11 agosto 2006

VIDA DE ESTUDANTE...



"Pois eu vos dou boa doutrina; não abandoneis o meu ENSINO." Pv 4.12


Hoje se comemora o dia do estudante. Uma data importante. Afinal, todos já foram, são, ou um dia serão estudantes. E são várias as formas de ser um estudante. Alguns são atentos, outros, nem tanto. Alguns gênios aplicados, outros, apenas gênios... Alguns esportistas, outros, torcedores... Mas todos estudantes. Por mais que se tente, não há como negar o desejo por possuir o saber. Saber sobre como foi construído o passado, como forma de se entender o presente, e descobrir, assim, as possibilidades para um futuro melhor! Assim, de uma forma ou de outra, todos somos estudantes. Mas ser estudante não é só o se entregar na difícil tarefa de estudar (e haja esforço!), mas é também se abrir para novas realidades. Afinal, ninguém nasce sabendo tudo. E as descobertas nos levam a mundos desconhecidos. Algumas vezes as expedições se fazem como num rali, cheia de curvas perigosas, mas também com paisagens deslumbrantes, maravilhosas, como o é a amizade. E não há nada tão importante para uma vida adulta saudável que as amizades do tempo de escola. Elas tornam esta etapa, e suas muitas obrigações, algo mais prazeroso. Há as amizades com os colegas de sala, mas há também a amizade com os mestres. Com eles aprendemos a andar pelas trilhas pelas quais chegaremos bem ao destino final. Por isto hoje é um dia tão legal! Contudo, não poderia terminar sem falar de algo muito importante. Não há descobertas verdadeiras, amizades duradouras, sabedoria para todas as áreas da vida, sem o estudo da Palavra de Deus, sem a busca pela sabedoria que vem do alto, e sem uma amizade neste tempo de nossa vida com o Criador, Senhor, e Salvador de nossas vidas que é Jesus Cristo. Por isto, estudem, divirtam-se, criem e nutram amizades, vivam verdadeiramente uma vida de estudante.



Cleber Batista Gouveia, servo de Jesus Cristo.


09 agosto 2006

Quando o sucesso se tornou em fracasso




"E que mais direi? Pois me faltará o tempo, se eu contar de Gideão, de Baraque, de Sansão, de JEFTÉ, de Davi, de Samuel e dos profetas;" Hb 11.32

Jefté é alistado entre os heróis da fé. O autor da carta aos Hebreus o coloca entre Sansão e Davi, fazendo-lhe uma alusão breve, mas tão nobre quanto de seus companheiros (Hebreus 11.32). O relato bíblico sobre ele também é breve. Detém-se com Jefté não mais do que quarenta e sete versículos, pouco mais de um capítulo das Escrituras (Juízes 11.1-12-7). Mas é o bastante!
A vida de Jefté se move em meio a desencontros. Nasce de um relacionamento ilegítimo de Gileade. Sua mãe é uma prostituta. Por isso seus irmãos o expulsam de casa. Mas por ter uma postura e conduta de guerreiro, logo se destaca tornando-se líder de uma turba. Homens de uma moral questionável se unem a ele, enxergaram-no como Israel o veria mais tarde: um líder guerreiro.
Depois de algum tempo, amonitas e israelitas travam uma guerra. Um convite inesperado é feito a Jefté: “Vem e sê nosso chefe, para que combatamos contra os filhos de Amom.”. Tal recado não seria tão surpreendente, se não tivesse partido dos anciãos de Gileade. Jefté primeiramente resiste. Mas em seguida vê na situação uma oportunidade de auto-afirmação e vingança contra os que o rejeitaram. Se vencesse os amonitas se tornaria por “chefe sobre todos os moradores de Gileade” (v.8). E assim, o filho de uma prostituta, o bastardo da casa de Gileade, teria sua honra vingada. Jefté aceita!
“Então, o Espírito do Senhor veio sobre Jefté e este (...) passou contra os filhos de Amom.” (v.29). Apesar disso, inseguro, faz um voto na esperança de assegurar a vitória: “Se, com efeito, me entregares os filhos de Amom (...) quem primeiro da porta de minha casa me sair ao encontro (...) esse será do Senhor, e eu oferecerei em holocausto” (vv. 30-31). Foi essa a sua calamidade!
Jefté arruinou com os amonitas: “...foi mui grande a derrota. Assim foram subjugados os filhos de Amom ...” (v.33). Voltou vitorioso para casa. Mas na mesma proporção foi a derrota quando sua filha única saiu-lhe ao encontro, festejando como uma menina, alegremente, o sucesso do pai.
Permita-me dizer que este capítulo me estremece a alma, impressiona-me!
Primeiro porque Jefté perdeu a grande chance de ser melhor que Gileade, seu pai. Jefté até tentou demonstrar isso, mas no evento errado e pelas razões erradas. A Bíblia diz que era ele “homem valente” e que teve uma experiência com o Espírito do Senhor. Entretanto, como Gileade, Jefté também sacrificou sua família. Como Gileade, Jefté também a traiu!
Depois, porque Jefté absolutizou a vitória na guerra e relativizou o êxito no lar. Seu sucesso na guerra dependeu de seu fracasso em casa. Pode ser que a vida profissional, econômica, acadêmica... seja um alto monte, mas do que adianta se a família é um vale. Se há traição, se os filhos se perdem, se a amargura domina, se a maldição se instala... do que me adianta ganhar o mundo inteiro e perder minha família.
Por fim, porque Jefté descobre muito tarde que sua maior vitória foi na verdade seu maior fracasso. Quando vê a filha vindo ao seu encontro diz: “Ah! Filha minha, tu me prostras por completo; tu passaste a ser a causa da minha calamidade, porquanto fiz voto ao Senhor e não voltarei atrás.” (v.35). Há passos na vida que se tornam irreversíveis. Há caminhos que depois de algumas milhas trilhadas, seu retorno é intransitável.
Assim, a história de Jefté é a história da calamidade de quando o sucesso se tornou em fracasso!

Rev. Jean Douglas Gonçalves

06 agosto 2006

A vida numa balança!


Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?


A pergunta de Jesus coloca nossa vida na balança analítica! O que realmente tem valor? Jesus diz que a vida de uma pessoa vale mais que tudo aquilo que valoramos neste mundo! Isto posto, uma pessoa pode fazer um investimento com o qual consiga angariar os recursos do mundo todo, mas, se vier a perder-se eternamente, terá feito um péssimo investimento.
Infelizmente o ser humano é péssimo no que tange à matemática da vida, haja vista que investi-se muito nos valores que se perdem e valoriza-se pouco, ou nada, os valores eternos. Gasta-se mais tempo tentando amealhar as riquezas que têm menos valor. Isto reflete o estrabismo da visão humana, causada pelo pecado.
O miolo da alma tem que ser Deus mesmo. Nenhum conteúdo religioso pode indenizar os prejuízos causados pela falta de comunhão com o próprio Deus. Se Deus não for o centro de nossa experiência e a excelência de nossos relacionamentos, então, estamos envolvidos com trivialidades que jamais satisfarão as carências profundas de nossa alma. Sem Deus, vivemos no auto-engano e nos tornamos especialistas na criação de subterfúgios!
A falta de intimidade pessoal com Deus é a causa da insatisfação dominante do coração humano. É por isso que, muitas vezes ficamos mais sedentos com a secura de nossa religiosidade. Entramos e saímos dos encontros religiosos sem gozarmos da intimidade da presença de Deus. O filósofo Martin Buber afirmava que “Nada tende a mascarar tanto a face de Deus como a religião; ela pode tornar-se uma substituta para o próprio Deus”. Um cadáver lembra uma pessoa. Ali está o corpo em que viveu alguém, mas o finado não tem expressão. Não há diálogo com morto. Religião sem intimidade pessoal com Deus é funeral. E defunto não cresce, não evolui nem causa progresso. Muita gente se ilude com suas práticas religiosas supondo que este ritualismo mitiga as carências de sua alma. O salmista se perturba com o cerimonial religioso do seu tempo, com o derramar de sua alma, com o festejo da multidão em gritos de louvor na procissão alegre em busca da Casa de Deus. Havia todo um aparato estonteante de motivações religiosas, mas a sua alma encontrava-se abatida, e ele gritava: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim?” E sua resposta evidencia o grande problema: “Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu”. (Salmo 42.5). Havia muita religiosidade em sua experiência, mas Deus estava ausente do seu louvor. A chupeta acalenta o choramingo da criança, mas não abranda a fome. Nada neste mundo é capaz de satisfazer plenamente a necessidade pessoal de Deus. Muitos expedientes podem atenuar a crise, mas não satisfazem o vazio da alma.
Que adianta ao homem gastar todo o seu tempo e empregar todos os seus esforços no envolvimento com o trabalho, estudo, religião e lazer, não levando em conta a seriedade da salvação eterna de sua alma? Esta é uma questão de prioridade. Ninguém pode desconsiderar este assunto e viver com total significado. Jesus mostrou que, a realização do ser humano passa em primeiro lugar pela preferência do reino de Deus. “Buscai, pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. (Mateus 6.33).
A salvação eterna e a comunhão íntima com Deus são assuntos que fazem parte da primazia de uma agenda inteligente. Uma pessoa inteligente é aquela que sabe fazer o julgamento correto dos fatos. Não podemos reputar como inteligente alguém que é desatento para os assuntos ligados com a salvação eterna da sua alma. A sabedoria abre os olhos tanto para as glórias do céu quanto para o vazio da terra. Por isso, vale a pena ponderar os enfoques e as ênfases de nossa existência, para não cairmos na armadilha de nos envolvermos apenas com as coisas de menor valor. Afinal, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?


Ézio Martins de Lima, rev.

04 agosto 2006

Sentir saudades faz bem...


"Pois Deus me é testemunha de que tenho SAUDADES de todos vós, na terna misericórdia de Cristo Jesus." Filipenses 1. 8


O texto acima fala de algo que é bom sentir... algo que nos traz à memória as pessoas as quais amamos, levando-nos a vivenciar novamente os momentos maravilhosos de nossas vidas. Por isto, gostaria de colocar hoje uma poesia de minha autoria... Ela revela aquilo que sinto pelos que amo... Saudade existe para quem sabe ter, já disse certa vez um poeta. Acrescento que esta só existe para quem ama, verdadeiramente ama! Segue, portanto, a poesia:
“A saudade de alguém por alguém sempre fará bem! Fará com que este alguém esteja bem... Sempre bem perto, dentro do coração. Fará com que este alguém esteja bem... Sempre bem vivo em nossa mente. Fará com que este alguém seja bem... Sempre bem vindo ao nosso lar. Fará com que este alguém, e o alguém que tem saudades, sempre se sintam bem, pois nas suas vidas, sempre existira saudade de alguém!”


Rev. Cleber B. Gouveia.

03 agosto 2006

Alegria que vem do servir...


...”E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele GRAÇAs a Deus Pai.” Colossenses 3.17


Durante todo o dia de hoje, quinta feira, dia 3 de agosto, passei redigindo textos e mais textos para serem apresentados aos pais e alunos do Colégio no qual sou capelão, comunicando sobre o retiro espiritual que será realizado para os mesmos. Corri para deixar pronto os cartazes de divulgação. Confesso que me senti cansado, contudo, recompensado.

Recompensado não somente pelo sucesso de meu trabalho. Não somente pelos textos terem agradado aos que comigo estão dando duro para a realização do encontro. Não porque o cartaz tenha sido melhorado na gráfica, e ficado muito bom! Mas por saber que todo este esforço resultará em salvação e alegria eternas para a vida de um, ou mais, dos jovens que estarão participando do evento. E não há nada mais recompensador que isto!

Sei que não há maior motivação e recompensa que a convicção, pela fé no Senhor Jesus, de que nos dias do encontro verei a glória do Senhor encher nossa escola, e, como fez com Isaias (Is.6), purificar lábios, transformar a mente, e alegrar o coração que por ela for alcançado.

Tenho plenas convicções disto. E, por isto, desdobro-me, oro, vivo intensamente estes momentos na plena certeza de que o melhor está por vir. Que maior alegria hei de ter no termino das programações, que neste inicio de caminhada. Pois, estou plenamente certo de que o Senhor tem planos para nós, como também de que estes serão vivenciados nestes dias. Tenho em meus labios as palavras de Jó: os planos do Senhor não podem ser frustrados (Jô 42.2). Já antevejo que a semeadura será feita, também, em terra pronta para o desenvolvimento da semente, e de que esta haverá de frutificar no Espírito do Senhor.

Por isto, alegro-me no dia de hoje. Por isto dou graças ao Pai. Por isto tenho um coração agradecido a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Afinal, este é o dia que o Senhor Deus fez!!! Celebremos e nos alegremos nele. Porque, o amanha, que pertence a Deus, será revelado a nós e, quando este vier a nós, veremos o fruto do nosso trabalho no Senhor.

Assim sendo, sinto-me tentado a dizer a você: em tudo daí graça! Tentado a dizer: “nunca desista de fazer o melhor para Deus, entendendo que tudo dEle vem, e tudo para Ele é feito, inclusive o nosso labor!”.

Nunca desista de fazer o melhor para os outros, na certeza de que o está fazendo para o Senhor (Cl 3. 23). Que a alegria do Senhor seja a sua, a minha, a nossa força (Neemias 8.10; Hb 3.17), de forma que sejamos sempre, sempre movidos a realizar as boas obras para as quais fomos chamados.

No amor em Cristo Jesus, Cleber B. Gouveia.
Pastor auxiliar da 1ª. IPI do Distrito Federal e Capelão do Centro Educacional Evangélico Eduardo Carlos Pereira.

02 agosto 2006

Como resolver a crise da transmissão da fé?

Há alguns dias li um texto chamado "A crise da transmissão da fé", do Rev. Ricardo Barbosa de Souza, conferencista e pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília, onde ele alerta para a dificuldade que a Igreja tem apresentado na transmissão da fé cristã genuína.
Com a crescente secularização da sociedade cristã, torna-se difícil distinguir o sagrado do profano, o justo do ímpio, pois suas obras e valores assemelharam-se de tal forma que a linha de distinção entre uma e outra tornou-se tênue ao extremo.
Hoje em dia é comum ligar a televisão e ser bombardeado por programas evangélicos onde se apresenta Jesus das mais variadas formas, do exorcista ao mercador de favores.
Muito se fala de Cristo, fala-se de sua obra, de seu amor, mas pouco se tem falado do fruto produzido por uma vida entregue a Ele. Em Jo 15:16 o Senhor nos diz que fomos designados a produzir frutos e estes devem permanecer. Como as gerações futuras poderão viver uma vida digna do Evangelho se a atual o tem relativizado? Basta ligar a televisão e ver. As verdades sagradas têm dado lugar aos conceitos de líderes que outorgam a si títulos e prerrogativas inexistentes na Palavra. O povo perdeu seu referencial. A igreja cristã como um todo se amoldou ao padrão ocidental de vida de tal forma que deixou de exercer seu papel transformador, não faz mais diferença, não salga nem ilumina (Mt 5:13,14).
Em 1 Co 1:10, Paulo nos roga a falarmos a mesma coisa e que não haja divisões entre nós para que possamos ser unidos no mesmo sentido e parecer. Infelizmente esse pedido não tem sido atendido. A multiplicidade de denominações, doutrinas, "estratégias" e opiniões, criaram uma verdadeira Babel cristã. Para uma determinada denominação, vestir-se desta ou daquela forma é pecado, para outra não, falar em línguas ou bater palmas na igreja são temas de discussões e debates que não produzem nenhum tipo de resultado. Pentecostais, neo-pentecostais, históricos, ortodoxos, reivindicam a detenção do título de "verdadeira Igreja".
Não somente os líderes religiosos têm falhado na missão de transmitir a genuína fé cristã às próximas gerações, o princípio bíblico "ensina a criança o caminho em que deve andar" (Pv 22:6) é negligenciado por muitos pais cristãos que transmitem a obrigação da criação e educação dos filhos a professores multidisciplinares. Em seu frenesi pelo crescimento profissional, pela aquisição de bens que proporcionem conforto e tranqüilidade, pela melhoria da qualidade de vida, esses mesmos pais se omitem ao seu mais precioso papel que é o de transmitir aos filhos valores e princípios Bíblicos.
A crise é real, mas não é definitiva, porque a última e decisiva palavra sempre será de Deus.
Há algumas atitudes que a igreja pode tomar com o intuito de acabar coma crise de transmissão da fé, entre elas temos:

1 – Clamar por avivamento

A igreja precisa clamar por avivamento, mas não o avivamento de mosteiro, que produz resultados entre quatro paredes. A necessidade é de um avivamento que produza resultados na vida cotidiana dos agentes do Reino, pois são esses agentes que produzirão as mudanças na sociedade quando tiverem seus valores e princípios baseados exclusivamente nas Escrituras. A igreja precisa caminhar na contramão do sistema. Deve mostrar que é diferente e fazer diferença tendo sempre em mente que, sem Cristo, nada podemos fazer (Jo 15:15).
Eu tenho esperança de que esse avivamento chegará logo, pois como diz o Rev. Jean Douglas Gonçalves, "o avivamento surge em momentos de crise".
O melhor exemplo de verdadeiro avivamento que podemos destacar foi o acontecido na Rua Azuza em Los Angeles, Eua, nos idos de1906. Na ocasião, a Igreja formal estava, como hoje, secularizada e preocupada em engrandecer pessoas, baseada mais nos homens do que no Espírito Santo. O avivamento da Rua Azuza veio como um furacão, quebrando estruturas e transformando a forma do culto. O que a igreja presenciou naqueles dias foi uma transformação que se demonstrava através de ações como: convicção do pecado e arrependimento, quebrantamento de coração, intercessão contínua pelo avivamento, vida de oração, a reunião era um encontro com Deus, não um evento social, o interesse principal era chegar-se a Ele, não havia acepção de pessoas, ricos e cultos eram tratados iguais aos pobres e ignorantes, não havia espaço para orgulho, auto-afirmação ou soberba, tinham consciência da sua pequenez, do nada saber, do nada possuir, a não ser o que o Espírito lhes ensinava e inspirava, não ostentavam as suas boas-obras, para que elas não se tornassem uma armadilha, o conteúdo da pregação era o amor e a pessoa de Cristo, não havia palavra indelicada contra os inimigos ou contra outras igrejas.
Isso é apenas um exemplo do fruto produzido por um verdadeiro avivamento.

2 – Voltar às Escrituras

Outra atitude a ser tomada pela igreja atual deve ser a volta às Escrituras, ser como o povo de Beréia (At 17:11) que buscava na Palavra a veracidade do que era pregado pelos apóstolos.
Como foi dito acima, vivemos uma Babel cristã, onde cada denominação tem seu conceito do que é certo ou errado, sagrado ou profano. O que prevalece é a interpretação do líder, não há contestação devido ao medo do pecado de rebeldia (1 Sm 15:23a).
Os líderes precisam conscientizar-se da responsabilidade que é a pregação da Palavra. Ela não pode ser usada como instrumento de manipulação do povo nem servir aos seus próprios interesses. Do mesmo modo, o povo deve estar atento aos falsos mestres e seguir o que Paulo determina em Rm 16:17,18, sabendo que o fim dos que se utilizam do púlpito com objetivos espúrios está determinado em Fp 3:19.
Vivemos num país onde se lê muito pouco. Nossos jovens têm-se alienado com o bombardeio de informações que recebem todos os dias através do rádio, da tv, internet e tantos outros meios de comunicação que transmitem e informam apenas o que é interessante para a própria mídia. Essa deficiência reflete-se na vida de leitura bíblica, que é quase inexistente. É dever dos líderes cristãos estimular seu rebanho a ler a Bíblia, a apaixonar-se pela história sagrada, por que isso produzirá uma geração consciente de sua origem, seu valor, seus princípios e seu papel na terra.
3 – Resgatar o valor do discipulado

O número de membros arrolados virou um elemento determinativo na avaliação do "sucesso" de uma igreja. O líder deve ser um excelente pregador (entenda-se: pregar o que o povo quer ouvir), ter carisma, ter uma excelente equipe de marketing e ser um bom gerenciador de negócios. Podemos encontrar este tipo de líder em cada esquina, conseqüentemente, encontramos também milhares de igrejas-empresas em que os membros são "clientes" que pagam seu dízimo fielmente e recebem em troca a promessa de prosperidade ilimitada.
Essa transformação da igreja em empresa afetou diretamente o trabalho de discipulado que é fundamental na formação da identidade cristã do novo convertido.
O Senhor nos ordenou que pregássemos o Evangelho e fizéssemos discípulos (Mt 28:19). Por que estamos negligenciando esta ordenança? Não basta apenas pregar, é preciso cuidar daqueles que se convertem ajudando-os em sua nova caminhada. Eles enfrentarão lutas, serão confrontados por familiares, amigos, correrão o risco de cair (e muitos até cairão) e precisarão de apoio, de oração, de orientação, quem os ajudará? Esse é o papel do discipulador, daquele que se dispõe a ser referencial, daquele que oferece amor e sustento bíblico. Nossas igrejas precisam investir em pessoas, não em templos, não em ostentação.


Em tudo isso, concluímos que a secularização da igreja é uma realidade, mas uma realidade passível de ser mudada, transformada, e que a crise de transmissão da fé é passageira. Precisamos de novos líderes que amem ao Senhor acima de tudo, acima da fama, do dinheiro, do status, do orgulho. Nossa oração deve ser por avivamento, por quebrantamento de coração, por retorno à Verdade Sagrada, por discipuladores conscientes de seu papel como transmissores de conhecimento bíblico, como suporte para aqueles que ainda não aprenderam a caminhar com as próprias pernas.
Eu creio na Igreja, eu creio que meus filhos herdarão valores bíblicos, e creio, acima de tudo, que o Senhor é o maior interessado na manutenção da fé genuína, e por isso mesmo esta crise passará e será apenas uma desagradável lembrança da história da igreja, assim como o foram as cruzadas, a inquisição, a noite de São Bartolomeu e a omissão diante do holocausto.
A Deus seja a Glória para todo o sempre.

Gustavo Fraga,
é membro da Igreja Presbiteriana Independente de Vila Nova, Goiânia, Goiás.

26 julho 2006

O Crescimento Equilibrado da Igreja

Tudo que é saudável cresce natural e harmoniosamente. Quando digo natural refiro-me ao fato de que a estagnação no crescimento ou o decréscimo é um sinal evidente de enfermidade. Por harmonioso, entendo que o desequilíbrio no crescimento é também sinal de uma enfermidade. Se uma criança ao passar dos anos cresce fisicamente e se torna um adolescente, mas permanece com uma idade mental infantil, houve um desequilíbrio. Há uma enfermidade.
Como o Rev. Hernandes Dias Lopes também entendo que existem dois perigos a serem evitados no assunto do crescimento da igreja. O primeiro perigo é relativo à idolatria dos números ou numerolatria. Na busca pelo crescimento nos esquecemos das pessoas, é o problema da massificação da igreja. Possuímos uma igreja cheia e vazia. Cheia de pessoas, mas vazia da graça. Extensa, mas rasa. Grande, mas superficial. O segundo perigo diz respeito à fobia dos números ou numerofobia. Quando se faz da falta de crescimento uma desculpa para enfatizar o crescimento qualitativo, espiritual. Quando há crescimento em qualidade, há crescimento em quantidade!
Quanto ao crescimento equilibrado da Igreja: queremos enfatizar um crescimento total, pleno, completo – “em tudo” (Ef. 4.15). Crescimento parcial não existe. A primeira face desse crescimento é o crescimento na graça (2 Pd 3.18). O que significa crescer na graça? Crescer na graça é, sobretudo, crescer no conhecimento de Deus (Os. 6.3). Crescer na graça é crescer nos relacionamentos (1 Ts. 3.12 e 4.9-10). Alguém que está crescendo na graça de Deus é alguém que está sarando seus relacionamentos. Crescer na graça é crescer na prática devocional (Cl.2.7). É orar mais, jejuar mais, ler mais a Palavra de Deus, meditar mais, adorar com mais intensidade, cultuar mais, congregar mais, estreitar mais o relacionamento com Deus. O crescimento na graça deve significar para nós maturidade espiritual (Hb. 5: 12-14).
O segundo aspecto desse crescimento diz respeito ao crescimento numérico. Basta olharmos para a igreja das origens e perceberemos que tal crescimento não é ilusório ou inalcançável (Atos 1:15; 2:41; 4:4; 5:14; 6:7; 9:31; 16:5).
O crescimento equilibrado vem de Deus (Atos 2:47, 1 Coríntios 3: 6-9). Acredito que as metodologias podem contribuir, que o marketing pode aguçar a curiosidade, que o rádio e a televisão podem servir de meios, mas o crescimento equilibrado vem de Deus! O inchaço pode ser resultado de tudo sem a graça. Mas o crescimento equilibrado vem de Deus!
Isso nos descansa, nos faz entrar na dimensão da graça, nos faz sair da pressão evangélica do nosso tempo que prega um crescimento instantâneo a qualquer preço e a todo custo. Mas, não nos isenta da responsabilidade de que somos os métodos de Deus. As células, grupos familiares, os cultos evangelísticos, a distribuição de folhetos... não são os métodos de Deus. Eu sou o método de Deus! Os demais são os nossos métodos, mas nós somos os métodos de Deus!
Se o crescimento é obra de Deus, eu descanso na graça. Mas se eu sou o método de Deus, eu trabalho na graça! Há aqui um descanso e um trabalho. O descanso é o depender de Deus, o trabalho é se dispor a Deus. Não deveríamos perguntar o que faz a Igreja crescer, mas o que a impede de crescer? A igreja é viva, a igreja é dinâmica, seu crescimento deve ser natural e harmonioso! Deus se importa com o crescimento da igreja porque se importa com a salvação das pessoas. Deveríamos também nos importar com o crescimento de nossa Igreja!

Rev. Jean Douglas Gonçalves

18 julho 2006

Crescendo com os Dons de Cristo!!!


“...antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo...” Efésios 4. 15


Neste último fim de semana estive falando sobre os desafios do amadurecimento cristão. Tendo como base uma parte do texto do capitulo 4 do livro de Efésios, refleti sobre o assunto, e descobri algumas coisas referentes aos Dons e a relação destes com o crescimento espiritual dos cristãos, as quais resumo aqui:

Os dons são dados para o aperfeiçoamento dos santos (v.12): o texto é claro. Os dons são para o aperfeiçoamento dos santos do Senhor. Apesar do crescimento natural que o cristão obterá ao receber do Espírito um Dom específico, ele tem como objetivo o aperfeiçoamento de todos os santos, ou seja, de todos os membros da Igreja do Senhor. Portanto, os Dons recebidos por nós são em beneficio maior do todo, não somente do indivíduo;
O amadurecimento só se dará no Corpo de Cristo (v.12b - 16) : os dons aperfeiçoam os santos, e os levam à perfeita varonilidade de Cristo, à medida de sua estatura plena, mas nunca fora do Corpo. Os santos se aperfeiçoam dentro do Corpo. São, portanto, meio pelos quais o Senhor Jesus Cristo nos usa para a edificação do nosso próximo (I Co 12). Ou seja, os dons desenvolvidos pelos outros irmãos, em parceria com o meu, nos leva à perfeição da varonilidade, da estatura plena do Senhor.
Não há amadurecimento cristão fora do Corpo: por fim, penso: se não há desenvolvimento dos Dons, não haverá aperfeiçoamento dos Santos, e do Corpo. Desta forma, não haverá crente maduro se não houver um Corpo que se edifica em amor (v.16). Somente um ambiente saudável poderá proporcionar o crescimento do cristão, seja ele jovem ou não. Portanto, somente no convívio da Igreja é que se virá a ter um crente maduro;

Assim sendo, creio precisarmos ouvir o apelo de Paulo: buscai os melhores dons (I Co 12. 31). E faço o meu: desenvolva-os dentro do Corpo de Cristo (Rm 12. 3-8). Busque uma vida no Espírito (Rm 8.11 - 15; 12. 11), não permitindo que nada o afaste da convivência da Igreja, pois é estando nela que se recebe do Espírito a capacidade de auxiliar no crescimento da comunidade, como também individualmente. Teremos, conseqüentemente, um ambiente propício para o nosso amadurecimento na fé, bem como o de nossos irmãos e de todos que o Senhor Jesus acrescentar ao Seu povo.


No amor em Cristo Jesus, Cleber B. Gouveia, pr.
Pastor auxiliar da 1ª. IPI do DF e Deão do Colégio Cedecap.

12 julho 2006

Auto-ajuda ou Ajuda do Alto?

A revista Veja desta semana (edição 1964, n. 27 de 12 de julho de 2006), trouxe como tema da matéria de capa: O Pastor é Show! Assinalo destaque a algumas frases no decorrer da matéria, a começar da capa:
“Com uso da psicologia e auto-ajuda uma nova geração de pregadores dá espetáculo e reinventa a fé que mais cresce no Brasil” (capa)
“Ao retratar um dos fenômenos sociais mais interessantes do Brasil nos últimos anos, o da religião ao estilo auto-ajuda...” (carta ao leitor, p.9)
“Com menos ênfase no sobrenatural e mais investimento em técnicas de auto-ajuda, a nova geração de pregadores evangélicos multiplica o rebanho protestante e aumenta a sua penetração na classe média” (p. 77)
“A nova geração de líderes evangélicos achou um caminho muito mais certeiro e útil de chegar ao coração dos fiéis: o da auto-ajuda” (p.79)
“Os neopentecostais pregam o faça-você-mesmo, afirma o historiador e especialista em religiões da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Eduardo Bastos de Albuquerque” (p.81).
Não tenho a pretensão de examinar uma matéria de cunho jornalístico. Nem mesmo de tecer juízo de valor sobre o que seja ou não a prática dos irmãos neo-pentecostais. Entretanto, indubitavelmente, entendem os cientistas da religião interpretados pelos repórteres, que houve um avanço na prática religiosa evangélica no Brasil. A diminuição da ênfase no sobrenatural e mais investimento em técnicas de auto-ajuda, são símbolos que expressam esse progresso.
Em alguns momentos entendo o significado da matéria. Penso que de fato é bíblico, coerente e sensato atribuir ao homem e sua incapacidade de gerir os próprios recursos o rombo no cartão de crédito, do que reputa-lo inadvertida e irresponsavelmente ao diabo. Essa projeção de culpa é imoral. Compreendo que aguardar que um emprego caia do céu sem procurá-lo é comodismo irresponsável. Entendo que esperar a aprovação num vestibular sem estudar é preguiça.
Mas de um modo geral o mundo migrou para o antropocentrismo (o homem como o centro do universo). Sentimos-nos muito mais seguros quando podemos confiar em nós mesmos. Enquanto as possibilidades nos estão à mão. Se pudermos determinar a direção, então estamos a salvos. Falsa segurança! Preocupo-me com a tendência que exalta e centraliza o homem. Com a tendência, seja secular ou religiosa, que eleva o homem e zomba de Deus. Nessa perspectiva preservo meu conservadorismo. Assim, prefiro a ajuda do Alto que a auto-ajuda!
Pretendo permanecer com os profetas que afirmam: “Afastai-vos, pois, do homem cujo fôlego está no seu nariz...” (Is. 2.22), “...Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!” (Jr. 17.5). Apego-me às palavras do salmista: “Não confieis em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação (...) Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio...” (Sl. 146. 3 e 5). Firmo-me à sabedoria de Provérbios: “Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento.” (Pv. 3:5). A confissão de Paulo deveria ressoar em nossos dias: “Miserável homem que eu sou!” (Rm. 7.24 NVI). Outra confissão do apóstolo determina com exatidão o lugar do homem e de Deus: “...Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles.” (Atos 14.15).
Há momentos em que a auto-ajuda em nada auxilia. Nesses momentos o que precisamos é da ajuda do Alto. Há momentos em que os recursos humanos se esgotam, então percebemos que os recursos divinos são inesgotáveis. Há momentos em que o avanço tecnológico e científico é insuficiente, então somente uma intervenção divina pode resolver. Nesses momentos o homem se rende ao Deus redentor! Há uma frase atribuída ao Rev. Guilhermino Cunha que sempre repito a mim mesmo: “Onde o homem cessa, Deus começa. O campo preferencial da ação divina é o impossível”. Por isso, prefiro a ajuda do Alto que a auto-ajuda!
Rev. Jean Douglas Gonçalves

07 julho 2006

Jesus: Você já escolheu o seu?



Em um sábado qualquer resolvi ligar a TV. Acidentalmente, caí num desses canais de propaganda... Daqueles que vendem um mesmo produto por horas seguidas... Já viu um? Parece coisa do maligno... a mão instintivamente pega o controle mas não consegue mudar o canal, de tão bom o apelo sugerido ao nosso senso consumista ultra-apurado – conheço indivíduos magérrimos que já compraram mais de uma prancha abdominal. O horário seguinte veio como um alívio, recheado de programas evangélicos dos mais diversos, os quais pra minha surpresa, continuaram vendendo... E sabe o que vendiam? Jesuses (não sei se é assim mesmo que se escreve...). Um após outro, como em um restaurante refinado, exibiam suas opções a la carte, mas confesso que alguns chamaram mais a minha atenção. Eis algumas versões, modelos, ou sei lá o quê:
Jesus Gospel (lê-se “djizuz”) – É um modelo moderno, ouve muito rock e pop, mas tem se aberto pra outros estilos agora... está sempre antenado com as últimas tendências. Seus seguidores são vistos esporadicamente em algumas igrejas e frequentemente em baladas, acreditam que serem chamados de evangélicos é legal e moderno – “Pó, é legal... a galera sente que a gente tem personalidade... saca ...?” - Tem a cabeça super aberta e crêem que o mundo é bem melhor com eles. Mas tem um outro interessante, que é o:
Jesus Aladin - Também é moderno, muito embora tenha uma outra finalidade. Esse é especializado em pedidos. Talvez não seja uma lâmpada, mas pode ser um sabonete, um estilingue, uma rosa... depende daquilo que desperta seu bom humor na temporada. Seus discípulos são vistos muitas vezes em BMW´s, Mercedes e até jatinhos... mas há também uma boa leva que lota estações de trens e ônibus. São sazonais na igreja e aparecem bem mais em tempos de crise. Olha outro aí:
Jesus Black Tie – Esse é finíssimo. Não se mistura muito e freqüenta a alta sociedade. Extremamente cético, não é dado a milagres e coisas do gênero porque desafiam a ciência e afinal, nesse nosso tempo, ninguém mais quer seguir o que não vê. Seus seguidores tem curso superior, doutorado, adoram reuniões e clubes de amizade, onde podem se reunir para disputar entre seus intelectos e seus bens. Às vezes é possível percebe-los limpando educadamente algumas lágrimas com a ponta do lenço, à francesa, é notório entre eles que mais vale saber limpar com classe uma lágrima do que saber sua origem, afinal, a aparência é o que importa. Mais um:
Jesus Tio Patinhas – Faz o tipo bonachão. Anda sempre de galochas e é do tipo que está sempre à vontade. Dá sempre liberdade e nunca cobra nada, mas também não dá nada. A turma que o acompanha parece estar sempre feliz e conformada – “Aqui a gente não vê muita coisa... mas também não é obrigado a fazer nada... então é zero a zero... tá de boas...” – São vistos de segunda a sábado nos lugares mais exóticos (?) mas no domingo sem falta estão na igreja. “E o bom é que como ‘Ele’ sabe de tudo a gente nem precisa dizer nada” – dizem. Estes, quando somem, passam muito tempo sem serem vistos.
E assim continuam as versões... Quando desligo o aparelho de TV fico me perguntando como deve ser cruel a dúvida de quem gostaria de ter Jesus, afinal, são tantas opções a serem analisadas... Deve haver até mesmo quem passe um pouco de tempo com cada tipo até perceber que nenhum deles cumpriu aquilo que a propaganda prometera. Acho que muitos até desistem de tê-lo. Ao mesmo tempo, procuro me lembrar do Jesus que eu escolhi... Na verdade, à primeira vista me pareceu tão humilde e simples que nem queria conhecê-lo direito, mas depois vi como era profundo. Não era “moderninho” – mas Eterno e Santo, e também nunca fez tudo o quanto eu pedia, mas deu-me do melhor, e sempre no Seu tempo. Nunca foi bonachão e na verdade já me acertou umas duas vezes com um tal bordão que dói um absurdo... mas que depois descobri que era para o meu bem, para me trazer de volta. Seu olhar nunca foi altivo e mesmo quando eu errava feio, tinha uma mão forte, porém gentil, estendida em minha direção onde eu podia ver um preço gravado em uma cicatriz.
Meu Deus... não o tenho visto na TV ultimamente... vou para o meu quarto... tranco a porta... eu sei aonde posso acha-lo.
Milton Furtado é membro da IPICB, membro da banda Supernovavida

05 julho 2006

Dando sal a quem tem sede!

As Escrituras nos falam sobre avivamentos. A Bíblia contém relatos de renovação espiritual. E o início da história das renovações se dá em Gn. 4:26 – relatando que depois do nascimento de Enos (fraco/doentio): “Então se começou a invocar o nome do Senhor”. Havia uma apatia espiritual em conseqüência do pecado e queda do homem. Enoque nos chama a atenção no início da história da raça humana. Parece viver numa dimensão constante de avivamento: Gn. 5: 18-24. A história deste homem seria imperceptível se nestes poucos versos não houvesse uma referência tão forte quanto à sua vida com Deus. A Bíblia não diz que Enoque era um “extra-terrestre”, pelo contrário, diz que teve esposa, filhos e filhas, família e viveu! Quando a Bíblia diz que Enoque viveu, quer dizer que esteve no mundo, trabalhou, construiu, produziu e não foi alguém alienado. Avivamentos não devem e nem podem alienar. Avivamento é vida de Deus na terra. Avivamento possui a dinâmica de um novo relacionamento com Deus (novos céus) que produzam mudanças perceptíveis na terra (nova terra). Avivamento que vive com a cabeça no céu se torna lunático, alienante e alienado. E acaba desembocando em asceticismo. O que caracterizava Enoque era que andava com Deus e o verso 24 nos mostra que a caminhada de Enoque com Deus se dava na terra, entre os homens. Somente quando esta relação de amizade entre Deus e Enoque se torna incomum, é então, que “Deus o toma para si”. Pressupondo que toda a realidade de comunhão entre Deus e Enoque se deu na história deste homem. Como exemplo do que citamos acima podemos destacar Jonathan Edwards, o avivamento ocorrido em Northampton - Massachusetts, e o avivamento Coreano em Pyeng Yang, que demonstram como tais despertamentos influenciaram decisivamente a vida espiritual, social, política e econômica da sociedade (Cf. A chegada do avivamento mundial, pp. 21-22).
Quando chegamos às páginas do Novo Testamento nos deparamos com João Batista, que possui uma pregação avivalista, mas que sabe que o avivamento está por vir. Em Cristo os primeiros sinais de um grande mover estão presentes. Jesus começa a trabalhar a religiosidade superficial a fim de atingir o clímax de um avivamento. Jesus treina homens para que o avivamento irrompesse. Depois da glorificação de Cristo e diante da promessa que lhes havia feito, os discípulos aguardam a concretização do derramamento do Espírito Santo. E em Atos 2:1ss temos o relato de um avivamento poderoso que Jesus havia preparado e Atos 2 é somente o início, pois, pelas páginas deste livro nos deparamos com outros pentecostes acontecendo, onde coletivamente o povo fora tocado.
É preciso dizer que temos muitos relatos na história da Igreja de avivamentos que sopraram sobre cidades e nações em determinados períodos. Deus usou homens como Calvino e Lutero, John e Charles Wesley, George Whitefield, Jonathan Edwards, Evan Roberts, General Willian Booth, Charles H. Spurgeon e outros que fizeram diferença em sua geração. Avivamentos cuja influência chegou aos nossos dias.
Avivamento significa no Antigo Testamento literalmente viver, que originalmente carregava o significado de respiração. Avivamento é literalmente respirar na respiração de Deus. Daí Deus ter soprado nas narinas do homem o fôlego de vida e “o homem passou a ser alma vivente” (Gn. 2:7), ou como diz a Bíblia na linguagem de hoje em Ezequiel 37:5: “Eu porei respiração dentro de vocês e os farei viver de novo”.
No Novo Testamento o termo significa ressuscitar (cf. Rm 14:9). Jesus usa esta palavra em Lucas 15: 32 que é traduzida por reviver. Outras palavras também comparam o avivamento a reacender uma chama que ia se apagando aos poucos (2 Tm 1:6). Willian Booth disse: “A tendência do fogo é apagar-se; vigiem o fogo no altar de seu coração”.
Portanto, avivamento é essencialmente uma obra do Espírito Santo em uma visitação incomum ao seu povo, reanimando, restaurando e liberando-o para viver uma vida plena e abundante.
“Senhor, faze-o de novo!” era a oração de um pregador metodista diante do altar, após o falecimento do general Willian Booth do Exército da Salvação. Ele pensava nas profundas obras que Deus havia feito através daquele homem. E pedia a Deus que realizasse novamente tais obras. Quando pensamos nos avivamentos bíblicos e da história da Igreja nossa oração deve ser: “Senhor, faze-o de novo!”.
Rev. Jean Douglas Gonçalves

04 julho 2006

Jesus, o resgatador de nossa esperança!!!

“Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma ESPERANÇA.” Jeremias 29.11

Não há dor igual no coração humano que a sentida quando se está longe de um Deus que se faz tão perto de nós. Não há nada que nos faça tão tristes quanto o saber que, apesar de todos nossos esforços, não conseguiremos retornar sozinhos à casa do Pai. Parece-nos que os pedaços de pão jogados na trilha foram, à moda de Joãozinho e Maria, devorados pelo acusador! Contudo, há esperança para o ferido! Deus não desistiu de você, e derramou o precioso sangue de Seu Filho, Jesus Cristo, o Deus Conosco, a fim de resgatar sua vida do pecado, e do domínio do inimigo! Há, assim, esperança para o teu futuro, pois,

“...o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em RESGATE de muitos.” Mateus 20 – 28.

No amor em Cristo Jesus, Cleber B. Gouveia, pastor auxiliar da Primeira Igreja Presbiteriana Independente do DF, e Capelão do Colégio Evangelico Eduardo Carlos Pereira, em Taguatinga, DF.

03 julho 2006

Amar ou ser amado?

I"...saque, pois, trouxe Rebeca para a tenda de Sara, sua mãe; tomou-a e ela lhe foi por mulher; e ele a amou. Assim Isaque foi consolado depois da morte de sua mãe. " Gn 24.67

Se pudéssemos escolher apenas uma alternativa... O que seria mais importante? Amar ou Ser Amado? Por mais que pensemos... Fica realmente difícil encontrar uma resposta... Mas podemos tentar... Vamos presumir que a alternativa escolhida fosse Amar... Como é bom Amar... Sentir o coração bater mais forte... As mãos frias e trêmulas...as pernas fracas... O sorriso nos lábios... Sim, porque o sorriso faz parte do amor e como faz! Quando amamos, temos o privilégio de sorrir mais... Ser amado... Como é maravilhoso também saber que existe alguém que nos ama... Que se importa conosco... Que se preocupa com tudo o que nos possa acontecer... Que teme que nos aconteça algo de errado...O ideal seria escolher as duas alternativas Amar e Ser Amado Pois os dois sentimentos se completam Mas, nem sempre é assim... O ideal seria: Saber Amar e Ser Amado Mas isto é privilégio de poucos... Pois do que nos adiantaria Amar sem Ser Amado e Ser Amado sem Amar?


Evelyn é membro da Igreja Quadriangular de Rio Verde, Goias, e faz o curso de Fisioterapia pela Fesurv.

29 junho 2006

Oscilações da Alma

Depois da morte de sua esposa, Vance Havner, um conhecido pastor batista, publicou um diário de suas experiências enquanto andou pelo “vale das sombras da morte”. Segundo expressa, a experiência cristã processa-se em três níveis: em primeiro lugar estão os dias de “cimo da montanha” em que tudo vai bem e o mundo parece cheio de sol. Os “dias comuns”, portanto, são aqueles em que fazemos os nossos trabalhos usuais e não nos sentimos exultantes nem deprimidos. Em terceiro lugar vêm os “dias sombrios”, quando nos arrastamos pesadamente através do desânimo, dúvida, desespero e conflito. Estes períodos se estendem às vezes durante dias, meses ou mesmo anos, antes de começarmos a experimentar uma sensação de alívio e vitória.
Há numerosas passagens bíblicas que retrata esta realidade da existência humana. Considere, por exemplo, o Salmo 4.8 em que o rei Davi proclama: “Em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só tu me fazes repousar seguro”. Em outro salmo, logo a seguir, o mesmo Davi confessa: “Estou cansado de tanto gemer; todas as noites faço nadar o meu leito, de minhas lágrimas o alago” (Sl. 6.6).
Não há contradição em Davi. Ele exprime com sinceridade, em ambas as declarações, o seu estado de espírito. O fato, é que o salmista não mascara o sofrimento como grande parte dos evangélicos que, tomado pela consciência de que são intocáveis, inatingíveis e invencíveis, consideram as circunstâncias sofríveis na vida do fiel como falta de fé ou uma vida de pecado. É, porém, irreal pensarmos, como fazem muitos, que podemos passar a vida pulando de um para outro pico da montanha, como se não houvesse planícies ou vales entre eles.
Nem sempre a alegria dura muito tempo. De igual modo, nem sempre o choro perdura. É o próprio Davi quem lembra: “Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã” (Sl. 30.5). Mesmo diante de situações adversas as canções davídicas são incluídas num contexto de esperança, como retrata o salmo 43.5: “Por que está abatida, ó minha alma? Por que te pertubas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu”.
Como homem, Jesus também experimentou tristeza. Logo após o momento aprazível no cenáculo, Jesus segue para o Getsemani onde “começou a entristecer-se e a angustiar-se”, a ponto de exclamar: “A minha alma está profundamente triste até a morte” (Mt 26.36-38). Três dias depois, porém, estrugiu a alegria da ressurreição. Em cumprimento de sua missão messiânica, Jesus esperava pelos “dias sombrios”, e não se surpreendeu diante do sofrimento.
Quando somos suficientemente realistas para contar com as dificuldades que nos sucumbem e bastante informado para saber que Deus está no controle, então tornamo-nos equilibrados em nossa saúde emocional, certos de que situações calamitosas sobrevirão, e poderemos dizer assim como Davi “à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem as calamidades” (Sl 57.1). Montes e vales são experiências de todos nós. Há dias ensolarados e há dias sombrios. Que o Senhor seja honrado em todos os momentos de nossa vida, seja na alegria ou na tristeza, na esperança ou na angústia, no monte ou no vale.

Sonia Carniato Gonçalves,
é esposa do Rev. Jean Douglas, bacharel em teologia
com especialização em Aconselhamento Cristão.

23 junho 2006

Jesus e as Mulheres

A encarnação de Cristo se dá num contexto histórico extremamente conturbado. Quando Deus se soletra em linguagem humana, o faz numa cultura cheia de particularidades. Entre elas, a situação da mulher era desgraçadamente difícil. Observe o que estudiosos dizem sobre o contexto histórico-cultural, no que tange às mulheres na época de Jesus:
Um homem não deveria entabular conversa alguma com uma mulher na rua, nem mesmo com a sua própria esposa, e, muito menos, com qualquer mulher. Na realidade, os rabinos radicais afirmavam: É preferível queimar a lei do que ensina-la a uma mulher (Strak e Billerbeck in Champlin, 1995).
Alguns rabinos chegavam ao absurdo de afirmarem que as mulheres não possuíam alma. Outros ainda diziam que aqueles que se demorassem conversando com uma mulher por fim herdariam as chamas do inferno. Nas sinagogas, um escravo podia ler as Escrituras; até mesmo uma criança do sexo masculino podia realizá-la desde que fosse capaz, mas jamais as mulheres.
Tais fatos podem ser claramente percebidos em textos bíblicos. Por exemplo, o do Evangelho de João 4 nos mostra Jesus numa conversa com uma mulher samaritana. Percebemos a surpresa da mulher ao ver um mestre judeu se aproximar de uma mulher samaritana e estabelecer um diálogo (v.9). Aqui estava presente o estigma racial, mas também sexista. Adiante os discípulos ao perceberem o que acontecia se admiram de Jesus estar conversando com uma mulher (v. 27).
Entretanto esses paradigmas foram sendo vencidos por Cristo. Jesus jamais se deixou limitar pelas mazelas culturais emburrecidas de seu tempo. Cristo nunca se submeteu aos padrões legais que não priorizassem a vida humana. A quebra destes e outros paradigmas que causavam indignidade e morte foram enfatizadas por Jesus. Porém, quebrar paradigmas não é tão simples e casual. Paradigmas são fronteiras e Cristo enfrentou muitas oposições e embates ao atravessá-las, mas não vacilou ao ultrapassá-las.
Em Cristo percebemos a valorização da mulher. Na vida e obra de Cristo a mulher é valorizada, aceita e acolhida. O Senhor abre as portas da dignidade e permite que as mulheres entrem por ela. Enquanto a sociedade judaica do tempo de Jesus fecha os portões do perdão e da salvação, Cristo abre um caminho: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Então lhe disse Jesus: nem eu tão pouco te condeno; vai, e não peques mais (João 8:10-11). E quando é recriminado por uma atitude de acolhimento e perdão, faz da mulher a ilustração de seu ensino ao hipócrita fariseu Simão: E voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher?(...) Perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco se ama (Lc. 7: 44-47).
São as mulheres que se tornam exemplos evangélicos de fidelidade. Quando da prisão, crucificação, morte e ressurreição de Cristo, enquanto todos os discípulos deixam a Jesus e fogem (Mt. 26:56), Judas o traí (vv. 47-48) e Pedro o nega (vv. 69-75), estavam ali muitas mulheres, observando de longe: eram as que vinham seguindo a Jesus desde a Galiléia, para o servir; entre elas estavam Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e de José, e a mulher de Zebedeu. (Mt. 27:55-56). E são as mulheres que permanecem diante da sepultura (v. 61) e recebem o anúncio da ressurreição (Mt. 28:5-6) e se tornam suas primeiras testemunhas (vv. 7-10).
Entre outros tantos exemplos vale mencionar que eram as mulheres que prestavam auxílio e suporte financeiro ao ministério de Jesus (Lc. 8:1-3). E que mais direi ainda? Certamente me faltará o tempo (e o espaço) necessário para referir o que há a respeito de outras mulheres que fizeram parte da História da Salvação no Antigo e Novo Testamento. Entretanto certo é que “...a mulher que teme ao Deus Eterno será elogiada...”.

Rev. Jean Douglas Gonçalves

20 junho 2006

Última chamada



Reúnam as autoridades e todos os habitantes do país [...] e clamem ao Senhor (Jl 1.14) Reunião é o encontro de diversas pessoas num mesmo lugar, geralmente com propósitos bem definidos. Por motivos triviais (banquete, evento social, recreação etc.), por motivos profissionais, por motivos religiosos ou por motivos de vida ou morte. Em ocasiões marcantes, de grande perigo em vista ou quando o perigo já chegou, as reuniões precisam ser de caráter extremamente urgente e com a presença do maior número de pessoas possível. No pequeno livro do profeta Joel, duas vezes aparece o verbo reunir no imperativo: “Reúnam as autoridades e todos os habitantes do país no templo do Senhor, o seu Deus, e clamem ao Senhor”. Na outra passagem, os convocados são o povo e todos aqueles cuja presença seria menos exigida em outras ocasiões: os anciãos, as crianças, os recém-nascidos e os recém-casados (Jl 2.16). Esse ajuntamento soleníssimo seria para tentar barrar o juízo do Senhor por meio do arrependimento e da conversão. Quero confessar, chorar e clamar bem alto: “Poupa o teu povo, Senhor!”
Retirado de Refeições Diárias com os Profetas Menores (Editora Ultimato, 2004).

12 junho 2006

Espiritualidade e Cotidiano

O capítulo 5 de Gênesis é um relato sobre a genealogia de Adão, especificamente da linhagem de Sete, o filho concedido após a morte de Abel (Gn. 4:25). O capítulo inteiro possui uma estrutura padrão. Os descendentes de Sete vivem por certo período, geram um filho, relato sucedido por mais anos vividos e por uma linhagem de filhos e filhas. Por fim, encerra-se aquele ciclo com a afirmativa de todos os anos vividos pelo personagem e o seu obituário: “... e morreu”!
A sétima geração setita é marcada por Enoque. Mesmo para um leitor despretensioso e desatento a figura de Enoque salta aos olhos. A leitura retilínea e plana sofre uma curva ascendente quando nos deparamos com os versículos 21 à 24.
A menção de que “Andou Enoque com Deus...” (v.22) acrescida de “... e já não era, porque Deus o tomou para si” (v. 24) chama a atenção para a espiritualidade deste homem. Em Enoque encontramos uma espiritualidade marcada pelo avivamento. Foi na geração de Enos (vv. 9-11) em que “se começou a invocar o nome do Senhor” (Gn. 4:26), mas em Enoque a comunhão com Deus tornou-se estreita. Andar com Deus é a experiência de tê-lo em perspectiva em cada trilha da vida. É abandonar a superficialidade das águas rasas para, mediante a graça, nos lançarmos às profundezas do mar. A cena que o texto parece sugerir é a de uma caminhada que se prolonga, o diálogo se torna tão atrativo e prazeroso que o tempo histórico perde o significado, e assim, Deus recolhe para si o homem Enoque. A espiritualidade de Enoque é profunda, sincera, transparente e viva. Esta é a espiritualidade que precisamos, que possua um novo relacionamento com o céu, que tenha proximidade com o trono e profundidade de vida.
Entretanto, os mesmos versículos que destacam a espiritualidade de Enoque também enfatizam seu cotidiano. Assim, como os demais, teve ele filhos e filhas, constituiu família e, porque não pensar, que envolveu-se com o trabalho, com a comunidade, com a sua geração...
É preocupante a dicotomia que criamos entre a espiritualidade e o cotidiano. Quando compartimentalizamos a vida corremos o risco de nos alienar ou nos mundanizar. Espiritualidade profunda, somente é saudável, quando faz do cotidiano seu lugar vivencial. E o cotidiano, ainda que nominalmente cristão, somente é santo se vivido com profunda espiritualidade. Assim é a liturgia do culto da vida. Enoque não se alienou vivendo uma espiritualidade de mosteiro, nem se mundanizou vivendo em sua geração.
Por isso, importa que Deus seja adorado em espírito e em verdade (João 4:24). Importa que o serviço religioso cúltico dominical não se torne um compartimento distinto da adoração profunda e santa do culto da vida. Somente assim todos os nossos atos serão feitos em adoração. “E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.” (Cl. 3.17).

Rev. Jean Douglas Gonçalves

10 junho 2006

A Copa do Mundo é Nossa

Há... Nada como uma copa do mundo – são quatro anos que parecem demorar mais do que os 76 anos que o cometa Halley leva em sua órbita para nos visitar. Mas já foi ouvido na sabedoria popular que o “bom da festa é esperar por ela”. O que vemos, quando ela chega, é de encher os olhos... Nossa rotina é drasticamente alterada: é preciso rever cada um de nossos horários de modo que não haja um choque com as partidas disputadas pela seleção brasileira – e mudamos tudo – refeições, encontros, trabalho, visitas, e porque não dizer, mudamos junto com tudo isso.
É interessante perceber o quanto faz parte do ser humano a expectativa de algo que o tire da mesmice – o período da copa nos introduz um sentimento coletivo, como em raros momentos – de que tudo poderá ser diferente se vencermos: estaremos sorrindo mais, andaremos mais felizes pelas ruas, nosso trabalho nos aborrecerá menos, perderemos muitos de nossos medos durante esse período confiados nessa esperança.
A mídia, fiel escuderia da filosofia pós-moderna, desempenha com sucesso o seu papel de fortalecer esse sentimento, ministrando ela mesma a dose cavalar de um tipo de anestésico capaz de mergulhar nosso complicado país em um state of mind incomum. Posso imaginar o papo na redação: - Olha gente... Hoje é dia de jogo! Nada de mensalão, CPI de Bingo, PCC, menino jogado em lagoa e coisas desse gênero! O futebol é o ópio do povo! Vamos dar ao povo o que eles querem – e redigem com elegância seus textos, associando-os às imagens dos lances “mágicos”, que enchem os olhos das pessoas pelas ruas e pelas casas, alimentando o monstro da pseudo-esperança da nossa já dormente sociedade.
Mas e quanto a nós evangélicos? Será que somos (estamos) imunes a esse quadro? Bem, pensando um pouco, percebemos que alguma coisa muda em nosso habitat evangeliquês: A primeira coisa é mudar os horários dos cultos, é lógico, para não chocar com o horário dos jogos – afinal, ninguém espera que alguma viva alma, em sã consciência, invente de querer consolo espiritual e comunhão em um dia de Brasil X Argentina, por exemplo, e se quiser, vá ao horário alternativo - afinal, é impossível mudar o horário do jogo - mas o do culto... E já que a maioria vai optar pelo jogo mesmo. Também não é a melhor das idéias inventarem de fazer visitas ou coisas do gênero... Afinal, competir com a televisão é covardia... Visita mesmo na casa do irmão? Só se for pra assistirmos ao jogo juntos...
Existem duas vertentes que norteiam os evangélicos nessas circunstâncias. Uma ala, a que defende o “Princípio da Sabedoria”, procura se adequar aos fatos – tudo pelas pessoas – é o seu lema. Outra vertente, tida por mais radical, defende o “Princípio da Prioridade”, mantendo seus horários – Deus tem que ser mais importante que um jogo – dizem.
Está evidente que discutir entre estes princípios é perda de tempo. Nem é isso que me preocupa. Acredito que sobre a Igreja, foi estabelecido o status de agência de fomento da verdadeira esperança, uma comunidade de pessoas cujo estilo de vida aponta para uma esperança verdadeira, essa sim, atemporal e infalível. Sabemos que ela, essa esperança, pode proporcionar ao vazio coração a alegria genuína que buscamos desde a eternidade, mediante a paz que repousa na confiança em um Deus que jamais nos abandona. Paz que resiste até mesmo aos nossos olhos e corações abertos, que recebem diariamente essa carga de situações que nos aflige e nos faz permanecer e acreditar, firmemente, que “Aquela” que excede o nosso entendimento desafia até nós mesmos e a nossa sobriedade, frente às intempéries que encontramos pelo caminho.
Afinal, pensando bem, talvez haja poucas ocasiões tão propícias para mostrarmos o quanto a razão da nossa fé é incomparável e sublime. Certamente, ao demonstrarmos que nossa alegria não se desfaz depois de uma derrota ou de uma eventual eliminação precoce da seleção canarinho, poderemos enfim apontar para Aquele que não permite que se consuma a nossa compaixão pelo perdido e aflito – nem mesmo em épocas de Copa.
E assim mesmo, enquanto se retiram todos os adereços de nossas ruas, as bandeirolas deixam os carros e a vida continua, nossa fé nos aponta para o alto, onde Deus fez sua morada, além da rasa órbita do Halley, um infeliz a quem restam apenas mais 300 mil anos de vida.
Ele pode ter começado sua jornada primeiro, mas eu venci, porque certamente viverei bem mais que isso, viverei eternamente em Sua Presença, onde minha comemoração durará para sempre, na vitória obtida na Copa da Cruz, no estádio do Calvário.
Aleluia, a taça é nossa.
Milton Furtado é Ministro de Louvor na Igreja Presbiteriana Independente Central de Brasília e vocalista na banda Supernovavida

09 junho 2006

Tal profeta, tal poeta!

“Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.”
(Fernando Pessoa)

“Tu me seduziste, Iahweh, e eu me deixei seduzir,
Tu te tornaste forte demais para mim, tu me dominaste.”
(Jeremias, o profeta)

O profeta também é poeta,
Não tem grandes pretensões,
Procura sossego, mas se incomoda com o silêncio!
Não almeja grandes coisas, nem aspira um alto monte,
Sua alma, quieta, apegada à simplicidade,
Canta a canção da humildade,
De quem não buscou, mas alguém o encontrou!

O poeta também é profeta,
Faz da sua voz um anúncio,
Tantas vezes uma denúncia,
Na candura anuncia,
Na bravura, mas com alma de criança,
Denuncia ao que vive abastança,
Que alguém morre por falta de esperança!

E qual poeta não quer ser profeta,
E qual profeta não se arrisca a poeta,
E entre palavras, uma poesia,
Das mesmas palavras, uma profecia!

Mas o poeta tem medo de ser profeta,
E o profeta teme não alcançar o poeta,
Mas quando no íntimo recosta,
E na alma se pergunta,
Encontra uma imbatível resposta:
Ser profeta é ser poeta,
E qual poeta não é profeta.

Entre profecias e poesias,
Mais rica faz a vida,
Mais bela a lida,
Mais santa a batalha,
Mais linda a vista...

E por mais que o profeta tem em si um poeta,
E o poeta um desejo de profeta,
Há profeta e há poeta...
Um é poeta, outro profeta,
Um se anuncia ao se esconder nas palavras,
E o outro se esconde quando anuncia a Palavra,
Tal profeta, tal poeta!

Rev. Jean Douglas Gonçalves

08 junho 2006

Ao Teólogo do Futuro

A princípio, e isto para fins de registro histórico, cumpre-me informar-lhe que tal idéia não é original, nem remonta a esses dias, mas pelo que sei desde que se descobriu cavernas e tinta, se escreve algo que possa ser lido por alguém no futuro, para o quê não sei... e nem vou me debater neste quesito enquanto tenho como escusa legítima minha herança biológica – defenda-se quem primeiro reportou-se ao futuro – se puder.
Em meio a esta era, tão cercada de missivas destinadas ao arqueólogo do futuro, pensei no que seria a frustração dos futuros teólogos em verem tantas cartas endereçadas aos colegas arqueólogos e nenhuma a eles mesmos, se for o caso, cumpriu a mim, historicamente, desfazer tal injustiça.
Sentimento comum a quem impõe o seu legado, corrói-me a imaginação em tentar pensar como é o mundo hoje, no momento em que se abre este invólucro desgastado, e imagino mesmo que talvez haja muito mais teólogos, se de fato o cataclisma que acometeu a esta geração não tenha detido sua fecunda multiplicação.
Sabemos todos, e principalmente na sua avançada era, que o tempo corre solto e em via de mão única, mas até hoje, infelizmente não soubemos obter respostas significativas olhando para o passado, considerando que no presente só o que nos restam são perguntas... ei-las ao futuro – porque o anseio pela verdade não passou pelo portal do tempo e a ele não está sujeito – a esperança de uma resposta se faz premissa maior ao simbologismo matemático de Einstein, em sua definição do espaço-tempo.
Na verdade, temo pela profundidade das minhas indagações, haja vista certa feita ter um de meus filhos me perguntado se todos os neandertais eram crianças, pela simbologia que utilizaram em seus afrescos – mas não obstante, alguns ainda se debruçam sobre seus vestígios buscando trazer-lhes significado – eis a esperança que me alenta.
No intermezzo que há entre nós, dentre as calamidades pelas quais passamos, cataclismos e holocaustos forjados por nossas mãos, julgo haver a humanidade encontrado, enfim, a resposta tardia aos nossos desencantos - não os sociais - pois a esse encargo já se acham atarefados os arqueólogos e sociólogos, e também certamente não seria eu o autor apropriado para descrevê-las todas.
Mas submeto ao seu conhecimento superior a prima indagação que nos acomete - em nossos dias, muito embora tenhamos a mesma fonte, objeto de estudo, e por sobre ela se debrucem, diuturnamente homens e mulheres de todas as cores e raças, rotina que já vi, por vezes, sugar-lhes a sanidade, esquiva-se de nós o fruto de sua conquista, a saber, a verdade que nos faria capazes de nos tornarmos verdadeiramente, um só povo, e uma só verdade.
Sei que pode parecer afronta e uma mesquinharia ao seu conhecimento, mas considere tratar-se de povo extremamente primitivo, de difícil trato, indolente e rebelde - e que o conhecimento de tais características, que a nós mui bem se aplicam, o estimule a prosseguir neste testamento.
Contudo, mesmo em nossa ignorância, sabemos que somos apercebidos em nossos modos, e é de fácil leitura o que somos: na verdade, somos um livro aberto, cujo primeiro capítulo reza pela incoerência entre nosso discurso e nossa prática. A saber, pelo que passa nossa percepção isto nos divide, eis o que nos assombra: O que vestimos nos divide, como falamos nos divide, o que sabemos nos divide, o que não sabemos também, o que ouvimos nos divide, e muito - onde moramos nos divide, o que comemos, nos divide - nos apavora o fato de que o que nos separe sejam as mesmas coisas pelas quais deveríamos estar juntos, e o valor pelo qual somos mensurados passa hoje pelas nossas roupas, nosso status quo, e até mesmo, pasme, pelas músicas que ouvimos.
O custo ao que a ignorância se nos impõe, sujeita-nos às mãos dos lobos e dos falsos pastores - os quais minam todas as nossas riquezas - sejam materiais, espirituais, humanas, enfim - a própria vida.
Terá sido esse o evento perante o qual sucumbiu nossa sociedade? Confesso que em minha tenra idade temia que o fim da civilização se daria pelo choque de um corpo celeste, um asteróide ou um cometa qualquer que estivesse vagando errante pelo universo e encontrasse esse pontinho azul no lugar errado e na hora errada... Bum! Pronto! Acabou-se! Custa-me admitir que nunca, em momento algum, pude crer que veria a lâmpada da nossa história se apagar no desalumiar da nossa fé. Sim, é isso. Fomos corroídos na nossa falta de fé a ponto de não percebermos mais o valor do outro como outro... consegue me entender? Com isso se corroem nossas famílias, nossos filhos e filhas, pais, irmãos e amigos... Só conseguimos traduzir por valor algo que possamos utilizar na satisfação dos nossos desejos.
Todo testamento é desejo e também é uma pergunta...
É provável que você seja um descendente direto de um dos poucos que permaneceram, abrigados e refugiados em lugar seguro, e quem sabe as histórias que você ouviu talvez um dia tenham sido verdade - quando páginas novas forem escritas para servirem de memorial e justiça aos que prevaleceram...
Mas divago...
Esse é o prêmio de quem pergunta pro futuro, a esperança - seja pra quem use papel, seja pra quem use paredes de cavernas. Na verdade faço outra pergunta em direção ao futuro, mas a outro destinatário, e a resposta que recebo é: TENHA FÉ.
Milton Furtado é ministro de louvor da IPI Central de Brasilia, e vocalista da banda Supernovavida.

07 junho 2006

O DESAFIO DE CRESCER...

O DESAFIO DE CRESCER...

"E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça...."

Há um livro interessante que acabou virando filme, chamado "O Tambor", do alemão Günter Grass. É a história de um menino teimoso que se recusava a crescer. Quando queria alguma coisa pegava seu tambor e ficava batendo com um cabo de vassoura sobre ele até que alguém o atendesse. E já com idade adulta tinha a aparência e o corpo de uma criança.

Às vezes penso que é menos penoso continuar sendo o que sempre fomos. Para que arriscar? Para que sair do porto seguro e singrar por rios perigosos e traiçoeiros, que não conhecemos bem? Para que sair do aconchego dos pensamentos que trazem sossego à alma, e aventurar-se por abismos e montes escarpados? O senso comum diz que viver na planície é mais seguro que escalar as altas montanhas.

Há cristãos que gostam de viver nas planícies - as montanhas lhes dão vertigens. Há cristãos que se recusam a sair da segurança encontrada nos limites do terreno em que ele mantém controle, e sair fora dessa área demarcada na alma é inimaginável para ele. É o medo de "perder" a identidade, é o medo do novo, o medo do não conhecido.

Crescer é "abandonar" posições confortáveis, é deixar o que é seguro, é começar a subir em direção ao ar rarefeito dos altos montes. Crescer é recusar a permanecer no conquistado, é romper com o passado, uma ruptura que vai levar a uma descontinuidade da rota até então vivida. Crescer é um desafio porque nos leva a dar um passo quando queríamos ficar parados. Os fariseus foram incapazes de entender o que Jesus dizia e fazia porque se recusaram a dar o segundo passado, a andar a segunda milha...

Todos os seres vivos, animais e vegetais e até mesmo os minerais têm em si o potencial de crescimento. Uma semente de laranja carrega em si a potencialidade de um pé frondoso carregado de frutos. Um pires com água e sal deixado por alguns dias começa a produzir pequenos cristais de sódio. Todas as plantas crescem em direção ao sol. Este processo é chamado de ‘Heliotropismo’. (Fototropismo em que a luz solar é estímulo)

Creio que o cristão traz em si a capacidade de crescimento que o Espírito nos dá. Podemos chamar este processo de ‘Teotropismo’ (Através da comunhão com Cristo, temos comunhão plena com Deus). Se não temos crescido devemos olhar o que tem impedido esse processo. Muito provavelmente desenvolvemos "apegos" à nossa forma de ser. Eles funcionam como laços que nos impedem de dizer adeus à nossa infância, aos nossos quereres, às manhas e manias, à forma fixa de pensar. Não raro vemos adultos carregando sombras não resolvidas do passado que assombram o presente, vemos homens e mulheres incapazes de um relacionamento saudável por conta de resquícios infantis, que tinham sentido lá atrás, mas agora só trazem complicações.

Paulo diz que ele plantou, Apolo regou, mas Deus é quem dá o crescimento. Todo pai quer ver seu filho crescendo. É o processo natural. Mas quando vemos, nas regiões subnutridas de nosso país, pessoas que não crescem devido ao nanismo - doença que causa um baixo desenvolvimento corporal - logo, ficamos imaginando que pode estar havendo no meio evangélico um "nanismo espiritual", provocado por uma alimentação inadequada ou por um desejo próprio, mas oculto da consciência, de permanecer "ad eternum" no mesmo estágio.

É quase uma afronta, diante do Pai, ficar na superfície, viver de modo fútil, brigar por bobagens, contentar-se com a mediocridade, buscar repetir experiências que, no passado, tiveram seu significado, mas hoje não tem mais... Afinal, coisas de crianças em crianças são bonitinhas e aceitáveis; mas em adultos são, no mínimo, ridículas!

Crescer é um grande desafio, mas sem crescer não há como alcançar a estatura que Deus deseja para nós. (Efésios 4. 12-16)

Ézio Martins de Lima, pr

Pastor da IPI Central de Brasília

06 junho 2006

Haverá mau maior que o praticado pelos homens maus? Sim, há!


"Esse homem mau pensa assim: "Deus não se importa; ele fechou os olhos e nunca vê nada!" Salmo 10. 11.

Dias atrás, vimos em São Paulo o poderio do crime organizado. Centenas de pessoas, entre elas policiais e civis, foram mortas. Neste último domingo, o guitarrista de uma banda muito famosa no cenário nacional fôra morto após tentar fugir de uma tentativa de assalto no Rio. Em Brasília, no ano de 2004, um jovem da igreja da qual hoje sou um dos pastores, morreu enquanto esperava sua namorada na porta de sua casa. Estes são alguns dos vários casos de assassinatos que revoltam e intimidam a todos nós Brasileiros. No Brasil todos os dias morrem mais pessoas em situações iguais ou semelhantes a estas, do que em guerras como a do Iraque. E não temos outra reação senão temer por nossas vidas.

Diante deste cenário, deparei-me pela manha com a leitura do Salmo 10. Havia decidido lê-lo em meu período de meditação no livro dos Salmos. Parecia-me que ainda estava nas paginas policial e de política do jornal que acabara de ler. Isto, porque no texto do Salmo 10 pude ver um cenário de corrupção, uso do poder para oprimir o pobre, e a pratica da maldade ao extremo. Vi, ainda, uma oração por justiça. O clamor de um israelita a milhares de anos atrás, mas que poderia ser a mesma suplica de um cidadão brasileiro deste presente século, ajoelhado em seu quarto, orando ao Senhor antes de dormir, clamando ao Senhor para que se despertasse diante de tanto sofrimento, de tanta maldade, de tanta injustiça.

Assim como nos dias vividos pelo salmista, nos vemos rodeados por pessoas más que não se importam com Deus, v. 4; que perseguem os pobres, v. 2, e armam seus esquemas de corrupção confiadas de que nunca serão pegas, v. 7. Por pessoas que são arrogantes, exploradoras, orgulhosas, v. 3, e que, em seus corações, possuem uma única convicção: "Deus não se importa; ele fechou os olhos e nunca vê nada!". Quão terríveis são nossos dias, exclamamos nós, em comum acordo o salmista que afirma serem, seus dias, cheios de aflições, v.1.

E é por termos tanto em comum com o autor do salmo 10, é que devemos olhar para seu cântico e contemplarmos suas palavras diante de tanta maldade, diante do sucesso de quem a pratica, pensando estar livre de qualquer reação de Deus; de que Ele não se importa com todo o sofrimento que têm provocado, v. 11. O Salmista primeiramente questiona a Deus. Pergunta ao Senhor do por quê permitir que os maus acabem tendo razão em pensar que Ele não se importar. O salmista afirma ao Senhor que O sente longe, escondido, v. 1. Ele apresenta então a Deus o que tem acontecido, vv. 2-11, e depois chama Deus para perto dos acontecimentos, dos que sofrem, e pede a Ele que reaja com severidade e justiça, v.12. Ele procura despertar a ira do Senhor lembrando-O de que não é um Deus insensível ao sofrimento e à tristeza do que se vê oprimido pelo homem mau, e de que por isto sempre esteve pronto a ajudar aos que não podem se defender, v. 14. Ele exalta o poder de Deus acima do poder dos homens maus, e pede a este que os anule, e os recrimine, até que não possam mais continuar a fazer o mau, v. 15-16. Ele se volta para Deus na certeza de que somente Este poderia ajudá-lo; de que Ele atentaria para sua oração, e ouviria o seu grito em favor de si mesmo, e dos que sofriam; de que Deus julgaria os maus, de forma que não pudessem mais espalhar o terror sobre a terra, v. 18.

E como esta oração é tão necessária nos dias de hoje. E como temos tido medo, ou seria incapacidade, de não fazê-la. Com raras exceções, e estas se fazem quando somos "a vitima” da violência, nossas bocas têm tido apenas palavras de “é assim mesmo", ou, "eu não me envolvo com isto", "as coisas só irão piorar", entre outras afirmações que, na oração do salmista, não se fizeram presentes. As palavras que revelaram o poder do mau, e o sucesso dos que o praticam, foram utilizadas apenas para despertar a ira e o julgamento de Deus, visando tirá-lO de seu "esconderijo", e não para esconder-se de tudo o que ocorria. Pelo contrário, ao fazer seu cântico, ele se expõe.

Nossa geração, porém, tem se afugentado do mau que assola nossa nação, em vez de encará-lo de frente e dizer: "Deus o destruirá, e junto com este, a todos que o praticam". Como temos sido egoístas em nossas orações, e pedido apenas por nós, por nosso bem estar, pela nossa segunça, por nossa alegria e daqueles a quem amamos, com o pensamento de que o resto cuide de si mesmo, pois não temos com ajudar, nem mesmo através da oração. Como temos sido covardes em nossas pregações, ao não expor o mau como deveríamos. Não temos desnudado os que o praticam como deveríamos, enfrentando-os com toda ousadia, como o fez o salmista. Ele não se esquivou da situação. Não evitou o confronto. Sabia que a situação era por demais difícil, além de suas possibilidades, de seu raio de ação, de seu poder de sua força. Mas tinha a consciência que não estava nem perto das possibilidades, do raio de ação, do poder, da força do Senhor dos Exércitos. Ele podia fazer algo: indignar-se, e, movido por este sentimento, orar a Deus pedindo que aniquilasse o mal. E foi o que fez!

E creio termos uma responsabilidade igual, e quem sabe maior. Pois somos o Corpo de Cristo. Nossas possibilidades, penso, são maiores que as do salmista. Pois, a plenitude daquEle que enche tudo em todas as coisas é sobre nós (Efésios 1.23); o Senhor Jesus tem todo poder sobre a terra, e está conosco (Mateus 28.19-20); a face do Pai é próxima(Filipenses 4.4); o Seu poder é sobre nós (Atos 1.8); o seu amor está posto em nossos corações (Romanos 5.5); sua vontade é conhecida, pois pensamos como Cristo (Romanos 12, I Coríntios 2.16); nossas orações são apresentadas, e amplificadas, pelo gemer do Seu Espírito (Romanos 8.26); sua vida é nossa vida (Colossenses 3.4).

Parece-me, entretanto, que nada disto tem nos movido em direção do opressor para o repreender, e do oprimido para o socorrer, e do Senhor, para o chamar a agir. Se o tem, está restrito a poucos. Mas talvez seja eu. Somente eu. Talvez seja o único que não faça nada em relação a isto, ainda que seja orar. Talvez seja somente eu aquele que não consegue olhar para os que sofrem e deles se compadecer. Talvez seja eu. Mas se o for, não o quero mais ser. E meus olhos não desejo mais fechar. Clamo neste momento ao Senhor para que olhes para o mau que se alastra de forma desgovernada, adentrando as portas dos nossos lares. Para que veja, para que sinta com os que sofrem, e se volte contra os que amam e praticam o mau, e dê cabo de todas as suas ações. Que tenha misericórdia de quem queira ter, mas que não permita que o mau triunfe mais.

Eu, portanto, nego a mim mesmo, e torno-me parte dos que sofrem com o mau, e peço: "Vem Senhor, e castiga esta gente má [...] acaba com o poder dos maus e dos perversos [...] para que os seres humanos, que são mortais, nunca mais espalhem o terror!" Salmo 10 vv. 12,15 e 18.Evitemos o mau maior que o já executado pelos homens perversos. Não sejamos omissos. Não sejamos insensíveis ao sofrimento alheio, e não nos furtemos da possibilidade de fazer a diferença em nossa geração. Somos a luz do mundo, e o sal da terra, lembram-se (Mateus 5.13)?

Como bem lembrou-me minha amiga e irmã em Cristo Jesus, Lidiane Rocha, Martin Luther King, que lutou contra o mau de seu tempo, tem algo a nos dizer nesta direção: "O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons." E acrescento a estas palavras, outras ditas por Júlio Paulo Zapatiero, em seu artigo intitulado A corrupção do poder político e o Deus que ouve o clamor, publicado no site Teologia Brasileira, no dia 24 de junho de 2005:

"...São indispensáveis as ações do povo de Deus na denúncia dos crimes e pecados no exercício do poder político. Mas elas devem ser acompanhadas constantemente do anúncio da absoluta prioridade do bem maior como razão de ser das instituições estatais. Denunciar e anunciar, com perseverança incansável, são ações políticas que o povo de Deus pode realizar sem ser delimitado por opções partidárias [...] Se Deus é o Deus que ouve o clamor (Êxodo 2.24; 3.7-9; etc.), o seu povo também deve limpar seus ouvidos para ouvir o clamor das pessoas que gemem, sufocadas pelos dejetos da corrupção que corrói o bem e a justiça." http://www.teologiabrasileira.com.br/Materia.asp?MateriaID=155 .

Diante de tudo que vi, e falei, minha oração neste dia é: "Senhor Jesus eu lhe peço: Tu que está assentado no trono, e cujo nome está acima de todo nome que há na terra, ajuda-nos a sofrer com os que sofrem, a chorar com os que choram, para que possamos depois sorrir com os que alegres estão. Apregoa o Teu ano aceitável entre os pobres, e anuncia aos que estão presos, sua liberdade. Restitui a vista aos que estão cego, e não somente aos acometidos de cegueira física, mas também espiritual, e liberta os oprimidos, pois, seu tempo chegou, e seu povo será salvo! A nós, seu povo, eu peço, usa-nos em tudo isto que há de fazer, para nossa alegria, e para o louvor, honra, e glorificação de Seu Santo nome, amém!"

No amor em Cristo Jesus, Cleber B. Gouveia, pr.
Capelão do CEDECAP, e Pastor Auxiliar da Primeira IPI do DF

05 junho 2006

Confissão

Minhas mãos são desajeitadas,
Parecem-me grandes, às vezes pequenas,
Parecem-me fortes, às vezes fracas,
Parecem-me firmes, mas são trêmulas.
Minhas mãos são desajeitadas,
Para tocar um cristal sem quebra-lo,

É um sentimento de inadequação,
Uma sensação estranha de inaptidão,
Como se pisasse solo sagrado,
Com pés calçados,
Ou um espinheiro,
Com pés descalços,

Aqui está a raridade, a beleza,
A santidade, a verdade,
Revelando minha trivialidade, banalidade,
E quase insanidade de pensar em adequa-lo!
Como adequar tamanha grandeza?
Se minhas palavras são pequenas, confusas, incertas,
Finitas, irreverentes...

Que tarefa inglória,
Sinto o grito profético:
Ai de mim, estou perdido... e os meus olhos viram o Rei!
Entendo o clamor apostólico:
Miserável, homem que sou!

Parcialidade, incapacidade e nulidade são as únicas siglas
Que me ocorrem,
Sinto arder meu peito,
Sinto tremer meus lábios,
Sinto até tentar,
Mas desistir
Mas o que de fato sinto?
Sinto muito...

Sinto querer e não poder,
Querer e não dever,
Sinto tentar, mas fracassar,
Afinal, amor é sagrado, para ser profanado,
Por mim, pecador!

Rev. Jean Douglas Gonçalves

02 junho 2006

A Crise da Transmissão da Fé

A Crise da Transmissão da Fé


A transmissão da fé em nossa cultura secularizada requer de nós novos cuidados e preocupações que nossos pais não tiveram
Uma preocupação que vem crescendo e provocando muitas conversas tanto dentro da Igreja Católica como na Evangélica é o da transmissão da fé para as futuras gerações. Na Europa, alguns estudiosos já demonstraram isso em trabalhos como o do espanhol Juan Martin Velasco, que escreveu La transmissión de la fé en la sociedad e do bispo alemão J. J. Degenhardt, com seu livro Crisis of the transmission of the faith, em que ambos apontam um fenômeno, não só europeu, mas ocidental, envolvendo principalmente as igrejas cristãs.
Existem várias causas para isso, mas a secularização da sociedade ocidental é apontada por todos como a causa primeira desta crise. Olhando para o Brasil, vemos uma Igreja que ainda cresce numericamente, mas que tem perdido sua relevância cultural, social, política e econômica. E vem perdendo também suas raízes históricas e teológicas. Uma Igreja que oferece uma infinidade de programas, atividades e várias formas de entretenimento religioso, mas que tem perdido a capacidade de criar, principalmente nas novas gerações, um grau de compromisso e fidelidade para com a verdade bíblica. O que os membros fazem no domingo tem pouca ou nenhuma relação com o que fazem nos outros seis dias da semana. Nossas tradições foram descartadas, nossos valores relativizados e nossas convicções se transformaram em discretas e frágeis impressões religiosas. Vemos também, inclusive dentro da Igreja cristã, a intensificação do individualismo como resposta à secularização e o crescente movimento da moderna psicologia, que valoriza o “indivíduo autônomo” em sua busca pela auto-realização.
Diante de um cenário assim, ao olhar para o futuro do cristianismo, somos tomados por um sentimento de apreensão e perplexidade. Por um lado, sabemos que a Igreja é de Cristo e é ele quem a sustenta e guarda – no entanto, a história da Igreja é dinâmica e, em muitas nações e até continentes onde ela já foi viva e forte, hoje não é mais. Portanto, temos que refletir sobre nosso papel nesse processo e como será o processo de transmissão da fé para as novas gerações.
A transmissão da fé em nossa cultura secularizada requer de nós novos cuidados e preocupações que nossos pais não tiveram. No passado, com a centralidade da religião e da família na cultura ocidental, o processo era natural. Hoje, nenhuma das duas ocupam mais este lugar. Antigamente, os valores e convicções cristãs eram claramente definidos e aceitos socialmente. Eram eles que estabeleciam uma fronteira clara entre o que era certo e errado ou entre o que era pecado e o que não era. A identidade do cristão era socialmente bem definida, o que lhe dava também uma certa segurança e responsabilidade. Agora, não – falta essa identidade clara e os valores e convicções evaporaram. A grande pergunta que se coloca diante de nós é: como iremos transmitir para nossos filhos e netos os valores e princípios da fé cristã?
A nova preocupação com a “espiritualidade” pode ser uma resposta à crise da transmissão da fé. Muitos têm confundido espiritualidade com uma forma de intimismo religioso que surge como resposta ao individualismo secularizado, intensificando a alienação e não promovendo um relacionamento real e verdadeiro com o Deus triúno da graça. Para ser relevante, a espiritualidade precisa oferecer uma resposta à crise da transmissão da fé, fundamentando-se na revelação bíblica de Deus como uma Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).
Uma espiritualidade fundamentada na Trindade nos conduz a um relacionamento pessoal com Deus-Pai que não é fruto de uma compreensão particular e intimista, mas da revelação que Jesus, o Filho unigênito nos apresenta. Conhecer a Deus Pai não é o resultado das projeções das nossas melhores intenções paternas, mas o resultado exclusivo da relação única que o Filho eterno tem na comunhão com o Pai. Somente Cristo é quem nos revela a natureza paterna de Deus. Conhecer a Cristo é conhecer aquele que nos foi enviado pelo Pai e que realizou por nós, na cruz do Calvário, a gloriosa obra da reconciliação através da justificação e do perdão dos nossos pecados. Compreender o que Jesus fez na cruz e responder ao Pai em comunhão, obediência e adoração só nos é possível pelo poder do Espírito Santo, que abre nossos olhos, levando-nos a compreender nosso pecado e a necessidade de redenção. E que também nos abre para Deus por meio de Cristo e para a comunhão com os santos.
O caminho para enfrentar a crise da transmissão da fé passa por uma espiritualidade centrada na Trindade e nas Sagradas Escrituras. Somente a partir de um relacionamento pessoal com o Deus trino da graça é que poderemos recuperar o valor daquilo que é verdadeiro e resistir à subjetividade da cultura secular. Compreender a realidade a partir da revelação de Deus em Cristo, e não através da psicologia e sociologia modernas, nos libertará da percepção reducionista da cultura secular e nos conduzirá a uma compreensão profunda e realista da natureza humana, da nossa condição social, dos propósitos da criação e da comunhão com o Senhor e com o próximo.
Olhar para a realidade a partir da auto-revelação de Deus em Cristo nos conduzirá a uma nova dinâmica de vida e fé onde todos os eventos, encontros, experiências, desejos, ações e paixões serão holisticamente absorvidos em Cristo. É isso que nos tornará mais verdadeiros e nos conduzirá à vida abundante prometida pelo Senhor. O legado que precisamos deixar para as novas gerações envolve um caminho de fé que nos conduza a uma completa rendição e entrega, da mesma forma como o Filho de Deus se entregou por nós em amor e obediência ao Pai. Somente através de uma conversão real e dinâmica é que as novas gerações irão reconhecer o valor pessoal, histórico e social da fé cristã e responderão a ela numa vida de obediência, amor, comunhão e serviço.

Ricardo Barbosa de Souza é conferencista e pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasilia

01 junho 2006

Haverá amor maior que o de uma Mãe? Sim, há!

Bem, depois de alguns dias longe, voltamos. Estivemos participando de um congresso de pastores, em Cocalzinho, Goiás. O Congresso fora organizado pela Missão Vida (www.mvida.org.br/), que merece sua atenção e sua oferta. Entre no link e veja com seus próprios olhos. Eu vi mendigos restaurados pelo poder e amor de Deus, e a partir do que vi, gostaria de compartilhar com vocês algo que está na Palavra de Deus em Isaías 49.15:

"Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama...? Eu, todavia, não me esquecerei de ti”.

Haverá amor maior que de mãe? Creio que todos nós concordamos que não. Mesmo sendo homem, e com muita fé, um futuro pai, tenho que reconhecer não haver amor como o de mãe. Se duvidares, bastará que olhes um pouco para os lares brasileiros. Nos em que não há pai e mãe, são poucos aqueles os quais os pais moram sozinhos com os filhos e deles cuidam. A grande maioria é de mães abandonadas, ou na gestação, ou após o nascimento, ou durante o relacionamento, de forma covarde. Contudo, elas estão ali, ao lado dos filhos, lutando contra tudo e contra todos, em favor dos mesmos. São mães que se desdobram para também serem pais, e não se cansam da difícil tarefa de continuar a prover a vida para seus filhos. Isto é amor de mãe!
Entretanto, até mesmo uma mãe poderá abandonar seu filho. Aliás, poderá até mesmo abandoná-lo torcendo pela sua morte. Não fora isto que ocorrera a poucos meses em Belo Horizonte. Uma mãe que, entendendo não ter condições de cuidar do filho (será?), o colocou em um saco, deixando-o à mercê da própria sorte em uma lagoa? E após este, houve outros casos, e creio que infelizmente não serão os últimos.
O texto de Isaías, contudo, nos afirma: "Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama...? Eu, todavia, não me esquecerei de ti."
Uma mãe poderá esquecer seu filho; poderá rejeitá-lo, e até mesmo querer se livrar do filho que ainda nela mama. Mas o Senhor não. O Seu amor é maior. Ele é capaz de ter um amor maior que o de mãe!
Digo isto com muita propriedade, pois conheço pessoalmente outros casos em que uma mãe deixou de amar seu filho. E isto ocorrera com mães que se dispuseram a ir até o fim, e foram ao extremo para ajudar o filho viciado nas drogas, no álcool, a serem livres, mas que não suportaram tanta dor, tanto sofrimento, e viram-se incapazes de continuar amando. Um filho poderá apagar, ou mesmo destruir, o amor de sua mãe. Mas, não há nada que façamos, ou deixemos de fazer, que irá diminuir ou aumentar o amor de Deus por nós. Ele nos amou quando éramos pecador (Romanos 8). Seu amor é incondicional. Jesus morreu na Cruz por pessoas que O desprezaram. Ele poderia ter desistido. Mas não o fez. Há amor maior que este? Não acredito, e afirmo com convicção: não há! Ainda mais quando vemos que Ele fora desprezado, maltratado, e nada guardou em seu coração. Aliás, deste coração, veio aquilo que é mais forte no amor: sua capacidade de perdoar (Lc 23.34).
Você poderá ver casos na Bíblia os quais o levaria a irar-se contra a personagem bíblica, e dizer que, se fosse Deus, o destruiria. Deus, porém, os amou e os restaurou. Veja isto com os seus próprios olhos através da História de Manassés (II Crônicas 33). Ele é um exemplo claro. Seus pais se envergonhariam, e quem sabe o rejeitariam por causa de suas atitudes. Mas o Senhor não desistiu dele, e o buscou, o restaurou. A história do filho pródigo também representa bem este amor de Deus. O filho que rejeita o amor do seu pai. Rejeita o próprio pai quando pede a herança pra viver como desejar, e isto longe de seu lar. Contudo, quando este volta para a casa do pai sem nada, apenas com o pedido de que fosse aceito como servo, pôde provar do amor incondicional (Lucas 15), o mesmo amor com o qual o Senhor nos ama, e não O deixa se esquecer de nós.
Portanto, uma mãe pode deixar de amar e assim abandonar seu filho a própria sorte. O Senhor não!
Esta é a nossa esperança! Esta é a nossa alegria! Esta é a nossa vitória! E graças damos a Ti Senhor, que não se esquece de nós nunca! Por isto O adoramos, O louvamos, o amamos. Em Cristo Jesus, amém!

No amor em Cristo Jesus, Cleber B. Gouveia, pr.
Pastor Auxiliar da 1a. IPI do DF, e Capelão do Centro Educacional Evangélico Eduardo Carlos Pereira em Taguatinga DF.