído. 2. a sua indiferença para com Deus o está levando cada vez mais à reflexão de que o Senhor não se importa com o que acontece na terra. Dias atrás o Rev. Ezio falou-me de suas conclusões a respeito do Salmo 73, e a mim expôs que o salmista descreve algo parecido: “os ímpios prosperam e aparentemente não ligam para Deus”. Acham que este não conhece o que fazem, e nem tem interesse em julgá-los. Nossa justiça brinca de desejar fazer justiça, contudo, entendo que como no salmo 73 só não seremos frustrados, se esperarmos a Justiça das mãos do Senhor, ainda que use homens e/ou mulheres para isto; tomara sejam estes Sua igreja.

Diante de tudo acima apresentando, e voltando ao texto de Mateus 1, passamos a falar do termo “Emanuel”, o qual quer dizer “Deus conosco”, e denota alguns significados importantes: 1. Deus conosco compreende a idéia de “Deus perto”. Ou seja, por mais que o coração do ser humano esteja sem Deus, e por isto a maldade nele se multiplica, não significa que o mundo, a criação, esteja sem a presença de Deus. Os agentes mais influentes e transformadores desta realidade podem até ignorar, ou tentar não sentir, mas Ele não está longe do que criou, pelo contrario, está perto (Filipenses 4.5). 2. Deus está entre nós. Deus conosco significa isto. A encarnação significou isto. Deus não está somente perto, Ele está entre. Em Jesus Deus esteve entre as pessoas, se misturou na multidão, foi por ela tocada. Não havia seguranças ou mesmo um lugar diferenciado para Ele estar. Sua casa, quando nela esteve, ficou cheia de pessoas, e, no meio destas, as ensinava e as curava (Marcos 2). 3. Deus está com a gente. Deus conosco significa claramente isto. Não há outro significado que não seja “estar ao lado”, “estar junto”. Há muitos que ficam entre, mas não “com”. Há muitos, como a grande maioria dos políticos de nosso país, que estão entre. Há até mesmo alguns pastores os quais estão entre o rebanho, no meio, mas não “com” ele. Disto surge indiferença, pois, apesar de estar entre, não se sente igual. Somente o igual “está com”. Surge o comercio, o apascentar em favor próprio, pois não se “sente com” o rebanho em nenhuma das denotações possíveis desta expressão.

É incrível como Jesus não se fez diferente da humanidade decaída com a qual esteve, ainda que sua humanidade o fosse, pois era semelhante e não igual, principalmente quanto ao aspecto da natureza pecaminosa, pois, como nos diz o texto de Mateus “... pois o que nela se gerou é do Espírito Santo (Mateus 1.20; Filipenses 2.7; Hebreus 2.14-17; ). Ele, a expressão máxima do Pai (João 12.45; 14.9), se identificou como igual, aliás, foi mais longe e, na cruz, demonstrou identificação ao se fazer pior do que todos de seu tempo, e nela morreu. Deus conosco significa, desta forma, “estar com”, “sentir com”, “ser igual com”, “tomar o lugar com”, e até mesmo “tomar o lugar de”, não sendo indiferente, mas fazendo-se próximo.

É interessante notarmos isto, pois Ele poderia ter-nos ignorado. Poderia ter acabado com tudo se simplesmente tivesse dito: “basta”. Poderia não ter-se envolvido. Contudo, seu amor o aproximou de nós, e nos aproximou dEle (Romanos 5; II Coríntios 5.18; Efésios 2.13; Colossenses 1.22). Fez-nos provar de uma vida com os benefícios de sua proximidade, denominada por Ele mesmo como sendo “a vida abundante” (João 10.10). Fez-nos entender que Seu desejo é o de reconciliação, de comunhão, de partilha, de vivência. Trouxe-nos a compreensão da Sua Boa, Perfeita e Agradável vontade pela qual deseja mudar nossa condição de maldição e morte pelo pecado, dando-nos por Sua morte a vida fundamentada na liberdade do Seu amor!

Louvado seja o Senhor Jesus, o Deus conosco! Louvado sejas o Deus Trino nEle revelado! Louvado seja este maravilhoso Deus que por, e em Seu infinito amor, nos leva a uma vida onde a ausência de Deus jamais será sentida, mas Sua presença gozada com alegria e delícias perpétuas (Salmo 16.11)

Cleber B. Gouveia.
Pastor Auxiliar da 1ª IPI do DF.

09 março 2007

"cristianismo água-com-açúcar"

Pois bem, então o ateísmo é simplista. E vou lhes fa­lar de outro ponto de vista igualmente simplista que chamo de "cristianismo água-com-açúcar". De acordo com ele, existe um bom Deus no Céu e tudo o mais vai muito bem, obrigado - o que deixa completamente de lado as doutrinas difíceis e terríveis a respeito do pecado, do inferno, do diabo e da redenção. Os dois pontos de vista são filosofias pueris.
Não convém exigir uma religião simples. Afinal de contas, as coisas no mundo real são complexas. Parecem simples, mas não são. A mesa à qual estou sentado pa­rece simples, mas peça a um cientista que diga do que ela é realmente feita: você ouvirá uma longa história a respeito dos átomos e de como as ondas luminosas refle­tem-se neles e chegam ao nervo óptico, provocando um efeito no cérebro. Assim, o que chamamos de "enxergar a mesa" nos leva a mistérios e complicações aparentemen­te inesgotáveis. Uma criança que faz uma oração infantil é algo singelo. Se você estiver disposto a parar por aí, ótimo. Mas, se você não se contentar com isso (coisa que acontece bastante no mundo moderno) e quiser levar avante o questionamento sobre o que realmente acon­tece, tem de estar preparado para enfrentar dificuldades. Se exigimos algo que vá além da simplicidade, é tolice nos queixarmos de que esse algo a mais não é simples. Com muita freqüência, entretanto, esse procedi­mento tolo é adotado por pessoas que não têm nada de tolas, mas que, consciente ou inconscientemente, que­rem destruir o cristianismo. Essas pessoas apresentam uma versão da religião cristã própria para crianças de seis anos e fazem dela o objeto de seu ataque. Quando tentamos explicar a doutrina cristã tal como é entendida por um adulto instruído, elas se queixam de que estamos dando um nó na cabeça delas, de que tudo o que dize­mos é complicado demais e de que, se Deus realmente existisse, teria feiro a "religião" simples, pois a simplici­dade é bela etc. Esteja sempre em guarda contra este tipo de gente, sujeitos que trocam de argumento a cada minuto e só nos fazem perder tempo. Note o absurdo da idéia de um Deus que "faz uma religião simples": co­mo se a "religião" fosse algo inventado por Deus, e não a sua afirmação de certos fatos inalteráveis a respeito de sua própria natureza.
A experiência me diz que a realidade, além de com­plicada, é quase sempre estranha. Não é precisa, nem óbvia, nem previsível. Por exemplo, quando você des­cobre que a Terra e os outros planetas giram em torno do Sol, pensa naturalmente que todos os planetas de­vem se comportar da mesma maneira, que são separa­dos por distâncias iguais ou distâncias que aumentam proporcionalmente, ou que devem aumentar ou dimi­nuir de tamanho à medida que se afastam do Sol. No en­tanto, não encontramos nem métrica nem método (que possamos compreender) nos tamanhos ou nas distâncias. Além disso, alguns planetas possuem uma lua; outros, quatro; alguns, nenhuma; e um planeta tem um anel.
A realidade, com efeito, é algo que ninguém poderia adivinhar. Este é um dos motivos pelo qual acredito no cristianismo. E uma religião que ninguém poderia adi­vinhar. Se ela nos oferecesse o tipo de universo que es­peraríamos encontrar, eu acharia que ela havia sido in­ventada pelo homem. Porém, a religião cristã não é nada daquilo que esperávamos; apresenta todas as mudanças inesperadas que as coisas reais possuem. Deixemos de lado, portanto, todas as filosofias pueris e suas respostas simplistas. O problema não é nada simples, e a respos­ta tampouco.


C. S. Lewis
(Cristianismo Puro e Simples, p. 19-20)

06 março 2007

Sentir com os que sentem... tornar-se igual...

"...E o segundo é este: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que esses."
Marcos 12. 31
(leia também Lucas 10. 25-37)
Durante esta noite tive um sonho muito louco. Sonhei que era um mendigo, e que passava muito frio. Senti-me ainda só, desprezado, angustiado, sem ninguém que se interessasse em ajudar-me. O engraçado foi quando acordei. Descobri o motivo do sonho: estava realmente com frio pois a coberta que usava havia "misteriosamente" saído de cima de mim...

Após acordar, veio à minha mente o quanto uma situação ruim em grande parte nos incomoda somente quando acontece conosco, ou com alguém a quem amamos.

Em meu sonho o frio sentido foi real, não apenas visualizado no outro. A sensação de incapacidade para transformar minha realidade, de incapacidade para acabar com o meu sofrimento não fora apenas uma crise de consciência, como a sentida quando se olha para um mendigo mas, ao virar a esquina, logo se esquece. A dor da rejeição estava alojada em meu coração, e o sentimento de incompreendido preso ao grito que não ecoava.

Confesso: por mais que fosse só um sonho, n
ão fora uma situação fácil.


Não estou aqui querendo espiritualizar a situação. Sei que meu sonho decorreu do frio que senti pela falta da coberta. Contudo, não pude fugir da imagem dos mendigos que dormem ao relento na porta da Igreja onde pastoreio, ou na porta do colégio onde trabalho. Não pude fugir da cobrança em meu coração da ajuda prometida a um deles, o qual não vejo a dias. Não pude deixar de sentir com eles, de me colocar naquele momento no lugar de cada um deles; dos que conheço pelo menos.

Naquele instante de sobriedade social veio à minha mente: amar ao próximo com a nós mesmo deve me levar a sentir como eles se sentem, da mesma forma como acontecera no sonho. O amor com o qual a mim mesmo amo, e pelo qual entendi ser digno de uma chance melhor, deve ser o mesmo com o qual preciso amar o meu próximo, e vê-lo como digno de situação melhor, e esta decisão levar-me a sentir como ele, colocar-me em seu lugar, e de alguma forma, ajudá-lo a sair de onde está: lugar de sofrimento e desprezo.

É isto o que ocorre na parábola do Samaritano (Lucas 10. 25-37). Ele reconheceu a situação e sentiu a dor da vítima dos bandidos. Se colocou no lugar da pessoa e, porque amou, foi solidário, sem medir esforços ou perdas próprias. Não raciocinou o retorno, a não ser da dignidade e bem estar bem quem ajudava. Esta parábola fala de Deus, da pessoa de Jesus, e deseja levar-nos à compreensão do amor de Deus, revelado em atitudes (benignidade), ensinando claramente ser assim que Deus age em favor de nós: com o amor que aproxima, e se coloca (literalmente) no lugar do que sofre (Romanos 8; 1 Pd 2.24 entre outros textos).

Hoje vi mais uma reportagem sobre a adolescente que morrera ao ser alvejada por uma bala perdida, mais uma. Penso precisarmos sentir a dor da mãe, chorar um choro verdadeiro, e agir com ela e outros em favor da vida. Pois, quem ama sente; quem ama se torna próximo; quem ama toma o lugar do outro; quem ama não é indiferente, mas se faz igual.


Que o Senhor nos ajude. Que o Seu Espírito continue a derramar do Seu amor em nossos corações (Romanos 5.5). Que o Senhor Jesus continue a nos fazer a sentir a realidade do sofrimento, e a sonhar como Deus sonha, agindo com e em favor do próximo, para que a presença do Senhor seja revelada de forma transformadora e consoladora.
Sei que não sou o primeiro nesta fila, e também não serei o último, mas quero não ser mais indiferente, não mais faltar com amor para com o meu semelhante.
Assim sendo, despeço-me no amor daquEle que não se omitiu diante do sofrimento de cada um de nós, mas, amando-nos, sentiu nosso sofrer, e se dispôs a tomar nosso lugar na Cruz.
Cleber B. Gouveia,
Pastor Auxiliar da 1a IPI do Distrito Federal.
Taguatinga, DF.

22 fevereiro 2007

A RELIGIÃO DA BANHEIRA QUENTE

Qual o símbolo que você acharia apropriado para representar a cultura ocidental moderna? Um hambúrguer? Um aparelho de som? Um carro? Um avião? Uma TV? Um computador? Minha escolha é a banheira quente. Por quê? (...)
Outro dia, eu fui um de toda uma turma que passou a maior parte de uma chuvosa tarde de sábado numa banheira quente. Meus estudantes tutelados, que formavam a turma, tinham me aconselhado a experimentá-la (....)
Enquanto me sentava lá, fazendo piadinhas e ajustando-me à emoção de ser envolvido por bolhas de todos os ângulos, ocorreu-me que a banheira quente é o símbolo perfeito do caminho moderno da religião. A experiência da banheira quente é deliciosa, relaxante, preguiçosa, despreocupante. De nenhum modo é exigente, seja intelectualmente ou não, e é muito, muito agradável, até o ponto de ser divertida (especialmente com um grupo de tutelados como o meu). Muitos hoje querem que o Cristianismo seja assim, e trabalham para isso. O último passo, é claro, seria tirar os assentos dos auditórios das igrejas e instalar banheiras quentes em seu lugar; então nunca haveria problemas de freqüência. Enquanto isso, muitas igrejas, muitos evangelistas e muitos religiosos eletrônicos já estão oferecendo ocasiões que são planejadas para nos levar a sentir que só perdem para uma banheira quente – isto é, são reuniões felizes e descuidadas, momentos verdadeiramente divertidos para todos (...)
Enquanto eu continuava na banheira quente, espreguiçando-me desinibidamente, vi por que a religião popular desse grupo cromado do qual eu estou falando ganhou tanto controle. A vida moderna nos pressiona. Somos estimulados até ficarmos aturdidos. Os relacionamentos são frágeis; os casamentos se rompem, famílias se separam; os negócios são uma corrida exaustiva sem fim, e aqueles que não estão no topo sentem-se como peças da máquina de outra pessoa. A automação e a tecnologia da computação tornaram a vida mais rápida e mais tensa, já que não temos mais que fazer os trabalhos rotineiros que consumiam muito tempo, e nos quais nossos avós costumavam relaxar suas mentes. Temos que correr muito mais rapidamente do que qualquer geração anterior, simplesmente para ficar onde estamos. Não é surpresa, então, que quando o homem ocidental moderno se volta para a religião (se ele se volta – muitos não o fazem), o que ele quer é um total relaxamento estimulante, ser a uma só vez confortado, sustentado e revigorado sem esforço: em poucas palavras, uma religião de banheira quente. Ele pede isso, e as pessoas se apressam em supri-la. O que a religião da banheira quente ilustra mais claramente é a lei da procura e oferta.
O que, então, devemos dizer sobre a religião da banheira quente? Certamente um ritmo de vida que inclua descanso é correto; o quarto mandamento mostra isso. Alternar trabalho árduo com tempos de divertimento também é certo (...). Desfrutar de nossos corpos enquanto podemos, em oposição a desprezá-los, já é parte da disciplina da gratidão para com nosso Criador. E exuberâncias desinibidas como bater palmas, dançar, gritar louvores e clamar na oração podem ser aprovadas também, desde que, através disso, não façamos os outros tropeçar. Sem estes fatores da banheira quente, como podemos chamá-los, nosso cristianismo seria menos piedoso e menos vivo, pois seria menos humano. Mas, se não houvesse mais em nosso cristianismo do que os fatores da banheira quente – isto é, se abraçássemos um hedonismo de relaxamento e sentimentos felizes, evitando tarefas difíceis, posições impopulares e relacionamentos exaustivos – perderíamos a centralização bíblica em Deus e a vida de carregar a cruz para a qual Jesus nos chama, e anunciaríamos ao mundo nada mais do que nossa própria decadência. Com a ajuda de Deus, contudo, não vamos concordar com esse pouco.

Rev. Dr. James Innell Packer
(Extraído do livro Religião Vida Mansa, Cultura Cristã, 1999, p.50-53)
J. I. Packer, nascido Gloucester, Inglaterra, em 22 de julho de 1926, é considerado um dos maiores teólogos Reformados (Calvinista) da atualidade.

16 fevereiro 2007

Minha Pública Profissão de fé (Parte 2)

Olá... Graça e Paz da parte daquele que era, que é, e que sempre será nosso Senhor e Salvador, Jesus, o Cristo de Deus.
Hoje quero abrir meu coração mais uma vez. Por isto o título de meu post. O que escrevo hoje trata-se de uma confissão de fé pessoal. Por isto, não os obrigo a concordar. Exponho nas palavras abaixo meu coração, sem medo, porém todos meus medos; sem receios, porém pensativo; e com grande alegria, pela liberdade que em Cristo há.
Apresento perguntas, afirmo pouquissimas coisas, mas, permito-me viver este momento, e o compartilho com você. Talvez esteja passando por algo parecido; talvez já o tenha vivido, e superado. Talvez não entenda nada, e até mesmo despreze como me sinto agora. Mas, mesmo assim, entendo que podemos nos ajudar mutuamente em amor. Deus nos abenções.
Publica profissão de fé (parte 2)
Qual o nosso objetivo na vida cristã? Qual a nossa consciência quando dizemos seguir a Cristo?

Sabe, nestes dias tenho pensado muito a respeito destas e outras perguntas como: "Por quê me privo de tantas coisas na vida (não vejo o pecado em muitas delas) por amor ao irmão que se escandalizaria se me visse gozá-las?
Por quê insisto em continuar no Caminho mesmo quando sou afligido, injuriado, acusado, perseguido e angustiado pelos que nele caminham comigo? E foram muitas vezes.
Por quê leio tantos livros que falam a respeito da vida cristã e seus segredos, promessas ou princípios, mesmo quando tenho certeza de que ao fim da leitura a realidade por eles apontada continuará tão distante quanto no inicio?
Por quê enveredo-me pelo caminho de idéias onde somente os "iniciados" conseguem compreendê-las e ensiná-las com maestria?
Por quê persisto em tentar compreender as coisas reveladas, como também conhecer as não registradas na Bíblia, mas manifestas no dia a dia da vida cristã?
Por quê desejo tanto não ser cauda, mas cabeça, se o Cabeça é somente um, Jesus Cristo, e eu possívelmente seja a tão desprezada calda?
Por quê continuar com tantas ambições ministériais (na maioria das vezes esta se mostram como um desejo por reconhecimento e glória pessoal), se estas causam em mim tanta tristeza, tanta angústica, e tanta culpa quando minhas debilidades revelam-me incapacidade de realizá-las? Por quê? Por quê?
Há ainda tantos outros "por quês", como o "por quê" insisto na oração quando minh'alma não consegue sentir nenhum indício da presença de Jesus Cristo; ou mesmo o "por quê" insisto em afadigar-me no estudo da Palavra diante da minha incapacidade de viver em total sintonia com aquilo que ela ensina. Muitas vezes, a busca pelos meios levam-me à conclusão de que o fim poderá não ser o que desejei no princípio, mas que, neste fim, continuarei, em 90% dos casos, a ter muitos dos desejos e erros do início.
Estas são apenas algumas das muitas perguntas presentes hoje em meu coração. Sinto-me inquieto, observante, mas sem respostas para nenhuma delas. Pelo menos, nenhuma resposta pronta, e, reconheço, não as desejo.
Então, você pode perguntar: "o que queres?". "Onde queres chegar?". Esta é também uma pergunta para a qual não tenho resposta, a não ser que desejo ser conduzido pelo Senhor nesta minha busca.
Desta forma, plagiando a afirmação do mais famoso de todos os filósofos clássicos da antiga Grécia, Sócrates, pego-me com mais uma pergunta (e a vejo como palavras nos lábios dos que, com razão, estejam achando minhas palavras sem lógica - hei de confessar não saber muito bem onde o que escrevo possa levar-me): "só sei que nada sei"?
Respondo, porém, a mim e a todos: Penso que não!
Apesar de ainda não saber onde todas minhas perguntas hão de levar-me, reconheço não ter perdido o "norte" de minha bússola da fé: Jesus Cristo.
Apesar de tantos questionamentos a respeito de mim mesmo, e de meus passos, e de rejeitar atualmente as respostas prontas "ainda não é o tempo de Deus", "descanse no Senhor" e outros "chavões" evangélicos (os quais comparo às respostas que se vê nos tópicos de ajuda de qualquer programa operacional Windows, que em sua maioria não ajudam em nada, pelo contrário, confundem), quero afirmar hoje que continuo minha peregrinação pelo Caminho proposto pelo Pai: Jesus, o Cristo. (João 14. 6 e Hebreus 10. 19-20).
Gostaria de deixar bem claro: quaisquer que sejam as respostas, ou qualquer que seja "a" resposta (sim, pois a quem as peço poderá não me dar muitas, mas possívelmente uma), hei de ser mantido com os olhos fixos no autor e consumador da minha vida e fé: Jesus Cristo; o que não tenho certeza, porém, é de como serão meus passos daqui para frente.
Só não me vejo disposto a continuar parado, como penso estar nos dias de hoje, ante a uma predominante ideologia "evangélica" brasileira (às vezes tão doentia, maléfica e até mesmo diabólica) que não me deixa caminhar. Não irei entrar em detalhes sobre esta ideologia. Não preciso conceituá-la. Quem vive sob o impacto da mesma sabe do que falo.
Por isto, permito-me o privilégio da dúvida quanto ao meu futuro na estrutura eclesiástica dos meus dias.
Por isto, permito-me o privilégio de ser inquietado pelo questionamento intenso de minha consciência ao meu coração. Se este produzir pelo menos 1% do que produziu no coração dos reformadores, e creio estar produzido nos corações de muitos homens e muitas mulheres cristãs do meu tempo em todo o mundo (não estou sozinho), sentir-me-ei parte do processo de cura e libertação ao qual, creio, o Senhor deseja levar sua igreja.
Desejo, portanto, estar nos braços do Pai, e por ele ser cuidado, não mais como criança de colo, mas como filho, que segundo promessa sou.
Semelhante ao salmista olho para o alto e pergunto a mim mesmo: "de onde me vem o socorro?"(sim, o socorro já vem, e não demora). Semelhante ao salmista, ouço uma voz gritar bem alto: "o meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra"; "O nosso socorro está no nome do Senhor, que fez os céus e a terra", Salmos 121. 1-2 e 124.8.
Assim sendo, neste momento estou indo em direção à mesa do Senhor. Mesa de íntima comunhão onde por Ele serei servido. Sei que neste lugar iremos conversar. Sei que neste lugar poderei apresentar meu coração e suas inquietações. Sei que neste lugar, ainda que Ele se mantenha em silêncio, e o dê como reposta, este mesmo silêncio acalentará e direcionará meus passos.
No amor daquele cujas Palavras são poder e vida eterna,
Cleber Batista Gouveia
Pastor Auxiliar da 1a. IPI do Distrito Federal

15 fevereiro 2007

Oração e comunhão

Oração e comunhão

Fazemos apressadas e impacientes tentativas de orar, e, não vendo bons frutos, dizemos que a prática é inútil, e abandonamo-la.
A oração é como a amizade. A amizade não se prova assim de relance, de passagem. Não se constrói com alguns segundos e nem se torna forte com encontros esporádicos e sem interesse pelo outro. A amizade é antes uma condição de vida –de vida constante e persistente– e os seus resultados se vão manifestando com o tempo. Assim é a oração: o seu resultado vai-se manifestando com a continuação da nossa íntima comunhão com Deus.
Eis a palavra chave na vida de oração: Comunhão! A grande dádiva que esperamos na oração é que Deus se dê a Si mesmo, em comunhão conosco. E o mais que Ele der será incidental e secundário.
Separei pequenas pérolas sobre a oração, recolhidas nos últimos 9 anos, a fim de que possamos meditar e, quiçá, sermos motivados a procurar a Deus em oração.

A.C. Benson
“Oração não é uma repetição mecânica das formas verbais, porém uma forte e íntima afinidade do nosso coração com o Pai”

Sir Thomas Browne, famoso médico inglês:
“Já me resolvi a orar mais e orar sempre, a orar em todos os lugares onde o silêncio convida, em casa, no caminho, na rua e a não saber de nenhuma rua ou avenida nesta cidade que não possa testificar que não me esqueci de Deus?”

Irmão Lourenço:
“Oração é uma firme consciência da presença de Deus, e constante comunhão com Ele”
“Oração é a aspiração da nossa pobre alma sobrecarregada por seu eterno Pai, com ou sem palavras, sentimento este espontâneo”. .

Agostinho de Hipona:
“Dá-me a tua própria pessoa, sem a qual, mesmo que me desses tudo o que fizestes, ainda não podia ser satisfeito o meu desejo”/

Thomas à Kempis:
“É pouco e não satisfaz tudo o que pudesses doar, afora Tu mesmo”.

“Esta idéia da oração enquanto comunhão não é nem moderna nem antiga; é propriedade comum de todos os santos cristãos que penetraram o âmago da oração. As perplexidades se encontram nas franjas da oração; a oração na sua essência é tão simples e tão profunda como a amizade”.

Perceber a oração como comunhão com Deus nos faz perceber que às vezes temos orado muito mais que pensamos, mas também que devemos orar bem mais do que já oramos! O Apóstolo Paulo ao escrever aos tessalonicenses (I Ts. 5.17): “Orai sem cessar”, não falava de petição, mas de comunhão contínua.
Perceber oração como comunhão é perceber que o coração do Pai está aberto e você é bem vindo ali. Deus convida você a entrar no Seu coração. O coração do Senhor é a casa onde nos encontramos seguros, protegidos... Você é bem vindo ali. Então, ore!

“A oração genuína e total nada mais é do que amor” (Agostinho de Hipona)

Rev. Ézio Martins de Lima
Agende a sua presença no II Congresso de Oração da IPI Central de Brasília:


II CONGRESSO DE ORAÇÃO
“Muito pode, por sua eficácia, a oração do justo”.(Tiago 5:16)



Dia 16 de março, sexta-feira, às 20h
Tema: “Por que devemos orar?”
Preletor: Rev. Adail Carvalho Sandoval, pastor titular da Igreja Presbiteriana de Brasília

Dia 17 de março, sábado, às 20h
Tema: “Orar faz bem para a saúde”
Preletor: Rev. Jean Douglas, pastor titular da 1ª Igreja Presbiteriana Independente do Distrito Federal

Dia 18 de março, domingo, às 10h00 min
Tema: “Por que orar, se Deus sabe todas as coisas?
Preletor: Rev. Valter Moura, Diretor do Seminário Presbiteriano de Brasília

Dia 18 de março, domingo, às 19h
Tema: “A oração, a evangelização e a conversão”
Preletor: Rev. Valter Moura, Diretor do Seminário Presbiteriano de Brasília

14 fevereiro 2007

IRA - Por Ricardo Gondim

Olá a todos...
Graça e Paz da parte de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo....
São 2 da manhã do dia 14 de fevereiro de 2007...
Neste momento, estou postando um texto de Ricardo Gondim que recebi por email...
Publico sem a devida autorização, confesso. Não consegui entrar em contato com o autor do Texto. Mas, mesmo assim, o publico, pois acredito que vale a pena correr o risco do processo. Acredito que, se pelo menos uma pessoa a mais o ler, e mudar sua forma de ser como cristão diante de tanta maldade, valerá a pena.
Por fim, o faço porque as palavras de Gondim são o que desejo falar, com um detalhe importante: capacidade de raciocíonio e análise da realidade expostas com muita clareza e maestria.
Deus o continue usando Ricardo, e queira Deus que, nós, os evangélicos, sejamos novamente alcançados pela Graça de Deus, e, assim, exortados por profetas como tens sido, para que possamos viver o lema da Reforma Protestante: "Igreja Reformada sempre se reformando".
Cleber B. Gouveia.
Segue abaixo o referido texto. Leia, vale a pena...
Por Ricardo Gondim

Sou pastor de uma comunidade cristã em São Paulo; lidero uma rede de igrejas espalhadas pelo Brasil, somando entre 20 e 25 mil pessoas; conduzo um programa de rádio diário também em São Paulo; escrevo para duas revistas de circulação nacional e, porque mantenho um site na internet, sinto-me membro da novíssima comunidade dos blogueiros.
Apesar disso, minha capacidade transformadora é pífia. Minha voz, semelhante a de milhões de brasileiros, não representa quase nada; não sou conhecido das elites, nunca estive na presença de um presidente da república e jamais usei um passaporte diplomático.
Partilho do sentimento de impotência que toma conta dos meus irmãos. Sinto-me frustrado, revoltado, irado, indignado, sei lá que expressão usar, com tudo o que ocorre na minha terra.
Assisti a eleição dos novos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado com uma vontade louca de comprar um megafone, ir para a Brasília, e ficar gritando palavrões em plena praça pública. Tive impulso de chamar aqueles políticos arrumadinhos, empertigados dentro de seus ternos novíssimos, posando, feito jacus, para fotografias, com as palavras mais chulas da gíria portuguesa. Entendo que o jogo político é necessário; sei que disputas de poder acontecem em todas as instituições; compreendo que “ruim com os deputados, pior sem eles”.
Ninguém precisa me dar aula de democracia (sou filho de um preso político na ditadura e sei o horror dos tiranos), mas, mesmo reconhecendo a necessidade das instituições, fiquei vermelho de raiva com a inauguração do novo Congresso. Vejo meu país sangrando e os mesmos chavões sendo repetidos. Sinto que vivemos em meio a um desdém aviltante.
Ninguém mais se lembra da aluna de uma universidade do Rio de Janeiro, vítima de uma bala perdida, e que ficou tetraplégica; ninguém mais se lembra daquele senhor que chorava enquanto desenterravam seu filho de debaixo da cama de um soldado da Polícia Militar; ninguém mais se lembra da fotografia de uma adolescente se prostituindo, sentada no colo de um velho nojento do Amazonas; ninguém mais se lembra das mães que enterraram seus filhos, mortos por falta de asseio numa Unidade de Tratamento Intensivo de um hospital público. Dois dias depois das tragédias, chegam outros sinistros mais pavorosos e vamos nos acostumando; de horror em horror chegaremos no inferno preparado pelos próprios brasileiros. Querem saber? Chega...
Para mim chega, já que os evangélicos degringolaram e hoje a grande maioria dos freqüentadores dos cultos é composta de pessoas infantilizadas pela religião; noto que o movimento do qual já fiz parte não se importa com a justiça nacional, não chora com os que choram e não defende o direito dos mais frágeis. Eles se reúnem em seus auditórios com uma única preocupação: acessar o divino, para se safarem.
Para mim chega, já que vejo a elite burguesa se locupletando há séculos, sem que ninguém consiga fazê-la mudar. Ela é preguiçosa, mesquinha, egoísta e insensível à miséria que vive do outro do lado do muro de seus condomínios. A elite brasileira se preocupa prioritariamente em blindar seus carros, freqüentar desfiles de moda breguíssimos em shoppings centers, freqüentar os mesmos cabeleireiros badalados e caros das modelos analfabetas, sair, feito “papagaio de pirata”, nas páginas das revistas de fofoca e comprar roupas em Miami. Ela não está nem aí para a miséria que cresce sem parar.
Para mim chega, já que os intelectuais nacionais atolaram na irrelevância de seu esnobismo; trancaram-se em suas torres de marfim, com textos herméticos e propostas mirabolantes e inúteis dos teóricos de direita ou de esquerda.
Imóvel e impotente, tenho vontade de chutar o mastro central desse grande circo de lona rasgada chamado Brasil.
Não passamos de um povinho sem sangue nos olhos, uma nação sem brios.
Faltam poucos dias para o país parar de novo para ver as escolas de samba, patrocinadas pelo tráfico, desfilarem a nudez das mulheres mais deslumbrantes que nossa raça produziu.
Os poucos gringos com uma libido maior que o medo de morrer, vão babar. E nós, sentaremos em nossas poltronas por quatro dias, embriagados de cerveja e sexo esqueceremos que já perdemos nossa alma.
Morreu um menino e estou com asco dos brasileiros que elegeram o Clodovil, o Maluf, o Genoíno, o Palocci, o Collor, o Sarney e toda aquela farsa chamada de Congresso Nacional. Sinto náuseas e o meu inferno são os próprios brasileiros.
Morreu um menino e não posso dormir sem antes dizer que, se pudesse, diria aos meus patrícios que a nossa perversidade está transbordando a medida da ira divina.
Morreu um menino, mas o pior ainda está por vir.
Morrerão muitos outros e continuarão as mesas redondas de idiotas discutindo as fofocas do futebol.
Morrerão muitos outros e a Daslu continuará vendendo calças jeans de 2 mil dólares.
Morrerão muitos outros e alguns poucos continuarão tomando vinho de 7 mil dólares em banquetes faustosos.
Morrerão muitos outros e os pastores continuarão prometendo abrir portas de emprego para quem der dinheiro em seus cultos.
Cansei do deboche e não sei o que fazer. Estou revoltado com o cinismo e não sei para onde me voltar.
Antes que esqueça: o nome do menino era João Hélio e seus pais ainda estão chorando muito...
Soli Deo Gloria.
Você poderá ler outros textos do autor no site: www.ricardogondim.com.br

10 fevereiro 2007

A conspiração do bem


Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. João 2:4

Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens. Mateus 16:23


Haveria algo mais difícil do que ter de resistir ao mal evidente que nos cerca todos os dias? Desligar a TV durante aquelas programações que nós sabemos o que estão propondo, ou até mesmo desviar dos links e janelas que surgem nas telas dos nossos computadores levando-nos a sites obscuros? Ou até mesmo conduzir nossos olhos ao sentido oposto ao das bancas de jornal e os nossos ouvidos atentarem para longe de bate-papos malignos e afiados? Não é difícil resistir e dissimular frente às ofertas de piadas degradantes, diante das quais a grande maioria solta espaçosas gargalhadas, ou não se deixar seduzir por propostas de ganho fácil e imediato que custem o sacrifício dos valores que com tanto esforço pleiteamos cultivar ao longo de nossos anos?

Essa pós-modernidade bombardeia incessantemente a todos os nossos sentidos com o convite ao que é fácil, barato, prazeroso – uma verdadeira sinfonia cuja melodia agrada em cheio aos ouvidos da nossa sociedade hedonista – que em meio a todo esse “prazer”, revolve-se e chafurda-se ainda mais na lama que a envolve.

Sinceramente, creio que o esforço que o cristão emprega, se verdadeiramente fiel, em busca de uma vida santificada e íntima com Deus nos dias de hoje só é comparável ao enfrentamento dos leões na arena de César...

O pior é que não fica por aí.

Como se não bastasse, a nossa batalha vai além do pecado descarado e publicado, amado e cultivado nos dias de hoje.

Se logramos êxito ao resistir aos convites dos out-doors e dos comerciais de TV, muitas vezes somos vítimas da conspiração do bem, ou da “confraria da boa-vontade”. Confuso? Explico-me.

Confesso que logo aos primeiros passos da fé, os dois versículos os quais cito, no início deste texto, me chamaram a atenção. Eles pareciam uma dissonância, uma contradição ao conceito que eu até então eu cultivava:

- Puxa, mas como é que Jesus pôde ser tão grosso com a própria mãe?...

- Caramba, mas que palavra dura Jesus disse a Pedro...

Aos mais doutos, perdoem-me a sinceridade, mas era exatamente isso que eu pensava, e assim como eu, creio que muitos outros. “Como é que Jesus poderia falar assim com quem estava sendo tão bonzinho por preocupar-se com ele mesmo e com os outros?” Maria, preocupada com a situação constrangedora a que o noivo se sujeitaria, tendo o vinho acabado bem no meio da festa, e Pedro, zelando pelo bem-estar do Mestre, ao ouvi-lo dizer que o Filho do Homem padeceria e seria morto.

Com o tempo, tristes verdades e duras realidades acabam mostrando que esse mal encoberto consegue ser pior até mesmo de que todo esse pecado escancarado. E o que é pior: muitas vezes nos tornamos agentes dele.

Conseguimos resistir, ainda que com tropeções, ao combate nas trincheiras abertas, mas ao fogo amigo, aquele que vem dos combatentes que se dizem estar ao nosso lado, somos vulneráveis. Nossa guarda está sempre aberta, pois jamais pensamos que são capazes de, armados das “melhores intenções,” atuarem em nossa vida em sentido contrário ao que Deus espera de nós. É aquele irmão que gosta tanto de nós que não abre mão de que no fim de semana não estejamos em sua casa no almoço, no mesmo dia em que poderíamos promover um evangelismo, é o outro que ama tanto a igreja, e suas tradições, que faz parte da “família real” há tanto tempo que não pode admitir que a santidade de seus hinos seja maculada pela cantoria barulhenta desses jovens de hoje com seus cânticos – talvez aquele velhinho gentil e freqüentador tão assíduo, que não admita que a alegria que pudesse haver em nossos templos corresse o risco de agredir a tão idolatrada “ordem e decência”, que se coloca muitas vezes acima da nossa liberdade de amar o outro. É a turma do “deixa disso” , do comodismo, a turma do “deixa como está”, ta bom assim – enquanto nossos cultos se esvaziam, nossas festas se multiplicam.

Acho que nas igrejas todos erramos quanto a isso, aos membros – e aí me incluo eu – por fazermos o papel de Marias e Pedros, na melhor de nossas intenções muitas vezes na hora errada ou inocentemente atentando contra o propósito soberano de Deus, com a consciência falsamente tranqüila, como quem não sabe nada nem o que está se passando, até que as coisas não corram como deveriam e não venhamos a nos sentir culpados quanto a isso, jogando a culpa nos pastores.

Mas os pastores também erram, quando não buscam a lucidez e o discernimento para perceberem, no momento do agrado mais singelo, da preocupação mais sincera, o mal dissolvido, o risco iminente de se tornar vítima da “confraria do bem”, esquecendo-se de que sempre haverá um interesse humano por trás de cada ato, ao qual caberá sempre a resposta imediata e precisa, nos moldes de Cristo, sob pena de que nossos interesses se sobreponham aos d´Ele.

É preciso estar atentos, pois, se pararmos um pouco e olharmos para nossa história, como igreja, e porque não dizer como pessoas, veremos o quanto se perdeu agindo sinceramente errados, pedindo a vontade de Deus, mas fazendo a nossa própria, desejando que Ele decida, mas agindo por nós mesmos.

Muito mal e muito dano já foi causado, é tempo de observar e aprender, é tempo de reparar os muros, reconstruir. Mesmo que isso ao final nos custe a amizade daqueles que, sinceramente errados, nos ofereceram paz em tempos que eram de guerra, festa em tempos de pranto.

Se é tempo de guerra, vamos a guerrear, se é tempo de se humilhar, orar, e buscar a face de Deus, o façamos. Sobretudo, façamos aquilo que a Deus agrade, a Seu tempo, e conforme a Sua vontade.

09 fevereiro 2007

Palavras em favor da vida... Diante da realidade da morte...




“Também disse Deus: façamos o homem à nossa imagem, conforme nossa semelhança...” Gênesis 1.26

“Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.”
Genesis 2.7

“Não matarás.”
Êxodo 20.13


A vida realmente não tem mais seu valor. Deus criou, e diz a Palavra, que a vida do homem fora gerada durante todo um dia de trabalho. O Homem fora planejado, e a vida, colocada com muito amor em algo inanimado, feito do barro. Por ter sido feito do barro, é frágil, como um pote de barro o é. E é triste ver como a falsa sensação de poder sobre a vida e a morte tem cegado a muitos, levando-os a decidir quando e onde por fim à vida de seu semelhante, como se fosse o mesmo que tirar a vida de um inseto, ou o mesmo que decidir qual sapato ou roupa usar.
Há uma banalização da vida humana, e por isto, uma desvalorização da vida desta obra magnífica do Criador: eu e você, nós e todos nossos iguais...

É o que vejo no episódio da criança morta no Rio, em troca de nada. Sim, pois, o que é um bem inanimado, e com tempo útil de vida, cujas peças seriam no máximo revendidas por “preço de banana”? O que é este objeto de desejo que no máximo seria usado até que a maresia da brisa do mar o destruisse, ou um acidente de trãnsito o fizesse não ter valor, diante da preciosa vida de uma criança?

Penso eu, de forma desalentadora, que tal fato nos mostra a realidade de nossos dias, onde a preciosidade da vida só está diante dos olhos daquEle que a criou, pois, nós, os semelhantes, não nos vemos mais assim, tão preciosos.
Mata-se por ciúmes, como acontecera no lar de dois jovens no Gama nesta ultima terça, dia 6/02, os quais, pasme, eram evangélicos. E ai, vê-se que até mesmo os filhos, adotados em amor, não aprenderam sobre o Pai.
Vejo muitos filhos de caim, e poucos filhos do Criador... Pois, há pouca revolta e luta contra o mal que se alastra. Poucos estão nas trincheiras... Poucos têm posto a mão no arado, e, muitos, têm olhado para trás, quando não estão olhando para si mesmas.

Entretanto, o que não podemos é nos render diante da desvalorização da vida. Ela é preciosa, única, e poderá ser vivida eternamente somente se este ser animado pelo sopro da vida voltar para o Seu Criador, como nos ensina o Salmo 100 versículo 3.
Pena que nós, os mais beneficiados por tão grande amor, não consigamos compreender, e desta forma nos deixemos seduzir e conduzir pela mentira diabólica de que a vida nos pertence, e dela, podemos fazer o que bem entender.

Diante de tal realidade tão desgraçada, sim, porque não se vê a Graça de Deus nos corações dos homens que fazem o mal e dos que se calam diante deste mesmo mal, quero registrar meu sofrimento e dor; minha revolta e ira; minhas lagrimas e desconsolo diante da morte trágica desta criança, e desta jovem mãe.
Diante de tudo isto, quero colocar meu coração nas mãos do Criador, para que desta forma minha vida esteja no lugar certo, e neste lugar seguro possa ser ensinado de que a vida pertence ao que a fez, e o tirá-la também. Pois, a mim, e a todos os meus iguais, nos cabe tão somente gozá-la da melhor forma, preferencialmente na presença do que a Criou.

Deus nos ajude, e nos sustente graciosamente a cada dia, em Cristo Jesus, amém!

Cleber B. Gouveia
Pastor Auxiliar da 1a IPI do DF e
Capelão do Colégio CEDECAP, em Taguatinga-DF.

08 fevereiro 2007

O Espelho que tudo vê...

“Ó Deus, vê se há em mim algum pecado e guia-me pelo caminho eterno...”
Salmo 139.24

Você já tentou olhar para o seu próprio nariz? Confesso quando criança ter tentado fazer isto por varias vezes, e ainda hoje, às vezes pegar-me nesta tentativa. Sabemos bem como é difícil não vê-lo, ou se vemos, isto ocorre de forma desfocada. Fica claro, portanto, ser algo muito difícil a tarefa de olhar para o próprio nariz, a não ser que se esteja em frente a um espelho; imagine então olhar para o que há em nosso coração.

Da mesma forma que, para se poder ver claramente nosso nariz, é necessário estar em frente a um espelho, creio que, quando tentamos sondar nossos próprios corações, em seus mistérios mais profundos, também precisarmos de auxilio para vermos o mal que neles há.

Penso assim por entender que nossos corações (ou mentes) são, primeiramente, como nossos pais, quando estes olham para nós e não conseguem ver nossa feiúra, ou mesmo nossos defeitos. Trabalho em uma escola com muitos adolescentes e seus problemas naturais da adolescência. Quando há algo envolvendo um ou mais adolescentes, e os pais são chamados para conversar, sempre se vê em sua expressões ou palavras a frase: “meu filho não; o outro sim, o meu não!”. Na maioria das vezes mascaram, escondem ou fazem vista grossa, e afirmam: “meu filho não seria capaz de fazer isto!”. Ou seja, ainda que vejam ou saibam quem há algo de errado, a grande maioria prefere fazer de conta que não viu”; com os nossos corações acontece o mesmo.

Outras vezes, nossos corações se mostram como um Hipermétrope (pessoa que enxerga bem o que está longe e não consegue focar o que esta perto), não conseguindo, assim, enxergar direito seus próprios defeitos. Jesus falou sobre isto ao afirmar que conseguimos enxergar o cisco nos olhos do próximo, mas não a trave que há em nossos (Mateus 7.13). Precisamos, desta forma, ir ao espelho que tudo vê, como aquele da estória da Branca de Neve, e pedirmos: “Espelho, espelho meu, revela-me o pecado que de mim se escondeu”.

Creio ter sido a consciência desta realidade o que levou o salmista Davi pedir auxilio ao Senhor, o “espelho da nossa alma que tudo vê, e tudo pode nos revelar a respeito de nós”. Davi sabia que sua natureza pecaminosa era como um cleptomaníaco, o qual rouba, mas nega seu erro. Que seu coração era às vezes como alguém embriagado que nega todas as suas atitudes ofensivas aos que ama, ou até mesmo como aquela pessoa a qual afirma nunca ter pecado, “pois não mata, não rouba e não faz mal a ninguém, nem mesmo ao mosquito da dengue”. Davi, contudo, também tinha plena convicção de que o Senhor podia conhecer o mais íntimo do seu coração, e desvendá-lo.

Nós também devemos reconhecer nossa incapacidade diante do nosso pecar, e da nossa necessidade dos olhos do Senhor. Precisamos reconhecer que somente o Espírito Santo poderá nos convencer do nosso pecado (João 16.8), e clamar para que este, que sonda também o mais íntimo do coração de Deus (1a. Corintios 2.9) possa penetrar no mais profundo do nosso ser, revelando nossa miséria, e nos direcionando pelo caminho eterno.

Como Davi, precisamos crer e compreender que o Senhor Jesus tem prazer em nos mostrar onde estamos entristecendo Seu coração, e nos chamar ao arrependimento (Lucas 5.32), e, uma vez quebrantado nossos corações, nos guiar em Si mesmo, o caminho direto ao Pai, o caminho eterno do Pai (João 4.6). Precisamos, portanto, olhar para o espelho espiritual que tudo vê, e tudo revela a respeito de nossos corações, e assim, sermos levados ao caminho eterno cheio de Paz, Vida e Amor de nosso Deus.

Cleber Batista Gouveia.
Pastor Auxiliar da 1a. IPI do DF, e
Capelão do Colégio CEDECA, Taguatinga DF.

21 janeiro 2007

Encurvada

E chegou ali uma mulher que fazia dezoito anos que estava doente, por causa de um espírito mau. Ela andava encurvada e não podia se endireitar.
Lucas 13. 11


A discussão que tem lugar nesse quadro no relato de Lucas diz respeito ao sábado. Mas eu não quero dar atenção nesse texto nem aos fariseus, nem ao sábado. Eu quero pensar nessa mulher.
Ainda me recupero de uma terrível crise de dor ciática, provocada pelas minhas duas protrusões discais. Essa deve ter sido a segunda pior crise que eu tive desde que apareceram as minhas primeiras dores, seis anos atrás. A crise foi tão intensa que eu tive de me afastar do trabalho. Não conseguia me levantar, sentar ou deitar sem auxílio. Além disso, andava me arrastando, segurando nas pessoas e nas paredes. Não agüentava ficar muito tempo sentado, deitado ou em pé.

Mas essa não foi a pior crise. A minha pior crise foi a primeira de todas. Era dezembro do ano 2000 quando eu senti as primeiras dores. Duraram uma semana. Depois, sumiram por uma semana. Quando as dores retornaram eu não podia imaginar que elas não sumiriam até agosto de 2001. Passei quase oito meses sentindo dor constantemente. Não houve um segundo em todo esse período em que meu ciático não doesse – não estou exagerando. Claro que não era sempre a mesma intensidade de dor, mas era uma dor constante e ininterrupta.

É por isso que eu quero pensar nessa mulher que fazia dezoito anos que estava doente, encurvada, sem conseguir se levantar. Eu posso fazer idéia, imaginar, o tamanho sofrimento que essa mulher teve ao longo de todos esses anos de doença. Os tantos médicos e curandeiros que ela deve ter buscado. Os parcos recursos que ela deve ter gastado em busca de cura. A discriminação que deve ter enfrentado em virtude de todas as suas dificuldades. A dor, o incômodo e a falta de mobilidade.

Foi uma vida difícil até aquele dia, até que ela entrou naquela sinagoga. Posso imaginar que ela não fazia idéia que naquela tarde sua busca intensa se encerraria. Sua dor se esgotaria. Imagino que ela não tinha idéia de quem iria encontrar naquele lugar.

Jesus é simples e direto com ela. Mulher, você está curada (Lc. 13. 12). Não pergunta nada, não ouve pedido, não questiona. Simplesmente a cura, tocando-a para não deixar dúvidas sobre o que estava fazendo. Assim, num toque, o sofrimento e a busca de dezoito anos se foi. Num toque do Senhor, com uma Palavra de Deus.

Às vezes, nossa dor e nossa busca são físicas mesmo. Nosso sofrimento é físico, como acontece comigo em minhas crises. Lembro que, em 2001, quando morava no Seminário, chorei em alguns momentos; não de dor, mas de desespero por não me ver livre daquele incômodo constante. Naquelas horas, eu desejava um alívio e uma cura física. Nem sempre ela virá, eu sei. Você deve descobrir isso também.

Outras vezes, nossa dor e nossa busca são de outra natureza. Às vezes, não estamos fisicamente encurvados há dezoito anos como aquela mulher, mas as emoções não curadas, os ferimentos e as doenças espirituais encurvam a nossa alma e nos deixam debilitados. Você pode não ter um problema físico de que deseje a cura, mas pode ter um ferimento de outra ordem, que oprime você e encurva sua alma.

Em todos os casos, precisamos encontrar Jesus. A cura e a mudança de vida daquela mulher se deram no seu encontro com Jesus naquela tarde, naquela sinagoga. Não importa quanto tempo faça que você sofra com isso. Não importa se são cinco dias ou dezoito meses: um encontro com Jesus é o que você realmente precisa para mudar a situação. Mesmo que esse encontro não represente a cura – nem sempre representa – ele vai mostrar a você que não é preciso carregar o peso do sofrimento – físico, emocional ou espiritual – sozinho. Ele estará, a partir desse encontro, com você, o apoiando e enxugando qualquer lágrima de dor ou de sofrimento. E a paz que encherá a sua alma será suficiente para ajudá-lo a enfrentar o que de mal ainda puder surgir.

Mas o encontro com Jesus será a sua cura. Cura da opressão da dor e do sofrimento, do corpo ou da alma. Mesmo que o fim dessa opressão não signifique, necessariamente, o fim da dor, mas apenas o alívio de saber que Jesus está com você em cada momento.
Daniel Dantas
Jornalista e funcionário da Petrobrás.

13 janeiro 2007

Novo tempo, nova realidade...

Olá...Graça e Paz da Parte do Pai em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Sei que há muito tempo não escrevo neste blog. Às vezes, nós, os que escrevemos ficamos bloqueados, eu pessoalmente tenho muito disto. Realmente falei muito sobre a vida nova em Cristo Jesus para os da comunidade onde sirvo ao Senhor. Contudo, não tenho escrito muito. Volto com este texto, escrito para o informativo dominical. Espero que possa ser edificante para sua vida, em Cristo Jesus, amém!

Vivemos novos tempos! Novos tempos significam novas estruturas, e novas estruturas, a necessidade de novo pensar. E é a partir de uma reflexão contemporânea que nós, pastores e presbíteros, entendemos ser necessário trabalhar uma nova estrutura para a vida comunitária de nossa igreja. E a chamamos de: Igreja em Ministérios.

Pensando neste processo de transição, não posso iniciar nosso bate papo sem dizer que você é importante dentro dele. Neemias (Capítulo 2), por exemplo, quando desejou reconstruir Jerusalém, que estava assolada, conseguira bom termo diante de Deus e do rei, e poderia ordenar o que quisesse e fosse necessário para que seu ideal fosse concretizado. Contudo, sentou-se com os principais do seu povo em Jerusalém, e compartilhou com estes o que Deus havia feito por ele, convidando-os a participarem do processo de reconstrução. Por fim, todas as famílias que ali estavam se envolveram no processo. O que isto significa? Cada um deles era importante para a reconstrução de Jerusalém. O que quero dizer com isto? Cada um de nós, membro da 1ª.IPI, do Distrito Federal é importante para que o processo de transição para uma Igreja em Ministério seja bem sucedido, bem como permaneça e dê frutos.

Na história de Neemias, o entendimento por parte do povo se fez de forma concreta. Eles literalmente puseram as mãos na massa (v. 18), e trabalharam para reconstruir os muros.
Nós também precisamos deste desprendimento. Todo o processo de transição dependerá do nosso envolvimento não somente em oração nos lares ou no templo, como forma de intercessão pelos lideres. Sozinhos não farão o que deve ser realizado. Ministérios não se mantêm somente pelo trabalho dos seus lideres. Assim como Neemias sozinho, ou mesmo com os sacerdotes e nobres, não conseguiria reconstruir nada somente com o apoio moral do restante dos habitantes de Jerusalém, não se poderá concretizar o sonho de ministérios fortes e eficazes sem o envolvimento verdadeiro, prático, no dia-a-dia, de cada membro de nossa comunidade, incluindo você.

Creio que Deus, em Seu coração, tem um Dom espiritual para a sua vida. Se você ainda não o tem, é preciso buscá-lo, e mais, torná-lo evidente, frutífero dentro da comunidade, para que ela, como Corpo de Cristo, cresça em amor para o bom desenvolvimento de seu serviço como Serva do Altíssimo.

Assim sendo, o que pretendo nesta pastoral é dizer: não se esconda, pois a luz não pode ser acessa e escondida debaixo da cama (Mt 5.14). Não perca o sabor, pois os dons e o amor de Deus em nos dá um sabor único, e não se pode perder o sabor que lhe dá o sentido de existir (Mt 5.13). Seja como aquele que vive e serve ao Senhor com sua vida, talentos e Dons recebidos do alto, e andemos pelos vales áridos fazendo brotar ali um manancial de vida em Cristo Jesus. Amém.
Rev. Cleber Batista Gouveia
É Pastor Auxiliar da 1a. IPI do DF, e
Capelão no Colégio CEDECAP, Taguatinga DF.