09 agosto 2006

Quando o sucesso se tornou em fracasso




"E que mais direi? Pois me faltará o tempo, se eu contar de Gideão, de Baraque, de Sansão, de JEFTÉ, de Davi, de Samuel e dos profetas;" Hb 11.32

Jefté é alistado entre os heróis da fé. O autor da carta aos Hebreus o coloca entre Sansão e Davi, fazendo-lhe uma alusão breve, mas tão nobre quanto de seus companheiros (Hebreus 11.32). O relato bíblico sobre ele também é breve. Detém-se com Jefté não mais do que quarenta e sete versículos, pouco mais de um capítulo das Escrituras (Juízes 11.1-12-7). Mas é o bastante!
A vida de Jefté se move em meio a desencontros. Nasce de um relacionamento ilegítimo de Gileade. Sua mãe é uma prostituta. Por isso seus irmãos o expulsam de casa. Mas por ter uma postura e conduta de guerreiro, logo se destaca tornando-se líder de uma turba. Homens de uma moral questionável se unem a ele, enxergaram-no como Israel o veria mais tarde: um líder guerreiro.
Depois de algum tempo, amonitas e israelitas travam uma guerra. Um convite inesperado é feito a Jefté: “Vem e sê nosso chefe, para que combatamos contra os filhos de Amom.”. Tal recado não seria tão surpreendente, se não tivesse partido dos anciãos de Gileade. Jefté primeiramente resiste. Mas em seguida vê na situação uma oportunidade de auto-afirmação e vingança contra os que o rejeitaram. Se vencesse os amonitas se tornaria por “chefe sobre todos os moradores de Gileade” (v.8). E assim, o filho de uma prostituta, o bastardo da casa de Gileade, teria sua honra vingada. Jefté aceita!
“Então, o Espírito do Senhor veio sobre Jefté e este (...) passou contra os filhos de Amom.” (v.29). Apesar disso, inseguro, faz um voto na esperança de assegurar a vitória: “Se, com efeito, me entregares os filhos de Amom (...) quem primeiro da porta de minha casa me sair ao encontro (...) esse será do Senhor, e eu oferecerei em holocausto” (vv. 30-31). Foi essa a sua calamidade!
Jefté arruinou com os amonitas: “...foi mui grande a derrota. Assim foram subjugados os filhos de Amom ...” (v.33). Voltou vitorioso para casa. Mas na mesma proporção foi a derrota quando sua filha única saiu-lhe ao encontro, festejando como uma menina, alegremente, o sucesso do pai.
Permita-me dizer que este capítulo me estremece a alma, impressiona-me!
Primeiro porque Jefté perdeu a grande chance de ser melhor que Gileade, seu pai. Jefté até tentou demonstrar isso, mas no evento errado e pelas razões erradas. A Bíblia diz que era ele “homem valente” e que teve uma experiência com o Espírito do Senhor. Entretanto, como Gileade, Jefté também sacrificou sua família. Como Gileade, Jefté também a traiu!
Depois, porque Jefté absolutizou a vitória na guerra e relativizou o êxito no lar. Seu sucesso na guerra dependeu de seu fracasso em casa. Pode ser que a vida profissional, econômica, acadêmica... seja um alto monte, mas do que adianta se a família é um vale. Se há traição, se os filhos se perdem, se a amargura domina, se a maldição se instala... do que me adianta ganhar o mundo inteiro e perder minha família.
Por fim, porque Jefté descobre muito tarde que sua maior vitória foi na verdade seu maior fracasso. Quando vê a filha vindo ao seu encontro diz: “Ah! Filha minha, tu me prostras por completo; tu passaste a ser a causa da minha calamidade, porquanto fiz voto ao Senhor e não voltarei atrás.” (v.35). Há passos na vida que se tornam irreversíveis. Há caminhos que depois de algumas milhas trilhadas, seu retorno é intransitável.
Assim, a história de Jefté é a história da calamidade de quando o sucesso se tornou em fracasso!

Rev. Jean Douglas Gonçalves

Um comentário:

  1. Quando perdemos para Deus, ganhamos do diabo!

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