10 março 2009

ALGUMAS COISAS A RESPEITO DO SACERDOCIO REAL DE TODOS OS CRENTES

“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; (1 Pedro 2.9)

Estamos perto dos 500 anos de nascimento de João Calvino. Como todos sabem, este foi um dos grandes reformadores da Igreja, e como Presbiterianos somos herdeiros de seus ensinos e práticas. Hoje, quero falar um pouco sobre um dos ensinos de Calvino e demais reformadores da Igreja, e conseqüentemente da Reforma Protestante: o sacerdócio real e universal de todos os crentes.

Olhando para a Palavra de Deus encontramos nas palavras do apóstolo Pedro a base para o ensino do sacerdócio real e universal de todos os crentes, e analisando o ensino reformador compreendemos haver, quanto ao sacerdócio real, alguns direitos e outros deveres, alguns dos quais passo a expor a seguir:

Livre acesso a Deus: o sumo sacerdote era aquele que entrava nos santos dos santos. Entrava, porém, com uma corda nos pés, pois, se estivesse em pecado, morreria. Nós, porém, constituídos sacerdotes pelo Sumo Sacerdote Jesus Cristo (Hebreus 4.14), podemos entrar na presença de Deus sem necessidade de outro intercessor que não o Senhor (Efésios 2.18). Ou seja, não há necessidade de mais ninguém para que suas suplicas, suas orações, sua vida se apresente diante de Deus. Não há necessidade de cordas, pois o sangue que nos abre o caminho é o que nos purifica para não somente entrar, mas para ser o Santuário de Deus em Espírito (Efésios 2.21-22; Hebreus 9.14).

Capacidade para ler e compreender a Bíblia: todo sacerdote de Deus pode ler e interpretar a Bíblia, sem que haja proibições, sem barreiras. No tempo de Lutero e Calvino isto não era praticado. Pelo contrário! Era pecado ler a Bíblia. Com a Reforma todos os crentes puderam e ler e interpretar a Bíblia com a ajuda do Espírito Santo, e foi nos dado como herança tal prática devocional. Uma pena, porém, que em nossos dias isto tenha se tornado banal, e o povo “santo”esteja vivendo no pecado por falta de conhecimento (Salmo 119.11; Provérbios 29.18).

O evangelismo pessoal:  pois, se sou sacerdote real, apresento a Deus ao povo, e o povo a Deus. Ou seja, levo a revelação dos mistérios de Deus às pessoas, e as apresento diante de Deus. Em outras palavras sou responsável direto pelo evangelismo e discipulado das pessoas com as quais convivo. Não preciso e nem necessito esperar pela autorização do pastor, presbítero ou qualquer outro líder. Jesus, nosso Senhor já nos deu esta ordem, autoridade e capacitação (28.19-20 e Atos 2 e Atos 4).

Estes são alguns ensinos do legado deixado para nós pelos reformadores, dentre eles Calvino.  Espero poder apresentar outros durante este ano dos 500 anos de Calvino. Enquanto isto de contínuo oro e espero no Senhor  por uma nova Reforma em nossos dias, advinda pelo Seu Espírito, capaz de nos fazer conhecer e viver de forma eficaz o princípio e realidade dos sacerdócio universal de todos os crentes.

Cleber B. Gouveia, 

Pastor da IPI do P-Sul em Ceilândia, D.F., 

e Santa Rosa, em Santo Antônido do Descoberto, Go.

 


08 março 2009

Ser mulher


Tive dois impactos na minha vida em relação ao que é ser mulher. O primeiro se deu quando ainda morava na zona rural. Eu era pequena e já ouvia minha mãe dizer que menina não precisava ir à escola. Afinal, dizia ela, para quê aprender a ler e estudar se o papel da mulher resumia-se a ficar em casa cozinhando, lavando roupas e cuidando de crianças? Aquilo me marcou muito. Comecei a desconfiar que, pelo menos na ótica da minha mãe, era mais vantajoso ser homem. Mas, para minha felicidade, meu pai não pensava assim e decretou que seus filhos só sairiam da escola quando estivessem, ao menos, alfabetizados. Percebi, aliviada, que para ele meninos e meninas – e, por extensão, homens e mulheres – tinham o mesmo valor.

O segundo aconteceu muitos anos depois, na década de 1980. Já estava casada e com dois filhos, um menino e uma menina. Na época, os sermões em muitas igrejas giravam em torno da família e dos diversos papéis desempenhados no lar. Mas sempre que eu ouvia sobre as funções da mulher, sentia certo mal estar, cuja natureza não conseguia definir direito. Só percebia que era uma sensação de falta, mesmo tendo certeza de que, diante de Deus, a mulher é diferente do homem, mas não inferior.

O nobre, naqueles anos, era a mulher se identificar com a frase: “Sou esposa e mãe.” Eu não via nada de errado naquilo, afinal eu era casada e tinha filhos. Mas sentia falta de alguma coisa. Um dia, enquanto via minha filha de 10 anos brincando no gramado de casa, o nó se desfez. Olhei para ela e falei com meus botões: “E se ela não se casar? Ou se, mesmo casada, não gerar filhos?”

Naquela conversa entre eu e eu mesma, compreendi que realmente falta algo na identidade da mulher que vai além do estado civil e da capacidade biológica de gerar e criar filhos. Só que a sociedade está impregnada de mensagens desvalorizando e sugerindo que a mulher é inferior. Basta ver que a publicidade usa e abusa do corpo feminino e da sua sexualidade na divulgação de tudo quanto é produto. E muitas mulheres se submetem, muitas vezes inocentemente, a esta exploração sem se dar conta que estão cooperando com a humilhação, não apenas de si mesmas, mas de todo o gênero feminino. E o que dizer, então, das diversas situações degradantes a que as mulheres são submetidas em pleno século XXI?

Paul Tournier, psiquiatra suíço que muito influenciou os cristãos brasileiros, defendeu a idéia de que a mulher tem o sentido de pessoa muito mais apurado que os homens. Naturalmente, elas se inclinam mais para as pessoas, enquanto os homens, em sua maioria, se devotam mais às coisas. Ele compreendia que, se a mulher cumprisse sua missão, a civilização poderia ser curada de sua frieza e da indiferença com que trata os desprotegidos e indefesos. Na percepção dele, a mulher já provou do que é capaz, mas tem se submetido aos critérios masculinos, mesmo nos espaços por ela conquistados. Isto é, mostrou sua capacidade – mas deixou de lado a parte específica da sua identidade e passou a imitar o homem.

O valor da mulher é resgatado com o advento de Cristo. Deus se fez gente e dependeu de um útero para nascer neste mundo e de seios maternos que lhe dessem sustento. Em todo o ministério de Jesus, ele fez questão de aceitar e reconhecer o valor da participação da mulher. Ao longo de sua trajetória neste mundo, o Filho de Deus protagonizou vários episódios ao lado de mulheres. Ele curou uma mulher com hemorragia uterina, doença exclusiva do sexo feminino; ressuscitou uma menina; gastou tempo ensinando Maria de Betânia, que era solteira, mesmo que a lei judaica só permitisse o ensino para os homens; aceitou o presente e os gestos de gratidão da mulher tida por todos como prostituta; não julgou aquela que foi flagrada em adultério, e amorosamente ainda a convidou a uma mudança de vida; e não teve pudores em se revelar como Messias à samaritana do poço, uma mulher discriminada não apenas por sua origem, mas também porque já estava em seu sexto relacionamento conjugal.

Diante do exemplo de Jesus, podemos reconhecer e acreditar no valor intrínseco da mulher pelo que ela tem de singular e único. Pelo potencial específico e inigualável que se expressa através da profissão, das habilidades artísticas, da atividade religiosa, do voluntariado e do envolvimento político – e também pelo seu desempenho no próprio lar, como companheira do homem e como mãe. E, embora a identidade da mulher não dependa exclusivamente do casamento ou da geração de filhos, é claro que a parceria conjugal e a maternidade podem acrescentar e enriquecer suas experiências de vida e contribuir para sua maturidade. Contudo, o valor da mulher pode e deve ser cultivado e desenvolvido independentemente de sua condição, pois ela, como todo ser humano, tem significado em si mesma como ser criado à imagem e semelhança de Deus.

O relato bíblico da Criação mostra que o Senhor delegou ao homem e à mulher a tarefa de cultivar e dominar a terra. Eu acho que, no plano divino, todas as decisões e atitudes humanas devem ser tomadas levando em consideração a ótica masculina e a feminina. Os dois gêneros precisam caminhar juntos – e aprender mutuamente. Os homens precisam considerar e dar espaço para a contribuição da mulher; e ela precisa apenas ser mulher!



Esther Carrenho Casada, avó, teóloga e psicóloga clínica.
Texto publicado no sítio da Revista “Cristianismo Hoje”

04 março 2009

CLAMOR POR UM CAMINHAR SANTO!


“Bendito seja o Senhor, porque me ouviu as vozes súplices...” Salmo 28.6

Considerado como sendo um salmo escrito por Davi, o Salmo 28 é uma súplica a Deus por uma intervenção em seu favor. No verso 1 vemos Davi confessar sua busca por Deus: “a ti clamo, ó Senhor”, é ante a face de Deus expor seus temores e anseios. E qual é o motivo do clamor de Davi a Deus? A busca por socorro das garras dos ímpios, dos perversos, dos que falsamente proferem paz ao próximo, mas segundo a malícia dos seus corações, executam suas obras sem temor ao Senhor (v.v. 2-4). Davi, portanto, pede ao Senhor livramento dos falsos amigos, dos falsos conselheiros, dos falsos “bons homens”, pois sabia o fim de tais pessoas (versos 4 e 5).
Em nossos dias precisamos ter clamor semelhante ao do Rei Davi, pois, como há pessoas semelhantes às citadas por ele. Pessoas as quais inicialmente parecem ser boas companhias, falam palavras bonitas, de amor e cuidado para conosco, com propostas interessantes; são alegres, nos alegram, mas, cujas obras, porém, revelam com o tempo o verdadeiro intento de seus corações: a perversidade e a falta de temor e amor a Deus (versos 3 e 5).
E a perversidade e a malícia são caminhos enganosos, e perigosos. São caminhos os quais inicialmente podem trazer vantagens à pessoa que por eles caminha e fundamenta suas ações. Contudo, levam ao desastre, à inimizade, à vergonha, à morte, e morte eterna, pois, no fundo são caminhos pecaminosos, e a Palavra é clara: “a alma que pecar, esta morrerá” (Ez 12.20).

Davi nos avisa: os ímpios em seu caminhar não se “...atentam para os feitos do Senhor, nem para o que suas mãos fazem...” (v. 5); ou seja, não estão “nem aí” para a ação de Deus neste mundo, não se importam com Sua vontade, em viver segundo esta vontade. Assim sendo, um crente no Senhor Jesus Cristo não deve deter ou direcionar seus passos nos conselhos dos ímpios (Salmo 1). Paulo nos diz algo semelhante quando afirma não haver nenhuma comunhão entre luz e trevas (2 Cor 6.14). Por certo, se fizer o contrário, o crente será contaminado com suas palavras e seu proceder, bem como terão o mesmo fim (v.3).

Isto não significará, entretanto, se tornar inimigo, não poder ter amizades com não crentes, mas, sim, em saber que não se pode andar em comum acordo com seus conselhos, ou seja, não ser influenciado por sua forma de ver e viver a vida, mas sim influenciar com a forma de vida proposta pelo Evangelho do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, segundo Suas Palavras que são espírito e vida, e esta abundante e eterna (João 6. 63-68 e João 10.10).

Assim sendo, proponho que sejamos sóbrios e vigilantes quanto à forma como nos relacionamos. Que vigiemos e oremos por um sondar de Deus em nossos corações, e, acima de tudo, clamemos por livramento dos conselhos e influência de pessoas perversas e maliciosas (lembra-se do final da oração do Pai nosso?). Que façamos sempre a oração final do Rei Davi: “Salva o teu povo, e abençoa a tua herança; apascenta-os e exalta-os para sempre” (v.9), em Cristo Jesus, amém!

Cleber B. Gouveia,pr.

26 fevereiro 2009

Não Quero Ser Apóstolo


Os pastores possuem um fino senso de humor. Muitas vezes, reúnem-se e contam casos folclóricos, descrevem tipos pitorescos e narram suas próprias gafes. Riem de si mesmos e procuram extravasar na gargalhada as tensões que pesam sobre os seus ombros. Ultimamente, fazem-se piadas dos títulos que os líderes estão conferindo a si próprios. É que está havendo uma certa, digamos, volúpia em pastores se promoverem a bispos e apóstolos. Numa reunião, diz a anedota, um perguntou ao outro: “Você já é apóstolo?” O outro teria respondido: “Não, e nem quero. Meu desejo agora é ser semideus. Apóstolo está virando arroz de festa, e meu ministério é tão especial que somente o título de semideus cabe a mim”. Um outro chiste que corre entre os pastores é que se no livro do Apocalipse o anjo da igreja é um pastor, logo, aquele que desenvolve um ministério apostólico seria um “arcanjo”.

Já decidi! Não quero ser apóstolo! O pouco que conheço sobre mim mesmo faz-me admitir, sem falsa humildade, que eu não teria condições espirituais de ser um deles. Além disso, não quero que minha ambição por sucesso ou prestígio, que é pecado, se transforme em choça.

O apostolado consta entre os cinco ministérios locais descritos pelo apóstolo Paulo em Efésios 4.11. Não há como negar que osapóstolos foram estabelecidos por Deus em primeiro lugar, antes dos profetas, mestres, operadores de milagres e curas, aqueles que prestam socorro, aqueles que governam e aqueles que falam variedades de línguas. Mas resigno-me contente à minha simples posição de pastor. Já que nem todos são apóstolos, nem todos são profetas, nem todos são mestres ou operadores de milagres, como consta em 1 Coríntios 12.29, parece não haver demérito em ser um mero obreiro.

Meus parcos conhecimentos do grego não me permitem grandes aventuras léxicas. Mas qualquer dicionário teológico serve para ajudar a entender o sentido neotestamentário do verbete “apóstolo”, ou “apostolado”. Vejamos o que registra a Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã:

O uso bíblico do termo “apóstolo” é quase inteiramente limitado ao NT, onde ocorre setenta e nove vezes; dez vezes nos evangelhos, vinte e oito em Atos, trinta e oito nas epístolas e três no Apocalipse. Nossa palavra em português é uma transliteração da palavra grega apostolos, que é derivada de apostellein, enviar. Embora várias palavras com o significado de enviar sejam usadas no NT, expressando idéias como despachar, soltar, ou mandar embora, apostellein enfatiza os elementos da comissão — a autoridade de quem envia e a responsabilidade diante deste. Portanto, a rigor, um apóstolo é alguém enviado numa missão específica, na qual age com plena autoridade em favor de quem o enviou, e que presta contas a este.

Jesus foi chamado de apóstolo em Hebreus 3.1. Ele falava os oráculos de Deus. Os doze discípulos mais próximos de Jesus também receberam esse título. Parece que o número de apóstolos era fixo, porque há um paralelismo com as doze tribos de Israel. Jesus se refere a apenas doze tronos na era vindoura (Mt 19.28; cf. Ap 21.14). Depois da queda de Judas, e para que se cumprisse uma profecia, ao que parece, a igreja sentiu-se obrigada, no primeiro capítulo de Atos, a preencher esse número. Mas, na história da igreja, não se tem conhecimento de esforços para selecionar novos apóstolos para suceder àqueles que morreram (At12.2). Com o passar do tempo, as exigências para que alguém se qualificasse ao apostolado já não poderiam se cumprir: É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição (At 2.21, 22).

Portanto, alguns dos melhores exegetas do Novo Testamento concordam que as listas ministeriais de 1 Coríntios 12 e Efésios 4 referem-se exclusivamente aos primeiros, e não a novos apóstolos.

Há, entretanto, a peculiaridade do apostolado de Paulo. Uma exceção que confirma a regra. Na defesa de seu apostolado em 1 Coríntios 15.9, ele afirma que foi testemunha da ressurreição (viu o Senhor na estrada de Damasco), mas reconhece que era um abortivo (nascido fora de tempo): “Porque sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus” (1 Co 15.10). O testemunho de mais de dois mil anos de história é que os apóstolos foram somente aqueles doze homens que andaram com Jesus e foram comissionados por Ele para serem as colunas da igreja, comunidade espiritual de Deus.

O que preocupa em relação aos apóstolos pós-modernos é ainda mais grave. Está ligado à nossa natureza, que cobiça o poder, que se encanta com títulos e que faz do sucesso uma filosofia ministerial. Tem acontecido uma corrida frenética nas igrejas para ver quem é o maior, quem está na vanguarda da revelação do Espírito Santo e quem ostenta a unção mais eficaz. Tanto que os que se afoitam ao título de apóstolo são os líderes de ministérios de grande visibilidade e que conseguem mobilizar grandes multidões. Possuem um perfil carismático, sabem lidar com massas e, infelizmente, são ricos.

Não quero ser um apóstolo porque não desejo a vanguarda da revelação. Desejo ser fiel ao leito principal do cristianismo histórico. Não quero uma nova revelação que tenha sido despercebida por Paulo, Pedro, Tiago ou Judas. Não quero ser apóstolo porque não quero me distanciar dos pastores simples, dos missionários sem glamour, das mulheres que oram nos círculos de oração e dos santos homens que me precederam e que não conheceram as tentações dos megaeventos, do culto espetáculo e da vanglória da fama. Não quero ser apóstolo porque não acho que precisemos de títulos para fazer a obra de Deus, especialmente quando eles nos conferem status. Aliás, estou disposto até mesmo a abrir mão de ser chamado pastor, se isso representar uma graduação, e não uma vocação ao serviço.

Não desdenho as pessoas. Apenas sinto um profundo pesar em perceber que a ambiência evangélica conspira para que homens de Deus sintam-se tão atraídos à ostentação de títulos, cargos e posições. Embriagados com a exuberância de suas próprias palavras, crentes que são especiais aceitam os aplausos que vêm dos homens e esquecem que não foi esse o espírito que norteou o ministério de Jesus de Nazaré.

Jesus nos ensinou a não cobiçar títulos e a não aceitar as lisonjas humanas. Quando um jovem rico o saudou com um “Bom Mestre”, rejeitou a interpelação: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus” (Mc 10.17, 18). A mãe de Tiago e João pediu um lugar especial para os seus filhos. Jesus aproveitou o mal-estar causado para ensinar:

Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos. (Mt 20.25-28.)

Os pastores estão se esquecendo do principal. Não fomos chamados para ter ministérios bem-sucedidos, mas para continuar o ministério de Jesus, que foi amigo dos pecadores e compassivo com os pobres, e identificou-se com as dores das viúvas e dos órfãos. Ser pastor não é acumular conquistas acadêmicas, não é conhecer políticos poderosos, não é ser um gerente de grandes empresas religiosas, não é pertencer aos altos escalões das hierarquias religiosas. Pastorear é conhecer e vivenciar a intimidade de Deus com integridade. Pastorear é caminhar ao lado da família que acaba de enterrar um filho prematuramente e que precisa experimentar o consolo do Espírito Santo. Pastorear é ser fiel a todo o conselho de Deus; é ensinar ao povo a meditar na Palavra de Deus. Ser pastor é amar os perdidos com o mesmo amor com que Deus os ama.

Pastores, não queiram ser apóstolos, mas busquem o secreto da oração. Não ambicionem ter megaigrejas, mas busquem ser achados despenseiros fiéis dos mistérios de Deus. Não se encantem com o brilho deste mundo, mas busquem ser apenas serviçais. Não alicercem seus ministérios sobre o ineditismo, mas busquem manejar bem a Palavra da verdade, aquela mesma que Timóteo ouviu de Paulo e que deveria transmitir a homens fiéis e idôneos, que por sua vez instruiriam a outros. Pastores, não permitam que os seus cultos se transformem em shows. Não alimentem a natureza terrena e pecaminosa das pessoas; preguem a mensagem do Calvário.

Santo Agostinho afirmou: “O orgulho transformou anjos em demônios”. Se quisermos nos parecer com Jesus, sigamos o conselho de Paulo aos filipenses: “Tende o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois Ele subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.5-8).

Ricardo Gondim, Pastor da Assembleia de Deus Betesda, em São Paulo (www.ricardogondim.com.br)

12 fevereiro 2009

A preciosidade da vida!

Graça e Paz a todos em o nome de Jesus Cristo!

Hoje quero utilizar o espaço para apresentar um grande amigo: Rev. Marcelo Centeno - um dos primeiros colaboradores do site que se "desviaram". Atualmetne pastor da Igreja Presbiteriana Independente em Belo Horizonte, Marcelo nos apresenta um texto referente a uma das parábolas de Jesus, a de Mt 13:45-46, o qual, creio, há de ser bem proveitoso para nossa caminhada na busca pelo Reino de Deus e Sua justiça. No mais, nosso muito obrigado ao Rev. Marcelo Centeno por nos abençoar neste dia.



O reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas e, encontrando uma de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a. (Mt 13:45-46)


Qual é a coisa mais valiosa para você? Neste texto vemos Jesus dizendo que o Reino de Deus tem um valor superior a todos os outros. As pérolas eram muito apreciadas no mundo greco-romano, e Ele usa a imagem de uma pérola preciosa para ilustrar o valor do Reino.

Esta ilustração tem como personagem um negociante cujo negócio é procurar pérolas e, para ele, uma preciosa que encontrou valia mais do que tudo o que possuía. Ele então vendeu tudo o que tinha para comprá-la, ou seja, nada do que ele possuía era mais valioso do que essa jóia.

O Reino de Deus, ou dos Céus, é o domínio de Deus sobre a vida. Esse Reino ainda não se instalou totalmente, mas já está entre nós e ao nosso alcance. Somos convidados pela Palavra a nos achegarmos ao Reino de Deus.

Jesus mandou que a gente o buscasse. Buscar o Reino de Deus é aceitar Jesus, não de boca, mas atentar para os seus mandamentos, exemplos, palavras. Não é apenas um nome numa camiseta ou boné, mas viver em todos os momentos como um verdadeiro discípulo de Jesus.
Que nós abramos os nossos olhos. Nós somos como aquele comerciante em busca da pedra preciosa. Façamos dela a coisa de maior valor em nossas vidas.


Revº Marcelo Centeno

09 fevereiro 2009

Aprendendo a orar em Silêncio!


"Ah, se eu soubesse onde encontrá-lo, e pudesse chegarão seu tribunal! Exporia ante ele a minha causa e encheria a minha boca de argumentos. "

- Jo 23:3,4

“...Na verdade, falei do que não entendia coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia. 4Escuta-me, pois, havias dito, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás. 5Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. 6Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.”

Jo 42.1-6

Orar é como procurar por um Oasis em meio ao deserto. Onde está? Ah, se eu soubesse, mataria minha sede! Em nosso caso, caminhamos em meio ao deserto pela oração em busca da fonte de água viva, para que possamos saciar nossa sede. Orar é ainda um olhar para o alto na esperança de que o maná nos seja dado, para que este pão da vida sacie nossa fome de amor, justiça, paz, alegria, e abundância de vida (Jo 10.10).

Somo como Jô. Em nosso sofrimento, assim como ele, desejamos muito saber onde Deus está para tão somente apresentar diante dEle nossa causa, e os argumentos de que não podemos sofrer tanto. Desejamos apresentar diante dele nossas razões, e ouvir de Deus seus esclarecimentos. Mas, se somos em essência como Jô, é certo que ficaremos estáticos, mudos, quando Deus se apresentar e falar. Jô se calou por ser esta a reação natural de quem encontra a Deus. É impossível não maravilhar-se, não se estremecer diante dEle. Jô, porém, calou-se para depois, ao falar, não procurar sentido nas palavras “fora de contexto” de Deus, mas apenas confessar: “bem sei que tudo podes, e nenhum dos seus planos pode ser frustrado” Jó. 42.2.

Não que inexista a necessidade de falar com Ele no encontro da oração, ou isto o seja proibido, pois assim não seria esta um falar diário com Deus. Mas não podemos ser afoitos, tagarelas, pois Jesus já nos ensinou que nosso muito falar não resolve a questão. Segundo Jesus é preciso saber que Deus sabe das nossas necessidades, e de que Ele não nos deixará sem auxílio (Mt 6). É preciso, portanto, aprender a se aquietar e saber que o Senhor é Deus, e isto significará muitas vezes orar através do silêncio. Jô orou diante de Deus em Silêncio, e Ele o ouviu (Jó 42. 10-17)!

Desta forma, precisamos aprender também a silenciar as vozes de nosso coração ao orarmos! Quando assim o fazemos, em espírito, e pelo Espírito, oraremos além de nossas percepções, na busca de Deus, em e além de nós. Por isto, precisamos ver a oração como um caminhar à procura de Deus, para nEle nos calarmos. Um caminhar até a presença de Deus para nEle nos sentirmos acolhidos. Um caminhar em direção a Deus em Jesus Cristo para, emudecidos ou com gemidos, nos lançarmos aos seus pés e sermos curados.

Se o seu coração procura a Deus pela oração, aprenda a orar em Silêncio, pois, nele há muitas vozes falando, mas, para ouvir ao Senhor, é preciso se calar. Desta forma, quando Ele falar, poderás confessar como Jó: 2Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia. 4Escuta-me, pois, havias dito, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás. 5Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. 6Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.” Jo 42.1-6.


No amor daquele que por intercede diante do Pai,


Cleber B. Gouveia

06 fevereiro 2009

Pequena só no Tamanho


Graça e Paz a todos da parte de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!

Hoje quero compartilhar mais um texto com vocês. De autoria do Pr. Silas Silveira, pastor Jubilado da Igreja Presbiteriana Independente, o texto Pequenas só no Tamanho presente em seu livro PASTORAL DO OCASO, da editora Pendão Real, nos fala sobre o poder das pequenas coisas que, à primeira vista, não fazem diferença, mas no final se mostram de grande importância. Deus os abençõe com este texto, em o nome do Senhor Jesus Cristo, amém!


PEQUENA SÓ NO TAMANHO

Há cousas pequenas que podem mudar completamente vidas e fatos. Entre elas existem uma que é maravilhosa: a gota. 

São as gotas que fazem a chuva, tornando possível e agradável a vida. Sem essas benditas gotas, não teríamos as abençoadas chuvas que Deus manda.

Os pessimistas dizem que adianta nada; é uma gota de água no oceano. Os cinco pães e os dois peixinhos daquele menino pareciam não adiantar nada para uma multidão de cerca de 15 mil pessoas; era uma gota de água no oceano. Mas Jesus multiplicou esse alimento e foi possível alimentar todos, e ainda sobrou.

Uma outra gota que assusta é aquela da qual se diz: foi a gota de água que entornou . Quantas vezes, depois de reprimir o instinto agressivo e até de defesa, surge a gota que entorna o caldo. O pequeno fato ou a palavra era o que faltava para se desfazer uma esperança, dissolver um laço de amor ou amizade, ou para se extravasar o ódio e até o crime.

E que dizer daquelas gotas de sangue que Jesus verteu em sua paixão e agonia? São as gotas mais benditas, pois são gotas de amor e redenção, derramadas pelo divino Mestre Salvador.

E, para os olhos irritados, embaçados ou doentios, há a gota de colírio. É a gota que dá uma nova visão. No Reino de Deus e na Igreja do Senhor Jesus, precisamos de gente com visão da seara embranquecida e dos necessitados de salvação.

Está faltando aquela gotinha que se coloca na boca das crianças. É a gota que protege a pessoa do sarampo, da coqueluche, da poliomielite e de tantas outras enfermidades. São gotas poderosas que preservam a vida, mantém a saúde e enchem corações de alegria e esperança.

Benditas as gotas, pequeninas e, a primeira vista, insignificantes, mas que são recursos da providência divina para o bem e a felicidade da criatura, e para a glória do Criador.


O Rev. Silas Silveira é pastor Jubilado da I.P.I.B.
e atualmente reside no Lago Norte, Brasília, D.F.

03 fevereiro 2009

O SER PASTOR


Graça e Paz!

Hoje postarei um texto antigo sobre o "ser pastor". Não é um legislar em causa própria. Mas um compartilhar de percepções adquiridas na convivência com pessoas tomadas por Deus para este serviço cristão. Tal como uma poesia, porém sem seus principais elementos, fiz este texto que se segue abaixo:


O SER PASTOR

Talvez a tarefa mais divina que já tenha surgido na história humana, também por isto a mais humana. Cheia de contrastes, como os altos e baixos de uma caminhada numa grande montanha.  Vitórias e derrotas, como as de um grande lutador; talvez mais derrotas que vitórias.

Humano, frágil como um vaso de porcelana, e tão super homem ao mesmo tempo, vive entre o criar e o frustar expectativas. Vive entre o céu e o inferno da vida humana, se equilibrando em cima de uma corda bamba com seu guarda chuva já sem lona, já desgastado pelos temporais de outono, pelo frio seco do inverno, e pelos raios de sol de um verão quente, num sertão sem sobras.

Soldado ferido, que ao cair sem forças durante uma batalha é considerado morto pelos seus, e um peso difícil de se carregar. Jogado então à própria sorte fica no campo de guerra, a espera de um milagre, de uma mão  estendida que o possa levantar, e com amor cuidar de seus ferimentos. De uma voz que lhe dê esperança, pois, para ele a vida é um Dom, e o mais precioso que há, por meio do qual os outros se tornam reais.

Alguém que crê ser possível a realização dos sonhos. Mas que também compreende e assimila as perdas, as impossibilidades, os sonhos inacabados: “Quem sabe ainda possa brotar o ramo da vida no tronco a ser cortado?”

Enfim, um ser. Um ser que vive para o Outro, como também para os outros. Um ser que simplesmente busca tomar forma, honrando ao oleiro sendo aquilo que lhe foi dado como objetivo maior de sua existência que o é: O SER PASTOR...”

No amor do nosso Bom Pastor Jesus Cristo,

Cleber Batista Gouveia
Pastor da I.P.I. do P-Sul, em Ceilândia D.F.
e da I.P.I. em Santa Rosa do Descoberto, em Santo Antônio de Goiás.

29 janeiro 2009

Uma causa que também deveriam ser nossas!


"18Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós. 19A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. 20Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, 21na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. 22Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. 23E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo. 24Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? 25Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos." Romanos 8. 18-25
Hoje foi um dia difícil. Não conseguia escrever nada - e sinto que ainda não estou bem para tal atividade - mas, vendo alguns vídeos de cantores cristãos brasileiros, lendo alguns sites de blogueiros evangélicos meio "reacionários", cheguei a um vídeo interessante. Um discurso feito na plenária da Eco 92, realizada no Rio de Janeiro, ainda no Governo Collor. O Título A menina que calou o mundo chamou muito a minha atenção. Seu discurso, porém, foi ainda mais impactante.

Por isto, hoje quero convidar a todos para entrarem no link http://br.youtube.com/watch?v=r47VNWY84Q0&eurl=http://www.orkut.com.br/FavoriteVideos.aspx?uid=10171427038611040068&sm=add e, ao assistirem o vídeo, refletirem sobre suas ações como cristãos neste mundo em relação ao meio ambiente.

Será que sabendo sobre nossa forma de pensar e agir como cristãos no mundo, haveremos de nos comparar com os anseios desta jovem criança (hoje já uma adulta de 27 anos), ou seremos como os lideres das nações, os quais, apesar de ouvirem e saberem ser necessário uma mudança de atitude para com as coisas criadas, inclusive o ser humano, não agiram e não agem de forma diferente, procurando voltar ao chamado de Deus para a mordomia, o cuidado, para com o toda a criação?

De acordo com o site da Câmara do Deputados http://www2.camara.gov.br/programas/ecocamara/noticias_primeirapagina/voce-sabe-quem-e-severn-suzuki o nome da garota que em 1992 tinha apenas 12 anos, e calou lideres das nações do mundo inteiro, é Severn Suzuki, uma canadense que ainda hoje luta pela consciência humana em relação a destruição do meio ambiente, buscando mudar a mentalidade de todos visando um futuro melhor para toda a criação. No site encontramos a seguinte reportagem a respeito de Severn:

"Severn Suzuki está hoje com 27 anos. É ativista ambiental, formada em Ecologia e Biologia Evolutiva pela Universidade de Yale, Estados Unidos, e sai pelo mundo dando palestras, defendendo a bandeira verde do ambientalismo. Seu público alvo são estudantes e trabalhadores de instituições públicas e privadas. Em sua fala demonstra a sua paixão pelo tema e resgata valores já esquecidos. Desafia sua platéia a assumir responsabilidades individuais e coletivas em prol do meio ambiente. Desenvolve muitos projetos ambientais e participa de diversas expedições científicas. Foi membro do Painel Especial de Aconselhamento de Kofi Annan – Presidente da ONU No seu discurso feito na Eco 92, Severn Suzuki destaca a importância da responsabilidade compartilhada: “Durante todos estes anos que se passaram desde a Conferência do Rio, aprendi que dirigirmo-nos aos nossos líderes não é o suficiente, pois não estamos limpando o que sujamos. Não estamos pagando o preço do nosso estilo de vida. Tal como Gandhi disse muitos anos antes, “temos de nos tornar a mudança que queremos ver acontecer“. Uma verdadeira mudança ambiental depende de nós. Não podemos esperar pelos nossos líderes. Temos que nos focar no que são as nossas responsabilidades e em como podemos provocar estas alterações”. Então aceitemos este desafio e continuemos a transformar a realidade! "

Severn ainda continua em sua missão de lutar por um mundo melhor, acreditando de que isto virá de uma consciência maior para com o meio ambiente. E o faz isto por entender ser nossa missão, como seres humanos, o cuidar com zelo do resto da criação. Vale lembrar aqui o fato de que o meio ambiente é visto por Deus em Gênesis como algo bom (Gn 1.21), e que, segundo este mesmo relato, o Senhor constituiu o ser humano como uma jardineiro, o qual deveria dar nomes e gerir as coisas no grande jardim que era a terra. Ou seja, gerir como mordomos a criação de Deus (Gn 2.15).

É claro que a mudança da mente não virá por nós mesmos, mas pela ação de Deus mudando mentes pelo Espírito Santo. Contudo, onde estãos os cristãos nesta mesma luta de Severn? Onde estão os ideais ecológicos de Deus em nós? É certo de que não podemos ficar de mãos atadas, consequência de mentes cauterizadas, pois nós, cristãos, deveríamos ser sal e luz também nas questões ligadas ao meio ambiente, de onde fomos tirados, e recolocados cheios do sopro da vida, para viver entre e com todos os seres e plantas criados por Deus neste grande jardim, hoje mal cuidado, chamado Planeta Terra (Rm 8. 18-25).

No amor daquele em que todas as coisas foram criadas, existem e são restauradas!

Cleber B. Gouveia
Pastor da I.P.I. do P-Sul, em Ceilândia, D. F.
e na I.P.I. de Santa Rosa do Descoberto, em Santo Antônio de Goias..

27 janeiro 2009

BARUK OU ARUR


Amados e amadas em Cristo Jesus, boa noite! Agora são 21:11 hrs deste rápido mês de janeiro. Acabo de ler o boletim da Catedral Evangélica de São Paulo, no qual fui muito abençoado pela mensagem do Rev. Abival. Por isto, compartilho a mensagem com vocês do falar em Deus:



“Eis que te proponho a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe,
pois, a vida para que vivas tu e a tua semente”
(Deuteronômio 30.20)

O texto acima diz a respeito a um momento decisivo na história do povo de Israel, quando Deus coloca diante dele esta dupla opção: vida ou morte, bênção ou maldição. O apelo é para que o povo escolha a vida e seja uma bênção.

A alternativa bênção - maldição corresponde, no hebraico, à expressão baruk - arur. Baruk é bênção. Arur é maldição.

Assim, a nossa vida pode ser baruk ou arur. O jardim é baruk, a serpente é arur. Abel é baruk, Caim é arur. Jacó é baruk. Esaú é arur. Elias é baruk, Jezabel é arur. Davi é baruk, Golias é arur.

Deus quer que a nossa vida seja baruk.

É por isso que no Antigo Testamento a bênção (baruk) constitui-se na categoria bíblica e teológica mais importante. Na verdade, a bênção no Antigo Testamento é o prelúdio da graça no Novo Testamento. Aquilo que se denomina graça no Novo Testamento encontra sua preparação na bênção do Antigo
Testamento.

Assim, em última análise, a bênção na qual serão abençoadas todas as nações da terra é o próprio Messias - Jesus Cristo - “que Deus ressuscitou e enviou para nos abençoar” (Atos 3. 25, 26). Por isso, o Evangelho é a grande oferenda da bênção, da graça, da vida e da salvação. Em Cristo, Deus renova sua proposta de vida ao coração da humanidade e promete abençoá-la. Isso é baruk.

Em nosso mundo dominado pela morte e maldição, é gratificante lembrar a promessa de vida e de bênção feita por Deus.

Com o ano que inicia começamos nova caminhada. Deus quer que ela seja caminhada de vida e de bênção. Mas, o que fazer para que assim seja?

A própria palavra de Deus, no texto de Deuteronômio, nos dá a resposta: “Amando o Senhor teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele”.

Rev. Abival Pires da Silveira
Pastor da Catedral Evangélica de São Paulo

23 janeiro 2009

Oração: caminho para o Reino de Deus!


“Portanto, ponham em primeiro lugar na sua vida o Reino de Deus e aquilo que Deus quer, e ele lhes dará todas essas coisas”. (Mateus 6.33)


O gentio não sabe o que é orar. Pois orar é buscar algo além de nós mesmos, e, de forma específica para o Jesus Cristo, buscar ao Deus Criador que nos fez, e sua justiça, único capaz de prover sustento para todas as coisas criadas. O gentio, portanto, se desespera por buscar sua segurança em imagens que não podem fazer nada, falsos deuses fabricados segundo a personalidade de quem o fez, controlados por ele, segundo suas vontades. Desta forma, buscam o sentido em si mesmo, e não além de deles, e por isto, não sabem orar, não oram, e não encontram paz e tranqüilidade diante das circunstâncias. Este é o motivo da inquietação do gentio diante da insegurança do dia-a-dia, das inúmeras incertezas que tomam conta do seu coração.

O crente, porém, busca com fé aquele que o fez, o salvou, e por ele tem um amor eterno. Na oração ele vai além de si mesmo, do rei ou governante na terra, para encontrar tranqüilidade quanto a satisfação de suas necessidades. Ele vai de encontro com o Reino de Deus, na certeza de que neste Reino há um Deus, um Senhor que não ignora sua vida e necessidades, e com amor o tem em cuidado.

A oração é, ainda, a única forma de alcançar o Reino, pois este não é deste mundo, mas o transcende. Transcende por não ser deste mundo – ainda que já manifesto nele -, por não ter as mesmas estruturas pecaminosas, conseqüentemente injustas e destruidoras da vida.

O Reino que se encontra pelo caminho da oração é de Deus, e é justo, é onde há a vida. Assim sendo, orar é preciso, e sempre! Pois ao orarmos na busca do Reino de Deus em Cristo Jesus encontraremos descanso para nossa alma cansada, renovo de forças diante da fadiga, certeza em meio a incertezas, alegria, amor, paz, tranqüilidade, provisão; uma vida sem medos e conseqüente ansiedade.

Por isto, oremos, sempre, para que possamos alcançar o Reino. Digamos em nossos corações a cada manhã: “venha o teu reino, seja feita a sua vontade!”. Por isto, vivamos segundo os valores deste Reino, pois é certo nas palavras do Senhor Jesus que este Reino há de ser encontrado, e sua justiça vestida em cada um dos que se achegam a ele. Louvemos ao Senhor por causa da Sua misericórdia, bondade, e fidelidade presentes na vida dos que buscam Seu Reino!

Cleber B. Gouveia,
Pastor da I.P.I. do P-Sul, em Ceilândia, D.F.,
E da I.P.I. em Santa Rosa do Descoberto, Santo Antônio de Goiás.

20 janeiro 2009

Encontrando o Caminho da Quietude no Senhor!




Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra. Salmo 46.10


Estamos já no meio do mês de janeiro, e como nossos dias parecem voar! Não sei se verdadeiramente eles estão ficando curtos, se as vinte e quatro horas estão ficando cada vez menores, e se a terra gira mais rápida que antes. Talvez sim, talvez não, mas, mesmo assim, não tão rápida ao ponto de tornar os dias tão menores. O que poderia estar acontecendo então?

Acredito que os dias podem estar menores milésimos de segundos, mas não serem estes a causa de nossa incapacidade de viver e realizar tudo o que “precisamos” a cada dia, e sim a diminuição de nossa capacidade de percepção das coisas a causa de tal pressentimento de dias mais curtos. Mas capacidade para perceber o quê? Capacidade para perceber o quanto nos atarefamos além de nossas possibilidades, com metas inalcançáveis e cada vez maiores. Criamos atividades demais para nós e nossa família ao ponto de não termos mais tempos para gozar um dia todo juntos, quanto mais juntos na Igreja ou em casa na intimidade com o Senhor.
Mas por quê? Pela inquietação do coração! Sim! O “coração inquieto” é um mau hediondo presente em nossos dias, e o chamamos de ansiedade. A ansiedade decorre de um coração inquieto. O “coração inquieto”, por sua vez, resulta (1) da nossa incapacidade para enfrentar os desafios cotidianos, fazendo-nos ter o sentimento de incapacidade de vencê-los, levando-nos ao desespero. Um “coração inquieto” resulta ainda (2) da insatisfação para com nós mesmos, e, desta forma, da busca incontrolavelmente de nos atarefarmos na tentativa de encontrar sentido em algumas coisas além de nós. A vivência do dia-a-dia, porém, prova ser ineficaz tal remédio para ambas as situações.
O remédio? A Bíblia já nos diz: aquietar o coração e saber que o Senhor é Deus.

Perceber a presença de Deus conosco diante dos gigantes que se levantam nos faz ser como Davi: não temer os dias maus, e enfrentá-los na certeza de que Deus nos ajuda a vencer (Sl 116.7)!
Perceber que o Senhor é Deus e está conosco nos leva a buscar refúgio, sentido, não nas coisas criadas por Ele ou por nós (fonte de toda inquietação), mas nEle, e, desta forma, encontramos descanso para nosso coração inquieto, pois, “ ...fartou a alma sedenta, e encheu de bens a alma faminta” (Sl 107.9).

Por isto busque sempre aquietar o seu coração diante de circunstâncias que possam trazer inquietude. Busque esta posição de quietude em Jesus Cristo sempre que se sentir só, desamparado, afligido, ou mesmo faminto na alma, e diga a si mesmo: sabei que o Senhor é Deus! Com toda certeza seus dias não passarão tão rapidamente, você terá tempo para si mesmo e sua família, e, claro, para descobrir cada vez mais o quanto o Senhor é Deus; o único e verdadeiro Deus capaz de te acalmar!


No amor daquele que é nosso refúgio e fortaleza,

Cleber B. Gouveia.
Pastor da I.P.I. do P-Sul em Ceilândia, Distrito Federal,
e da I.P.I. em Santa Rosa do Descoberto, em Santo Antônio do Descoberto, Go.

13 janeiro 2009

Uma boa forma de vida para 2009




“...ainda dentro de pouco tempo aquele que vem virá, e não tardará [...] Assim, pois, não durmamos como os demais; pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios.”
Hebreus 10.37 e I Tessalonicenses 5.6

No primeiro culto deste na IPI do P-Sul, igreja a qual pastoreio em Ceilândia, DF, falamos como de costume em todo início de ano da necessidade e importância de um planejamento pessoal, familiar e eclesial.

Senti-me, entretanto, direcionado por Deus para dar ênfase num planejamento que vise a Vontade de Deus e priorize o Seu Reino. Neste sentido exortei para que pudéssemos entender o nosso lugar no Reino do Céus, anunciado e inaugurado por Jesus Cristo; neste projeto maravilhoso e sobrenatural de Salvação e Restauração de todas as coisas criadas.

Finalizei o sermão conclamando a todos a, com esta visão, planejar seus dias em 2009 como se fossem os últimos, no sentido de ter desejo ardente, anseio pela vinda de Jesus Cristo com novos céus e nova terra, com a nova Jerusalém, estabelecendo de uma vez por todas o Reino de Deus entre nós (Ap 3.12 e Ap 21. 1-8) .

Pedi que planejássemos cada detalhe como se Jesus voltasse agora, de forma que a santificação, a relação com o Senhor pela oração, a espiritualidade cristã como um todo, e testemunho através do serviço cristão se tornassem imprescindíveis em nosso dia-a-dia, assim como o ar, a água, a casa, o trabalho, o arroz e o feijão o são.

Penso ser esta uma boa forma de viver nossos dias tão cheios de maldade e vazios pela falta de conhecimento e temor ao Senhor. Sim, pois quando temos grande expectativa na segunda vinda do Senhor Jesus Cristo vivemos com mais responsabilidade como Cristãos quanto ao nosso chamado ao anúncio do projeto de Deus aos seres humanos, e restante da criação.

Sem esta expectativa do "...venha o teu reino..." nossa vida se torna medíocre, pois não vê outra coisa a fazer até a morte a não ser comer e beber de forma irresponsável e destrutiva. Sem esta expectativa do "...venha o teu reino..." resta-nos somente o apegar as coisas de mundo, perecíveis e sem sentido em si mesmas, tornado-nos pessoas vazias, cristãos sem o fogo do Espírito, sal sem sabor.

Por fim, visando auxiliar na fixação desta idéia, proponho alguns passos a serem dados:

a) medite constantemente nos textos bíblicos que se referem a segunda vinda de Jesus Cristo (Atos 1.11; I I Tss 4. 13 a 5. 11, II Pe 3. 10-13; Ap. 1. 7-8, Ap. 3.11, Ap. 22.7 entre outros ).

b) Reflita nas promessas para os crentes que aguardam este dia, bem como na necessidade de estar preparado para Sua vinda (Fp 1.6; Col. 1.10 e 3.4; I Tss 2.10-12; Hb 12.14; II Pe 3.13, Ap. 21. 1-8 entre outros)!

c) Converse em família, desperte seu conjugue e filho(s) para tal verdade, e, juntos, casal e filhos, orem ao Senhor louvando Seu nome por ter revelado seus mistérios a você e à sua família (Hb 3.13).

Que 2009 seja o ano da volta de Cristo, mas, se assim não acontecer, viva como se fosse agora esta volta, sem retroceder um passo na fé que nos dá a certeza das “...cousas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem” (Hebreus 11. 1), pois, aos que anseiam por tal fato há grande recompensa (2 Tm 4.8)!

No amor daquele que vem sem demora trazer-nos novos céus e nova terra,


Cleber B. Gouveia

Pastor da IPI do Brasil na IPI do P-SUl, Ceilândia, D.F.
e IPI em Santa Rosa do Descoberto, Santo Antônio do Descoberto, GO.

08 janeiro 2009

Orai pela Paz entre os povos!


"Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um [...] para que dos dois criasse em si mesmo um novo homem, fazendo a paz [...] por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade."

Efésios 2. 14a e 16b



Israel sempre foi um país assolado por guerras. Em sua história, numa grande maioria dos relatos bíblicos, esta nação conhecida no Antigo Testamento como Povo de Deus se viu oprimida, devastada, humilhada. Muitas destas guerras decorreram da infidelidade ao Senhor. Se os habitantes de Israel abandonavam a Deus, e se voltavam para os deuses estranhos, eram consequentemente "tratados" pela guerra, havia a destruição do Reino e de Jerusalém, e eram exíliados para servirem a outros reis.

É certo que o povo de Israel fora alvo do ódio decorrente de sua devoção ao único e verdadeiro Deus. Daniel é um exemplo disto, e fora jogado na fornalha e na cova dos leões por não se dobrar diante de falsos deuses. Neemias também sofreu perseguição ao tentar reconstruir Jerusalém. Houve ainda o Holocausto, um dos maiores crimes de guerra já cometidos em nosso tempo. Nisto tudo, porém, sempre houve da parte de Deus o resgate, o livramente, o perdão, e a reconstrução de Israel como nação, e toda esta história não pode ser desculpa para fazer o mesmo com outro povo, ainda que esta lhe hostil.

A guerra nunca é boa. Nela se perde muitos. Ainda mais as guerras atuais onde a ambição pelas riquezas, ou mesmo a vontade de exterminar o outro, fazem surgir verdadeiros genocídios em todo mundo, como é o caso da Chechênia e Dafur, e agora na Faixa de Gaza.

Diante de tal cenário sempre resurge o clamor do salmista que pede: "orai pela paz de Jerusalém!" (Sl 122.6), e entendo ser urgente tal atitude. Entretanto, além de precisar orar por Jerusalém, necessito orar também pela paz para as crianças, mulheres e adultos da faixa de Gaza, muitos dos quais não desejam esta guerra.

Sei que os mulçumanos extremistas não são desculpáveis e provacam retaliações de Israel. Contudo, os ataques desproporcionais atingindo criancas e famílias que fogem da guerra, ao invés de acabar com o terrorismo em Israel fomentará mais o ódio. E, olhando para os ataques dos tanques e aviões israelenses, estes parecem decorrer mais por um ódio desfarçado de "direito de defesa" que por necessidade desta contra os palestinos. Porque, se assim o fosse, onde está a necessidade de impedir ajuda humanitária, ou mesmo a saída das famílias e indivíduos que buscam refúgio?

O nosso tempo nos possibilita atingir alvos sem grandes erros. A inteligência militar e a tecnologia pode nos proporcionar ações mais objetivas, sem atingir inocentes, o que nos faz pensar: a guerra não é mais por uma necessidade de sobrevivência, visando proteger as crianças e mulheres, mas por vingança e ódio, de ambos os lados.
Por isto oro pela paz de Israel e pela dos Palestinos e Árabes em geral, e o faço de forma específica pela paz no coração. Sim, aquela paz que só Jesus pode dar (Jo 14.27), a qual advém pela fé nEle como Messias e Salvador. Ambos povos ainda não a conhecem - a não ser alguns poucos - e por isto não podem deixar de viver a máxima de "olho por olho, dente por dente". Mas, Jesus pode fazer judeus e árabes entenderem que procedem do mesmo pai, e de que a cruz também pode lhes fazer um só homem, um só povo, e viverem uma mesma paz para a vida, e esta eterna.

Posso ser taxado de ingênuo, mas não posso deixar que o meu coração se torne insensível ao sofrimento alheio, ainda que seja alguém que não compartilhe de minha fé. Que a luz do Senhor brilhe em meios as trevas do ódio e da guerra, e o amor seja o arbitro e vincúlo da paz nos corações de Judeus e de Árabes, para nossa alegria, para o bem das crianças judaicas e palestinas, e para a Glória de Deus Pai.


No amor daquele que nos aproximou nele,


Cleber B. Gouveia
Pastor da IPI em Santa Rosa do Descoberto, Goiás
e da IPI do P-Sul, Ceilândia, D.F.




07 janeiro 2009

Novas postagens

Amados e amadas no Senhor Jesus Cristo, Graça e Paz!


Peço desculpas pelo tempo sem novas mensagens. Infelizmente fiquei sem internet em minha volta para Brasília, onde hei de pastorear a IPI do P-Sul, em Ceilândia. Somente hoje consegui linha telefônica e internet. Contudo, agradeço os acessos. Isto nos faz crer de que há outro conosco em nossa caminha de fé. Orem por mim e por minha esposa, Graziela. Precisamos muito! Prometo que nesta semana teremos uma nova postagem! Não deixem de acessar!

No amor de Cristo Jesus,

Cleber B. Gouveia.

Ps.: Feliz Natal e Ano Novo atrasados!