02 julho 2009

AFIRMAÇÕES DA CEIA DO SENHOR


Na maioria das Igrejas cristãs, celebramos a Ceia do Senhor pelo menos uma vez ao mês. Na tradição judaica é a celebra da libertação da escravidão do Egito, mas, para a Igreja, qual é o significado deste Sacramento? Pessoalmente creio que, ao celebrarmos a Ceia, fazemos alguma afirmações, as quais exponho a seguir:

1. A Afirmação da fé (João 6.22-40; 2ª. Tm 2.22): quando participamos da Ceia afirmamos nossa fé. Não fé na fé, mas fé na pessoa de Jesus Cristo e Sua obra na Cruz (Atos 2.41-42). Cremos que Seu corpo entregue na Cruz nos substituiu diante do juízo de Deus, e ali Ele se fez maldição em nosso lugar para que fossemos salvos (Gl 3.13; 1ª. Pe 2.24). Cremos que o sangue derramado nos purifica de todo pecado, e que tal obra de amor foi sacrifício perfeito, do qual Deus se agradou, e pelo qual somos justificados pela fé (Hb 9.14)! Cremos que fomos libertos do poder do pecado e da morte, bem como da ingerência do Mal em nossas vidas (Cl 1.13 e Ap 1.5). Ou seja, na celebração da Ceia afirmamos que, pela obra de Jesus na Cruz, somos salvos, regenerados, purificados, vivificados, aproximados de Deus, e uns dos outros (Ef 2.11-22).

2. A Afirmação da comunhão (At 2.42 e 1ª. Cor 11.33): quando participamos da Ceia do Senhor, como Igreja reunida, afirmamos possuir uma só fé, um só batismo, um único pão, o mesmo sangue derramado, uma só esperança, um só Senhor e Salvador, e uma mesma vida e participação comum nos benefícios que esta obra de salvação nos traz (1ª. Cor 10.14-22; Ef 4.1-6). Entendemos não estamos sozinhos; há outros conosco! Há uma família da fé, e esta é a nossa família na fé (Gl 6.10; Ef 2.19 e 3.15). Afirmamos precisar andar juntos, cuidar uns dos outros, servir a mesa uns aos outros e, assim, caminharmos com o mesmo propósito de servir a Deus entre os seres humanos destituídos da Sua Glória. Por isto, Paulo nos diz ser preciso ter discernimento do Corpo de Cristo, a Sua Igreja, para que não caiamos em condenação ao participarmos da mesa comum (I Cor 10.16-17 e 29).

3. A Afirmação da vida (João 6.35 e 48; Rm 5.18): pois, se ela é, desde os tempos antigos, a celebração da libertação da escravidão, então é a celebração da vida! Isto porque não podemos nos esquecer de que a escravidão, devido aos trabalhos pesados, sem descanso, e a péssima alimentação, levava para a morte (Êx 5.1-21). Em nosso caso, éramos escravos do pecado e, presos a ele, sofríamos as suas conseqüências, sendo a pior e última delas a morte eterna. Mas, se o salário do pecado é a morte, o Dom gratuito de Deus em Cristo Jesus é a vida eterna, e por isto celebramos a Vida (Rm 6)! Afinal, os que estão em Jesus Cristo são nova criatura, e desta forma vivem uma vida nova abundante de paz com Deus, Alegria, Poder, Amor, Graça, e de Sua presença que lhes traz esperança (João 10.10 e 11.25)!

4. A Afirmação da Esperança (Hb 9.26): Em sua carta aos de Coríntios, Paulo diz ter recebido instrução do Senhor de que a Ceia deveria ser realizada em Memória dEle, e até que Ele venha! Desta forma, ao celebrarmos a Ceia relembramos Seu sacrifício, e anunciamos sua volta (1ª. Cor 11.26)! Nós, porém, muitas vezes participamos da Ceia sem fé no que ela comunica no presente e aponta para o futuro, e nossas celebrações se tornam em funerais, ou sem sentido. Jesus Cristo morreu, mas também ressurgiu de dentre os mortos e vive, e vem para nos buscar no Dia do Senhor (Hb 10.37). Aleluias!

Por isto, celebre o Sacrifício de Jesus Cristo na Cruz; a vida que este nos traz; e a esperança de que um dia Ele vem para buscar os Seus, trazendo consigo novos Céus e Nova Terra, os quais, da parte do Pai, já estão preparados para nós (Isaías 65.18; 2ª. Pe 3.13; Ap 21.1-2).

Cleber B. Gouveia
Pastor das IPIs do P-Sul, em Ceilândia, D. F. e
Santa Rosa do Descoberto, em Santo Antônio do Descoberto, Go.

25 junho 2009

PERSISTINDO NO CAMINHO DA GRAÇA


“Despedida a sinagoga, muitos dos judeus e dos prosélitos piedosos seguiram Paulo e Barnabé, e estes, falando-lhes, os persuadiam a perseverar na graça de Deus.” Atos 13.43

A palavra Graça no grego é Caris, e significa “favor imerecido”. Nós, cristãos, somos chamados a viver segundo este favor de Deus dado a nós, pois é segundo este que não somos destruídos pela Ira Divina. Mas como é difícil, não é mesmo? Afinal, há outro ser criado o qual busca tanto ter justiça em si mesmo? Aí, se erramos nos afastamos de Deus, pois achamos que Ele não nos ama mais; e, se permanecemos em pé, também somos afastados, pois a soberba do nosso coração nos justifica diante de nós mesmo, e para este não há espaço para justiça de Cristo agir com poder restaurador segundo a Graça de Deus Pai. A Palavra, contudo, nos chama a permanecer na Graça, pois ela é:

A forma como Cristo se revela a nós, e a forma como nEle vivemos (João 1.14): Jesus se manifestou cheio da Graça de Deus. Nele, as pessoas com as quais conviveu no tempo de seu ministério terreno sempre experimentaram do amor e do favor Divinos. Ele curou, Ele libertou, ele ensinou o caminho de volta para Deus, ou seja, em ações ou palavras, o Senhor Jesus Cristo manifestou graça (Lucas 4.22; João 1.15-17; Romanos 1.5). Como não conseguíamos nos achegar a Deus, pois os nossos pecados só nos afastavam cada vez mais de Sua presença (Isaías 59.2), o fato dEle ter-se encarnado e andado entre nós trazendo perdão, reconciliação, e vida eterna, deve levar-nos, em resposta a este favor imerecido, para esta Graça inefável; para uma vida de gratidão e entrega; e à pratica da Sua vontade revelada a nós. E esta afirmação leva-nos a compreender que a Graça de Deus é:

A forma pela qual recebemos os Dons que nos fazem frutificar no Senhor (Romanos 1.5): Paulo tinha esta consciência. Ele sabia que toda a sua capacidade e autoridade vinham da Graça de Deus, e esta estava em Jesus Cristo. Paulo tinha plena convicção de que não merecia pregar o Evangelho; não merecia o poder de Deus nem sua autoridade; não merecia o perdão dos seus pecados e a vida eterna, e afirma: tudo é pela Graça de Deus em Cristo Jesus! Paulo aprendeu que sozinho, segundo a sabedoria humana, seu serviço junto aos gentios seria infrutífero, mas que, pela Graça, seria poderoso e frutífero para a glória de Deus em Cristo Jesus (2ª. Coríntios 1.12). Por isto, ele exorta aos de Gálatas a voltarem para o viver pela Graça (Gálatas 5. 1-12). Paulo aprendeu no Senhor que a Graça era a chave para uma vida com Deus, cheia de Sua presença, do Seu poder, e dos Dons que nos fazem frutificar (2ª. Coríntios 12.9), pois, é ela:


A Forma pela qual somos justificados em Jesus Cristo (Romanos 3.24): nossas obras, por melhores que sejam diante de Deus, não têm força de justificação, e desta forma precisamos entender que nossa salvação não pode vir de nós mesmos! O espiritismo e outras religiões no Brasil e no mundo tentam impor a idéia de que podemos chegar à redenção por nós mesmos. A realidade, porém, nos mostra que não. Não importa quantas gerações tenhamos pela frente, não alcançaremos a redenção por nós mesmos. Pelo contrário! Apesar de toda a evolução do conhecimento e da qualidade de vida, caminhamos para a destruição das coisas criadas. Basta-nos olhar para as guerras por motivos econômicos, visando a exploração e nunca libertação e a preservação da vida; para os desmatamentos e poluição do meio ambiente, os quais destroem a Camada de Ozônio, e trazem o aquecimento global. A restauração, portanto, vem do Senhor por meio do Seu Cordeiro que tira o pecado do mundo, e tão somente por ele (João 1.29; Romanos 3.24). Como Paulo já nos disse: pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus (Efésios 2.8). Nada do que recebemos de Deus é por méritos próprios, e a Salvação não seria diferente (Tito 3.7).

Assim sendo, entendamos: é preciso continuar andando no caminho da Graça. Não rejeite o “favor imerecido” que o Senhor nos traz em Jesus Cristo! Se assim o fizermos, vamos viver melhor a vida cristã, com alegria, disposição, e frutificando para a Sua glória! Termino fazendo a cada um de nós o mesmo convite que o autor de Hebreus fez aos de seu tempo: “Por isto tenhamos confiança e cheguemos perto do trono divino, onde está a graça de Deus. Ali receberemos misericórdia e encontraremos graça sempre que precisarmos de ajuda.” Hebreus 4.16

Cleber B. Gouveia, pr

01 junho 2009

A proposta do Evangelho do Reino de Deus


Evangelização não é o mero anuncio do Evangelho, não é o anuncio de um discurso; evangelização é uma proposta de vida. Ela, portanto, não é um discurso qualquer, mas é uma proposta absoluta de mudança de vida, a começar pelo fato de que a Evangelização é a proposta da possibilidade de viver dentro agora do ambiente divino conforme Deus quer! A Evangelização é o anuncio do jeito que se deve viver.


Evangelizar é, portanto, um processo radical, uma proposta radical, uma proposta definitiva. Não é um discurso ou convite para mudar de religião. Evangelizar é primeiramente uma proposta de ampliação da consciência onde primeiro se percebe que Deus existe e é a realidade do universo, subsistindo todas as outras realidades nEle


A pergunta que surge é? Qual o jeito certo de subsistir nEle? E uma vez que há um jeito certo de subsistir nEle, qual é o caminho? Como se consegue chegar lá? Como se consegue ser deste jeito? Como se consegue fazer isto? São perguntas que estão postas! Aí o Evangelho é a boa notícia a partir da perspectiva do Reino, pois o jeito certo de viver é segundo a justiça do Reino, e o caminho é Jesus Cristo.”

                                                                      

                                                                              Pr. Ariovaldo Ramos

Texto digitado a partir da primeira parte do sermão "O Evangelho do Reino" 

encontrado no site www.lifestream.com.br

13 maio 2009

A monogamia e o caminho dos pingüins

O caminho para o relacionamento conjugal é o da monogamia, não por determinação genética, mas porque fomos criados à imagem de Deus, que é, em si, uma unidade

Uma revista semanal publicou recentemente uma reportagem sobre como os fundamentalistas, através da aparente constatação da chamada “marcha dos pingüins”, que descreve o grande percurso que essas aves percorrem para acasalar-se, e, em grande parte, com os mesmos parceiros da marcha anterior, estão tentando demonstrar como a monogamia é o natural na dispensação divina da Criação. O comentarista da área de ciências dessa revista desancou os tais fundamentalistas, fazendo ver a ingenuidade e a simploriedade desse argumento antropomórfico, deixando claro que há outros fatos no comportamento dessa espécie que, por si só, desautorizam essa conclusão.

O comentarista da revista tem razão. É uma ingenuidade. Mesmo nas Escrituras, esse assunto passou por várias fases:

  • No momento da Criação, Deus ordenou a monogamia (Gn 3.24), e o relacionamento entre homem e mulher era de unidade. Dois seres, mas uma só carne. Duas vidas, mas um só caminho e uma só missão.
  • No evento da queda, Deus subordina a mulher ao homem, dizendo que ela seria governada por seu marido (Gn 3.16).
  • Depois disso, Deus desaparece da cena por sabe-se lá quanto tempo; quando reaparece, encontra a poligamia e, a rigor, não mexe nisso, embora ela signifique a exarcebação do governo do homem sobre a mulher.

  • Quando Jesus Cristo aparece, ele manda voltarmos para o início (Mt 19.8), para o momento da unidade, quando o relacionamento não estava baseado na autoridade, mas na unidade – e, portanto, na cumplicidade.

Alguém poderá dizer que não é assim, porque Paulo diz que a mulher deve ser submissa ao seu marido. Entretanto, o próprio Paulo diz que está falando da relação entre Cristo e a Igreja (Ef 5.32). Nós é que não queremos prestar a atenção nisso, acabando por fazer uma má exegese. Quanto ao relacionamento conjugal, Paulo diz que o homem deve amar a sua mulher como a si mesmo e a mulher deve respeitar ao seu marido (Ef 5.33).

Portanto, não há dúvida, o caminho escolhido por Deus para o relacionamento conjugal é o da monogamia. Mas não por causa de uma determinação genética, nem por causa de um imperativo moral, mas porque fomos criados à imagem e semelhança de Deus, que é, em si mesmo, uma unidade. Logo, não há como ser expressão desse Ser sem, de alguma maneira, participar da unidade que o caracteriza. Daí ser na unidade da monogamia, da família e da comunidade que manifestamos a imagem de Deus. Sim, porque os anjos têm as mesmas qualidades cognitivas e volitivas que nós, mas são tidos como criaturas à imagem de Deus.

E, para além do corpo, que não nos distingue como imago Dei, o que experimentamos de Deus, diferentemente dos anjos eleitos, é que, guardadas as devidas proporções, somos as únicas criaturas de Deus que experimentam a unidade que o distingue. A monogamia não é natural, mas litúrgica. A monogamia fundamentada na unidade. Qualquer outro tipo de relacionamento no casamento conspurca a imagem de Deus.


Ariovaldo Ramos

é filósofo e teólogo, além de diretor acadêmico da Faculdade Latino-americana de Teologia Integral, missionário da Sepal e presidente da Visão Mundial. É membro da equipe editorial da Edições Vida Nova.

13 abril 2009

Do “por quê?” celebrar a Ressurreição de Jesus Cristo

“Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra”. Jó 19:25

"– Por que é que vocês estão procurando entre os mortos quem está vivo? Ele não está aqui, mas foi ressuscitado". Lucas 24. 5b - 6

Eu gosto de comemorar a ressurreição. Ela é, afinal, um dos aspectos fundamentais da fé cristã. Sem ela, a morte de Jesus, o Cristo, seria mais uma dentre as mortes de vários grandes personagens da história humana, ou mais uma dentre a morte dos muitos “revolucionários” que conseguiram estimular mudanças nas estruturas do mundo. Por fim, sem ela, a nossa fé seria completamente em vão, sem sentido, vazia, efêmera, infrutífera, completamente tola!

A ressurreição, porém, nos diz algo mais, nos faz ir além das ações e reações humanas, pois nela está contida a ação e reação Divina contra o pecado e a morte, e a favor do ser humano criado segundo a Sua imagem e semelhança.

Por isto celebro a ressurreição e os convido a se juntarem comigo nesta grande festa de Deus da qual somos convidados! Pois, por meio dela não precisamos mais olhar mais para trás, ficar presos ao passado sem possibilidades outras. Pelo contrário, ela nos faz voltar os olhos para o alto, ver que o socorro dali já veio e a nós alcançou, e assim, podemos contemplar um futuro que antes não existia, e caminhar firmes para o encontro daquEle que vem para, não somente nos buscar, mas trazer novos céus e nova terra, e uma nova morada, eterna, na Jerusalém Celestial onde o Pai, o Filho e o Espírito reinam deste a eternidade.

É claro que apesar de termos tudo isto como herança, de conhecermos aquilo que por nossas vidas, e de muitos outros, fora feito pelo Pai em Cristo Jesus, precisamos compreender que tal obra não visa somente a pessoa do ser humano. Ela nos beneficia, alegra o coração, mas o fim de tal propósito é a restauração de todas as coisas ao estado inicial, e neste estado o nosso “eu” ressurreto em Cristo viver para a glória de Deus! E neste aspecto não olhamos somente para frente, alienados do agora, mas vivemos plenamente o presente, o hoje, o agora, para a Glória de Deus.

A ressurreição de Cristo venceu o pecado, destruiu a sua paga, a morte, e a mim e a você fez nova criatura para viver sempre no Gozo do Senhor, provando dos benefícios de uma vida de intimidade, levando-nos ao agrado de viver para glorificá-lo no hoje e sempre.

Por isto, amados e amadas, comemorem a Ressurreição do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo! Como diz o cântico antigo “porque Ele vive, posso crer no amanhã, porque Ele temor não há”. Contudo, não parem nesta parte, e cantem também “mas eu bem sei, eu sei, que a minha vida está nas mãos do meu Jesus, que vivo está”, e viva para glória de Deus Pai, em Seu Filho, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, o qual vivo em, e entre nós, está!

Cleber B. Gouveia, pr.

07 abril 2009

Oração e comunhão


Fazemos apressadas e impacientes tentativas de orar, e, não vendo bons frutos, dizemos que a prática é inútil, e abandonamo-la. A oração é como a amizade. A amizade não se prova assim de relance, de passagem. Não se constrói com alguns segundos e nem se torna forte com encontros esporádicos e sem interesse pelo outro. A amizade é antes uma condição de vida –de vida constante e persistente– e os seus resultados se vão manifestando com o tempo. Assim é a oração: o seu resultado vai-se manifestando com a continuação da nossa íntima comunhão com Deus.

Eis a palavra chave na vida de oração: Comunhão! A grande dádiva que esperamos na oração é que Deus se dê a Si mesmo, em comunhão conosco. E o mais que Ele der será incidental e secundário. Separei pequenas pérolas sobre a oração, recolhidas nos últimos 9 anos, a fim de que possamos meditar e, quiçá, sermos motivados a procurar a Deus em oração.

A.C. Benson

Oração não é uma repetição mecânica das formas verbais, porém uma forte e íntima afinidade do nosso coração com o Pai

Sir Thomas Browne, famoso médico inglês:

Já me resolvi a orar mais e orar sempre, a orar em todos os lugares onde o silêncio convida, em casa, no caminho, na rua e a não saber de nenhuma rua ou avenida nesta cidade que não possa testificar que não me esqueci de Deus?

Irmão Lourenço:

Oração é uma firme consciência da presença de Deus, e constante comunhão com Ele”.
Oração é a aspiração da nossa pobre alma sobrecarregada por seu eterno Pai, com ou sem palavras, sentimento este espontâneo”.

Agostinho de Hipona:

Dá-me a tua própria pessoa, sem a qual, mesmo que me desses tudo o que fizestes, ainda não podia ser satisfeito o meu desejo

Thomas à Kempis:

É pouco e não satisfaz tudo o que pudesses doar, afora Tu mesmo”.

Esta idéia da oração enquanto comunhão não é nem moderna nem antiga; é propriedade comum de todos os santos cristãos que penetraram o âmago da oração. As perplexidades se encontram nas franjas da oração; a oração na sua essência é tão simples e tão profunda como a amizade”.

Perceber a oração como comunhão com Deus nos faz perceber que às vezes temos orado muito mais que pensamos, mas também que devemos orar bem mais do que já oramos! O Apóstolo Paulo ao escrever aos tessalonicenses (I Ts. 5.17): “Orai sem cessar”, não falava de petição, mas de comunhão contínua.

Perceber oração como comunhão é perceber que o coração do Pai está aberto e você é bem vindo ali. Deus convida você a entrar no Seu coração. O coração do Senhor é a casa onde nos encontramos seguros, protegidos... Você é bem vindo ali. Então, ore!

“A oração genuína e total nada mais é do que amor” (Agostinho de Hipona)

Rev. Ézio Martins de Lima

23 março 2009

A alegria de estar na Casa do Senhor

Boa noite!

Hoje desejo postar um texto que muito edificou minha vida. O autor é o presbítero Nilton Alves, tesoureiro da IPI do P-Sul, em Ceilândia, Igreja da qual sou cooperador de Jesus Cristo no pastoreio. Espero muito que sua vida também seja motivada a desejar estar na casa do Senhor como o Salmista no Salmo 86.



A alegria de estar na Casa do Senhor

 Presb. Nilton Alves Rabelo

Irmãos desejo nesta pastoral levar a igreja a refletir sobre a importância de congregar, sobre a necessidade de ir à Casa do Senhor. Ir a igreja deve ser um motivo de muita alegria e não de obrigação. Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores(1 Tm 1:15). A salvação é algo pessoal. Cada um de nós é conclamado a arrepender-se e aceitar o Salvador. Porém, uma vez salvo, o crente não está destinado a trilhar seu caminho solitário. Talvez isso até fosse mais fácil em certo sentido, porém não é esse o propósito de Deus. Precisamos congregar, precisamos ir a igreja e ser auxílio um dos outros .

O Salmo 122:1 fala sobre o valor da Casa de Deus. O centro do culto não é mais uma única cidade, como estabelecia no Antigo Testamento, mas as muitas igrejas locais (Jo 4:21), assim podemos aprender deste salmo um grande respeito pelas coisas de Deus: adoração, revelação, unidade e justiça. Davi se regozijava porque a lei de Deus era a posse do povo de Israel, se regozijava porque Deus era a sua maior riqueza. Regozijava porque a igreja era a Casa de Culto em que Deus estava presente. Amados se o culto congregacional no Antigo Testamento era tão festivo e alegre; mais jubiloso, festivo e alegre deve ser o nosso culto, visto que o evangelho de Jesus foi plenamente revelado a todos nós.

Ser membro de um corpo é ser parte integrante de um organismo vivo. “Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve” (1 Coríntios 12:18). Não se trata, portanto, de estabelecermos uma organização com estatutos e profissão de fé, nem de reiterarmos prescrições a serem seguidas, mas simplesmente de reunir-nos porque o Senhor e Seu Espírito nos juntaram, sendo Ele mesmo o elemento central:  “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mateus 18:20). Observemos que não é dito “onde se reunirem”, mas “onde estão reunidos”. 

Irmãos e irmãs, como igreja local precisamos ter a consciência de que precisamos congregar-nos e vir a ser auxílio e não empecilho. Infelizmente, muitas vezes nos assemelhamos à sociedade secular, onde os descontentes estão em constante disputas e rixas. Temos  contribuído para a manutenção da paz na igreja? Tiago acrescenta: Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não serdes julgados” (Tg 5:9). As murmurações agitam, primeiro, nosso interior: nosso espírito opõe-se contra determinado irmão ou irmã, ou alguma atitude coletiva que foi tomada, e então, procuramos argumentos para nos assegurar que temos razão. As queixas mantidas em silêncio vão se acumulando até que, finalmente, são lançadas em rosto. Quanto empecilho uma atitude como essa pode suscitar numa igreja!

Em Hebreus 10:24-25, está escrito -  “Não deixemos de congregar-nos”. Essa exortação vem quase imediatamente após a menção da plena “ousadia” que temos para ‘‘entrar no santo dos santos” (v. 19 e 22). Trata-se de um privilégio desconhecido para o Israel de outrora, quando só os sacerdotes podiam entrar no santuário para realizar os serviços sagrados, e o sumo sacerdote, sozinho, uma vez ao ano, podia entrar no santuário interior (9:6-7,25).

Hoje, lavados e justificados, entramos no santo lugar na plena luz da face de Deus. Se podemos entrar e falar diretamente com Deus, de onde procede o costume, muito comum, de não visitarmos regularmente as reuniões?  De ficarmos em casa e não virmos à igreja?

A verdade é que podemos ter tanto de Cristo quanto quisermos. Podemos nos aprofundar n’Ele o quanto optarmos, vivendo plenamente segundo Sua palavra e direção.  Precisamos restaurar a paixão pelo o mover de Deus, restaurar a paixão pela casa de Deus. Precisamos olhar continuamente para Jesus. É impossível alguém olhar  para Jesus e não ficar apaixonado por Ele. Ef.5:14/ Heb.12:2/ II Cor.3:18. Precisamos viver e andar  perto de gente apaixonada por Deus.

Tenha alegria em vir a Casa do Senhor. Regozije-se em entrar na presença do Senhor. Permita meu irmão, minha irmã que Deus trabalhe de forma profunda, em seu coração e em sua vida e que Ele faça de você um vaso de honra, de testemunho, de poder e vida.

Irmãos que a nossa oração seja: Senhor quero sempre estar alegre por poder ir a tua igreja. Amém.

16 março 2009

VIVENDO PLENAMENTE A COMUNHÃO DOS SANTOS

E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.” Atos 2.42

Durante esta semana estive com algumas irmãs e irmãos de nossa comunidade. Além, é claro, de realizar visitas, ministrei a Ceia do Senhor, cantei, orei com eles, e mantivemos comunhão.  Como fui edificado, abençoados, alegrado nestes momentos. Sim, pois ao estar com mais pessoas diante da mesa servida pelo Senhor, ao orar com elas em unidade, e cantar louvores ao único Deus e Senhor, pude compartilhar com elas aquilo que nos é comum pela fé em Cristo Jesus: nossa vida cristã e todas as benção de Deus nEle! E isto é verdadeiramente enriquecedor!

E a Comunhão é isto! É estar juntos para partilhar aquilo que nos é comum – no sentido de partilha, de vivência e expectativa – como a Ceia do Senhor o é. É estar juntos para cantar coisas em comum, como a Graça, o amor, as misericórdias, e a bondade do Senhor; é estar juntos para orar por coisas comuns, como o pedir pelo livramento de dias maus, pelo pão de cada dia, pelo fortalecimento de nossos corações na esperança das últimas coisas; é estar juntos para render graças a Deus por coisas comuns a nós, como a gratidão pela nossa Salvação em Jesus Cristo.

Por isto, e desta forma, a comunhão é o momento onde somos renovados pela oração realizada em favor do outro, e por este em nosso favor. É o momento onde somos alimentados com a Palavra compartilhada, alegrados pelos cânticos entoados, e direcionados para um mundo sem Deus, cheios da Sua presença abençoadora e de Sua vida, na certeza de que há muitos como nós, conosco, andando no mesmo propósito.

Entendo ser necessário seguir o exemplo da Igreja de Atos e perseverar na comunhão, no partir do pão, nas orações. Para isto, nós, como Igreja, temos duas formas de viver esta realidade abençoadora: nas reuniões comunitárias, e nas visitas. As reuniões comunitárias acontecem duas, três vezes por semana, são rápidas – no máximo duas horas – e, por isto, precisamos aproveitá-las ao máximo, tendo consciência da importância da mesma para a vida comunitária e individual de cada cristão. Nela há a interação de uns para com os outros. Nas visitas, por sua vez, temos mais tempo disponível para o compartilhar de nossas vidas, e podemos ser mais íntimos, mais próximos, e por isto tal prática é super importante, pois por ela podemos dar continuidade no cuidar de uns para com os outros, iniciado nos cultos comunitários.

De qualquer forma, o que desejo compartilhar com cada irmão, com cada irmã na pastoral deste domingo é: perseverem em viver tal propósito de Deus para nossas vidas. A cruz de Cristo nos possibilita isto, pois as diferenças e inimizades já foram destruídas por ela, e faz de todos nós um só corpo, para viver uma só fé, uma só esperança, em um só Senhor (Efésios 2. 11 -22 e 4. 1-5). Assim sendo, não perca tempo, e mergulhe neste oceano de possibilidades chamado Comunhão dos Santos.

Cleber B. Gouveia, pr.

10 março 2009

ALGUMAS COISAS A RESPEITO DO SACERDOCIO REAL DE TODOS OS CRENTES

“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; (1 Pedro 2.9)

Estamos perto dos 500 anos de nascimento de João Calvino. Como todos sabem, este foi um dos grandes reformadores da Igreja, e como Presbiterianos somos herdeiros de seus ensinos e práticas. Hoje, quero falar um pouco sobre um dos ensinos de Calvino e demais reformadores da Igreja, e conseqüentemente da Reforma Protestante: o sacerdócio real e universal de todos os crentes.

Olhando para a Palavra de Deus encontramos nas palavras do apóstolo Pedro a base para o ensino do sacerdócio real e universal de todos os crentes, e analisando o ensino reformador compreendemos haver, quanto ao sacerdócio real, alguns direitos e outros deveres, alguns dos quais passo a expor a seguir:

Livre acesso a Deus: o sumo sacerdote era aquele que entrava nos santos dos santos. Entrava, porém, com uma corda nos pés, pois, se estivesse em pecado, morreria. Nós, porém, constituídos sacerdotes pelo Sumo Sacerdote Jesus Cristo (Hebreus 4.14), podemos entrar na presença de Deus sem necessidade de outro intercessor que não o Senhor (Efésios 2.18). Ou seja, não há necessidade de mais ninguém para que suas suplicas, suas orações, sua vida se apresente diante de Deus. Não há necessidade de cordas, pois o sangue que nos abre o caminho é o que nos purifica para não somente entrar, mas para ser o Santuário de Deus em Espírito (Efésios 2.21-22; Hebreus 9.14).

Capacidade para ler e compreender a Bíblia: todo sacerdote de Deus pode ler e interpretar a Bíblia, sem que haja proibições, sem barreiras. No tempo de Lutero e Calvino isto não era praticado. Pelo contrário! Era pecado ler a Bíblia. Com a Reforma todos os crentes puderam e ler e interpretar a Bíblia com a ajuda do Espírito Santo, e foi nos dado como herança tal prática devocional. Uma pena, porém, que em nossos dias isto tenha se tornado banal, e o povo “santo”esteja vivendo no pecado por falta de conhecimento (Salmo 119.11; Provérbios 29.18).

O evangelismo pessoal:  pois, se sou sacerdote real, apresento a Deus ao povo, e o povo a Deus. Ou seja, levo a revelação dos mistérios de Deus às pessoas, e as apresento diante de Deus. Em outras palavras sou responsável direto pelo evangelismo e discipulado das pessoas com as quais convivo. Não preciso e nem necessito esperar pela autorização do pastor, presbítero ou qualquer outro líder. Jesus, nosso Senhor já nos deu esta ordem, autoridade e capacitação (28.19-20 e Atos 2 e Atos 4).

Estes são alguns ensinos do legado deixado para nós pelos reformadores, dentre eles Calvino.  Espero poder apresentar outros durante este ano dos 500 anos de Calvino. Enquanto isto de contínuo oro e espero no Senhor  por uma nova Reforma em nossos dias, advinda pelo Seu Espírito, capaz de nos fazer conhecer e viver de forma eficaz o princípio e realidade dos sacerdócio universal de todos os crentes.

Cleber B. Gouveia, 

Pastor da IPI do P-Sul em Ceilândia, D.F., 

e Santa Rosa, em Santo Antônido do Descoberto, Go.

 


08 março 2009

Ser mulher


Tive dois impactos na minha vida em relação ao que é ser mulher. O primeiro se deu quando ainda morava na zona rural. Eu era pequena e já ouvia minha mãe dizer que menina não precisava ir à escola. Afinal, dizia ela, para quê aprender a ler e estudar se o papel da mulher resumia-se a ficar em casa cozinhando, lavando roupas e cuidando de crianças? Aquilo me marcou muito. Comecei a desconfiar que, pelo menos na ótica da minha mãe, era mais vantajoso ser homem. Mas, para minha felicidade, meu pai não pensava assim e decretou que seus filhos só sairiam da escola quando estivessem, ao menos, alfabetizados. Percebi, aliviada, que para ele meninos e meninas – e, por extensão, homens e mulheres – tinham o mesmo valor.

O segundo aconteceu muitos anos depois, na década de 1980. Já estava casada e com dois filhos, um menino e uma menina. Na época, os sermões em muitas igrejas giravam em torno da família e dos diversos papéis desempenhados no lar. Mas sempre que eu ouvia sobre as funções da mulher, sentia certo mal estar, cuja natureza não conseguia definir direito. Só percebia que era uma sensação de falta, mesmo tendo certeza de que, diante de Deus, a mulher é diferente do homem, mas não inferior.

O nobre, naqueles anos, era a mulher se identificar com a frase: “Sou esposa e mãe.” Eu não via nada de errado naquilo, afinal eu era casada e tinha filhos. Mas sentia falta de alguma coisa. Um dia, enquanto via minha filha de 10 anos brincando no gramado de casa, o nó se desfez. Olhei para ela e falei com meus botões: “E se ela não se casar? Ou se, mesmo casada, não gerar filhos?”

Naquela conversa entre eu e eu mesma, compreendi que realmente falta algo na identidade da mulher que vai além do estado civil e da capacidade biológica de gerar e criar filhos. Só que a sociedade está impregnada de mensagens desvalorizando e sugerindo que a mulher é inferior. Basta ver que a publicidade usa e abusa do corpo feminino e da sua sexualidade na divulgação de tudo quanto é produto. E muitas mulheres se submetem, muitas vezes inocentemente, a esta exploração sem se dar conta que estão cooperando com a humilhação, não apenas de si mesmas, mas de todo o gênero feminino. E o que dizer, então, das diversas situações degradantes a que as mulheres são submetidas em pleno século XXI?

Paul Tournier, psiquiatra suíço que muito influenciou os cristãos brasileiros, defendeu a idéia de que a mulher tem o sentido de pessoa muito mais apurado que os homens. Naturalmente, elas se inclinam mais para as pessoas, enquanto os homens, em sua maioria, se devotam mais às coisas. Ele compreendia que, se a mulher cumprisse sua missão, a civilização poderia ser curada de sua frieza e da indiferença com que trata os desprotegidos e indefesos. Na percepção dele, a mulher já provou do que é capaz, mas tem se submetido aos critérios masculinos, mesmo nos espaços por ela conquistados. Isto é, mostrou sua capacidade – mas deixou de lado a parte específica da sua identidade e passou a imitar o homem.

O valor da mulher é resgatado com o advento de Cristo. Deus se fez gente e dependeu de um útero para nascer neste mundo e de seios maternos que lhe dessem sustento. Em todo o ministério de Jesus, ele fez questão de aceitar e reconhecer o valor da participação da mulher. Ao longo de sua trajetória neste mundo, o Filho de Deus protagonizou vários episódios ao lado de mulheres. Ele curou uma mulher com hemorragia uterina, doença exclusiva do sexo feminino; ressuscitou uma menina; gastou tempo ensinando Maria de Betânia, que era solteira, mesmo que a lei judaica só permitisse o ensino para os homens; aceitou o presente e os gestos de gratidão da mulher tida por todos como prostituta; não julgou aquela que foi flagrada em adultério, e amorosamente ainda a convidou a uma mudança de vida; e não teve pudores em se revelar como Messias à samaritana do poço, uma mulher discriminada não apenas por sua origem, mas também porque já estava em seu sexto relacionamento conjugal.

Diante do exemplo de Jesus, podemos reconhecer e acreditar no valor intrínseco da mulher pelo que ela tem de singular e único. Pelo potencial específico e inigualável que se expressa através da profissão, das habilidades artísticas, da atividade religiosa, do voluntariado e do envolvimento político – e também pelo seu desempenho no próprio lar, como companheira do homem e como mãe. E, embora a identidade da mulher não dependa exclusivamente do casamento ou da geração de filhos, é claro que a parceria conjugal e a maternidade podem acrescentar e enriquecer suas experiências de vida e contribuir para sua maturidade. Contudo, o valor da mulher pode e deve ser cultivado e desenvolvido independentemente de sua condição, pois ela, como todo ser humano, tem significado em si mesma como ser criado à imagem e semelhança de Deus.

O relato bíblico da Criação mostra que o Senhor delegou ao homem e à mulher a tarefa de cultivar e dominar a terra. Eu acho que, no plano divino, todas as decisões e atitudes humanas devem ser tomadas levando em consideração a ótica masculina e a feminina. Os dois gêneros precisam caminhar juntos – e aprender mutuamente. Os homens precisam considerar e dar espaço para a contribuição da mulher; e ela precisa apenas ser mulher!



Esther Carrenho Casada, avó, teóloga e psicóloga clínica.
Texto publicado no sítio da Revista “Cristianismo Hoje”

04 março 2009

CLAMOR POR UM CAMINHAR SANTO!


“Bendito seja o Senhor, porque me ouviu as vozes súplices...” Salmo 28.6

Considerado como sendo um salmo escrito por Davi, o Salmo 28 é uma súplica a Deus por uma intervenção em seu favor. No verso 1 vemos Davi confessar sua busca por Deus: “a ti clamo, ó Senhor”, é ante a face de Deus expor seus temores e anseios. E qual é o motivo do clamor de Davi a Deus? A busca por socorro das garras dos ímpios, dos perversos, dos que falsamente proferem paz ao próximo, mas segundo a malícia dos seus corações, executam suas obras sem temor ao Senhor (v.v. 2-4). Davi, portanto, pede ao Senhor livramento dos falsos amigos, dos falsos conselheiros, dos falsos “bons homens”, pois sabia o fim de tais pessoas (versos 4 e 5).
Em nossos dias precisamos ter clamor semelhante ao do Rei Davi, pois, como há pessoas semelhantes às citadas por ele. Pessoas as quais inicialmente parecem ser boas companhias, falam palavras bonitas, de amor e cuidado para conosco, com propostas interessantes; são alegres, nos alegram, mas, cujas obras, porém, revelam com o tempo o verdadeiro intento de seus corações: a perversidade e a falta de temor e amor a Deus (versos 3 e 5).
E a perversidade e a malícia são caminhos enganosos, e perigosos. São caminhos os quais inicialmente podem trazer vantagens à pessoa que por eles caminha e fundamenta suas ações. Contudo, levam ao desastre, à inimizade, à vergonha, à morte, e morte eterna, pois, no fundo são caminhos pecaminosos, e a Palavra é clara: “a alma que pecar, esta morrerá” (Ez 12.20).

Davi nos avisa: os ímpios em seu caminhar não se “...atentam para os feitos do Senhor, nem para o que suas mãos fazem...” (v. 5); ou seja, não estão “nem aí” para a ação de Deus neste mundo, não se importam com Sua vontade, em viver segundo esta vontade. Assim sendo, um crente no Senhor Jesus Cristo não deve deter ou direcionar seus passos nos conselhos dos ímpios (Salmo 1). Paulo nos diz algo semelhante quando afirma não haver nenhuma comunhão entre luz e trevas (2 Cor 6.14). Por certo, se fizer o contrário, o crente será contaminado com suas palavras e seu proceder, bem como terão o mesmo fim (v.3).

Isto não significará, entretanto, se tornar inimigo, não poder ter amizades com não crentes, mas, sim, em saber que não se pode andar em comum acordo com seus conselhos, ou seja, não ser influenciado por sua forma de ver e viver a vida, mas sim influenciar com a forma de vida proposta pelo Evangelho do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, segundo Suas Palavras que são espírito e vida, e esta abundante e eterna (João 6. 63-68 e João 10.10).

Assim sendo, proponho que sejamos sóbrios e vigilantes quanto à forma como nos relacionamos. Que vigiemos e oremos por um sondar de Deus em nossos corações, e, acima de tudo, clamemos por livramento dos conselhos e influência de pessoas perversas e maliciosas (lembra-se do final da oração do Pai nosso?). Que façamos sempre a oração final do Rei Davi: “Salva o teu povo, e abençoa a tua herança; apascenta-os e exalta-os para sempre” (v.9), em Cristo Jesus, amém!

Cleber B. Gouveia,pr.